Thomas Fekete gravou o disco Burner na pior fase possível
de sua vida. Depois de ser diagnosticado com um câncer raríssimo de sarcoma e
passar por duas cirurgias, muniu-se de um gravador de quatro canais e no
período de março a junho de 2015, durante a quimioterapia em sua casa no sul da
Flórida, iniciou em seu quarto a composição de 11 canções. Ainda em tratamento,
o guitarrista da banda de clima praiano Surfer Blood, descreve que seu disco reflete
os “bons momentos, em dias que ele ainda estava habilitado a andar, conversar e
funcionar como uma pessoa normal” e também em “vômitos durante as sessões dos
vocais, cadeiras de rodas, mudanças de analgésicos, lágrimas da família, da
esposa e de amigos queridos”.
Sem dúvidas trata-se de um disco bastante denso. A
gravação experimental de baixa qualidade assemelha-se a clássicos do gênero
lo-fi como Guided By Voices ou Sparklehorse. O uso absuvivo de overdubs
repletos de ecos infindáveis agrega uma atmosfera espacial ao trabalho. Burner pode
ser enérgico ao trazer um rock adolescente como ocorre em “Knife Bank” e
altamente melancólico com canções como “Loser Uncle” e “Weather”. O instrumental
“Problems” deixa evidente as mesmas guitarras ensurdecedoras que Fekete
registrou no período em que esteve na banda Surfer Blood. “Roll On River (Andy
Boay)” é um interessante registro vocal de um coro reverberante e quase
barroco. O trabalho foi inteiramente gravado por Thom Fekete, Kerman Pinchette
e contou com as mixagens de Evan Mui e Daniel Good.
O disco foi lançado pelo selo independente Joyful Noise e
está disponível no site oficial da gravadora e no Bandcamp de Thom Fakete. A
canção “Treason” está disponível para audição gratuita no Soundcloud da Joyful
Noise. 200 fitas cassetes enumeradas à mão foram vendidas pelo músico. Os K7s também
vinham acompanhadas de desenhos feitos por Thom e já estão com as vendas esgotadas.
Todo o dinheiro da venda do álbum será revertido para o tratamento do câncer de
Thom Fekete, que também tem parte do apoio financeiro munido por uma campanha
de crowdfunding no site gofundme. Até o momento, Thomas já arrecadou 34 mil
dólares dos 100 mil necessários para todos os procedimentos médicos.
Yo La Tengo –
Stuff Like That There ✫✫✫½(28 de agosto, Matador Records)
A maneira que o trio norte-americano escolheu para
celebrar os trinta anos de carreira foi com um lançamento repleto de
reinterpretações de suas próprias canções e alguns covers. Stuff Like That
There é o décimo quarto álbum lançado pelo Yo La Tengo. A sujeira
característica do trio, que sempre se viu associado ao rock alternativo e ao
shoegaze, dá lugar a uma levada suave com arranjos acústicos e uma bateria
bastante harmoniosa e percussiva.
Destaques: My Heart’s Not In It, Friday I'm Love,
Deeper Into Movies
Beach House –
Depression Cherry ✫✫✫✫ (28 de agosto, Sub Pop, Bella Union & Mistletone)
Das bandas da nova safra de shoegaze e dream pop, talvez
seja no Beach House em que se encontre o timbre mais excêntrico de voz. A
francesa Victoria Legrand possui um soturno vozeirão, que vez ou outra sempre é
comparado ao da modelo Nico, imortalizada no Velvet Underground. Em Depression
Cherry, quinto disco do Beach House, assim como sugere o título, encontramos um
conjunto de saborosas e lamuriantes canções. A dupla de Baltimore arriscou
adicionar novos elementos para fugir um pouco da sonoridade dream pop
oitentista.
Destaques: Levitation, Sparks, 10:37
Foals – What Went
Down ✫✫✫✫(28 de agosto, Transgressive & Warner Bros)
O quarto disco da banda inglesa Foals não economiza na
agressividade. O quinteto de Oxford liderado pelo grego Yannis Philippakis, trás
dez canções inéditas produzidas por James Ford, conhecido pelo êxito de bandas
como Arctic Monkeys, Haim e Florence And
The Machine. O novo trabalho é um perfeito balanço entre experimentalismos
sonoros e a característica dançante que consolidou o Foals em seu primeiro
lançamento, Antidotes em 2008.
Destaques: What Went Down, Mountain At My Gates, A Knife In
The Ocean
O terceiro disco do Tame Impala poderia ter sido um divisor de águas na carreira de Kevin Parker. Sem medo de arriscar, o australiano deixou de lado a consolidada musicalidade retrô psicodélica, e imergiu em dançantes sintetizadores oitentistas. O resultado desta mudança está claramente visível ou audível em Currents, lançado no dia 17 de julho deste ano.
“Let It Happen”, faixa de abertura do disco ganhou hoje um aterrorizante videoclipe. Infelizmente três minutos da canção foram suprimidos, o que é bem previsível devido ao quase centenário padrão radiofônico de duração das músicas. O vídeo foi dirigido pelo inglês Dave Wilson, que já trabalhou com a banda na regência do clipe de “Mind Mischief”.
