No Bandcamp do quinteto islandês Oyama, encontramos na
descrição do grupo algo que pode ser traduzido como: “Tocamos melodias
sonolentas enroladas em nuvens inchadas de ruído e amáveis e incompreendidas distorções”.
Esta é mais uma das formas sinestésicas possíveis para se descrever o shoegaze. Sim, além de uma excelente cena
post-rock, agora a Islândia também possui um baita representante deste estilo
musical que acaba de ganhar uma seção especial aqui no Fuzzverb!
Fui apresentando a esta banda em um ótimo grupo de Shoegaze,Dreampop & Nugaze que frequento no Facebook. O usuário que compartilhou um link
da banda afirmou que eles teriam sucesso imediato rapidamente e tudo mais..
Levando em conta o histórico das carreiras de bandas de shoegaze, nem por um
segundo levei a sério o que ele havia dito, mas mesmo assim fui conferir o som.
O mesmo cara que postou, também disse que o famigerado álbum Loveless do My Bloody Valentine não é o
único disco bom de shoegaze. Estereótipo
muito difundido por aí e que deveria fatalmente ser banido e infelizmente não
é!
“The Right Amount”, canção postada no grupo, imediatamente
se assemelha a qualquer canção sussurrada por Bilinda Butcher, vocalista e
guitarrista do My Bloody Valentine. Logo pensei que o post do rapaz se tratava
de uma contradição, mas já é de praxe que a maioria das bandas da nova geração
de shoegaze, ou nugaze, tencione a soar como MBV, Slowdive ou Cocteau Twins. Felizmente,
Oyama tem identidade própria! “The Right Amount” se parece sim com Loveless, porém é uma ótima canção e foi
o bastante para que eu me convencesse a ouvir mais canções do grupo.
Oyama lançou o primeiro disco em novembro do ano passado. Coolboy possui nove faixas e é todo
cantado em inglês. Para quem ficou decepcionado esperando ouvir algum shoegaze
cantado em islandês, poderá se deliciar com o trio Sigur Rós, que não é
necessariamente shoegaze, mas bebe da mesma fonte! O álbum foi gravado durante
sete meses no Sundlaugin Studio, na capital islandesa Reykjavik. O trabalho foi
produzido por Pétur Bem, que também colaborou com guitarras, violoncelo,
sintetizadores e um glockenspiel, instrumento similar a um xilofone.
O quinteto é formado por Bergur Thomas Anderson (baixo,
vocais), Júlía Hermannsdóttir (vocais, teclado), Kári Einarsson (guitarra),
Rúnar Örn Marinósson (bateria) e Úlfur Alexander Einarsson (vocais, guitarra).
Como de costume, a banda possui uma vocalista mulher, fator quase obrigatório
para as bandas de shoegaze. Não querendo atribuir mais estereótipos ao estilo e
sequer desmerecendo o trabalho do grupo, que é sensacional! Não sei se o nome da banda faz alguma alusão ao shoegaze japonês...
“Old Snow” abre o álbum Coolboy.
Nota dez, se eu estivesse em condições de julgar ou classificar a banda. A
levada da música é envolvente e crescente. As três guitarras arrastadas e
barulhentas acompanham os vocais de Júlia, também acrescido em partes pelo sombrio backing vocal de Úlfur. A canção vai aumentando até se dissolver em uma interessante guitarra
lo-fi dedilhada, que lembra a sonoridade de um videogame 16 bits da década de 90.
Uma baita canção, de causar arrepios aos fãs mais exigentes de shoegaze.
O disco ainda possui ótimas canções como a excêntrica “The
Cat Has Thirst”, que perdoem a minha insolência, dá de lembrar à conterrânea Björk. A música também migra lentamente da calmaria para a tempestade,
característica marcante de todo o disco. “Siblings” é a canção mais agitadinha
do álbum. Um belo trabalho do baterista Rúnar é percebido na faixa, que também
possui belas camadas de guitarras distorcidas e reverberadas. Coolboy ainda possui a mórbida e
repetitiva canção “Don't be sad because of people, they will all die” (Não
fique triste por causa das pessoas, elas vão todas morrer).
“Sweet Ride” encerra o álbum e abaixo do texto postarei uma
apresentação recente da banda para a Rádio KEXP 90.3 FM, ótima estação para se descobrir artistas interessantes. Coolboy está no meu Top 3 de discos de shoegaze lançados em 2014.
Os outros dois são Guilty Of Everything
da banda Nothing e Sway da banda
Whirr. Ambas norte-americanas e juntamente com os islandeses do Oyama, quebram outro estereótipo de que bandas
boas de shoegaze saem apenas do Reino Unido. Em breve escreverei sobre estas
duas bandas aqui na seção de shoegaze do Fuzzverb. Vida longa a Oyama!


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