O material visto em “Let It Happen” só não é inteiramente perturbador devido ao clima lisérgico e dançante da canção. O protagonista do clipe se vê preso em um labirinto quase kafkiano, e quando chega a enlouquecer, mergulha em um voo rasante pelos céus repleto de nuvens rosadas.
“Vida Sim” faz parte do mais novo EP do sexteto mineiro Graveola e Lixo Polifônico. Gravado parcialmente na Inglaterra e no Brasil, London Bridge, como sugere o título, é uma ponte sonora que está sendo construída na carreira do Graveola, que já está se acostumando a excursionar pela Europa. O vídeo de “Vida Sim”, quinta e última canção do EP, retrata o azar do guitarrista José Luis Braga ao se deparar com os mais diferentes tipos de apostas e jogos. Um divertido videoclipe, visivelmente produzido de forma independente pela banda, que aposta numa sofisticação sonora que mescla características do samba, jazz e indie rock.
No dia 25 de setembro deste ano, seremos agraciados com b’lieve i’m goin down, o sexto disco do músico Kurt Vile. Para instigar a curiosidade sobre o novo material, o blog da Matador Records, liberou hoje em seu Youtube oficial, o videoclipe da música “Pretty Pimpin”. Dirigido por Daniel Henry (que já trabalhou com artistas como Jack White), o vídeo inicia-se com dois misteriosos ventiladores em uma rua estreita. Os objetos não aparecem posteriormente, e a incógnita é substituída por deslizantes takes, onde o músico de cabelos armados toca guitarra, passeia pelo supermercado e multiplica-se aleatoriamente. A música carrega um poderoso riff dedilhado, reafirmando as habilidades de Vile com a guitarra.
Muitos foram e são os trabalhos paralelos dos membros do
quinteto nova-iorquino The Strokes. O ítalo-brasileiro Fabrizio Moretti montou
as bandas Little Joy e Megapuss, e frequentemente assume as baquetas nas bandas
de Devendra Banhart ou Rodrigo Amarante. Nikolai Fraiture criou o alter ego
folk Nickel Eye e este ano fundou a banda Summer Moon. Julian Casablancas
acertou em um primeiro álbum solo e errou feio ao juntar-se a excêntrica banda
The Voidz. Nick Valensi foi o único a não se pronunciar e vez ou outra colaborou
com alguma guitarra para a cantora Regina Spektor.
Albert Hammond Jr. foi o primeiro a investir em carreira
solo e já lançou dois ótimos discos: Yours To Keep em 2006 e ¿Cómo Te Llama? em
2008. Após isso, passou por um hiato, mas logo lançou o EP AHJ em 2013. Para
felicidade dos fãs saudosistas do The Strokes, o músico é praticamente o único
a manter as raízes firmes e lançou ontem o clipe da nova música “Born Slippy”,
que fará parte do novo álbum Momentary Masters a ser lançado em 31 de julho.
Esta será a terceira mudança de gravadora do músico, que migrou para a Vagrant
Records, após rejeitar a produção do novo álbum no selo Cult Records de Julian
Casablancas.
Dirigido por Justyna Hammond Jr., esposa do músico, o
vídeo mantem o espectador atento em cada detalhe entalhado na sequência
desnorteante. Sejam elas de origem natural, animal ou industrial, a produção
hipnotiza pelo frenesi provocado pelas rápidas transições das imagens. O clipe
aproxima-se das produções “retrô” sempre constantes nos clipes do The Strokes,
como por exemplo “The End Has No End”, “12:51” ou a versão alternativa do vídeo
de “You Only Live Once”.
“Born Slippy” reafirma a sonoridade funk que caracterizam
as guitarras de Albert Hammond. Jr. Uma canção simples e poderosa, e felizmente
muito melhor do que Tyranny, disco solo de Julian Casablancas +The Voidz e até
mesmo Comedown Machine, lançamento mais recente do The Strokes. É inegável que
a guitarra do refrão seja fortemente influenciada pelo famoso riff da canção “Marquee
Moon” da banda nova-iorquina Television, referência crucial da sonoridade do The
Strokes. A música é de encher os olhos e faz com que a expectativa do terceiro
do disco de Albert só cresça. Escute!
Tive o prazer de conhecer o Tortisse, quarteto punk da cidade mineira Patrocínio, logo em seu começo no ano de 2010. A banda provavelmente surgiu devido à amizade de longa data dos integrantes que costumavam tocar em diversos projetos ou em jams, habito que eles ainda mantem até hoje. Antes mesmo de fazerem algum show a banda gravou, de maneira totalmente caseira, a primeira demo intitulada “A Torto e a Direita”. A produção espanta pela veracidade do som, mesmo que os efeitos tivessem sido emulados por plugins e que a bateria tenha sido toda gravada de forma digital por meio de VSTs.
As quatro faixas do EP lançado em 14 de abril de 2011, evidenciam as características e influências distintas de cada membro da banda. Thiago Moncorvo, guitarra e voz, veio da cidade de Araxá-MG onde recrutou a banda Backside, ao lado do guitarrista Fabrício Vasconcelos. A banda é completada por outra dupla de músicos de Patrocínio: o baterista Leonardo Birosca e o baixista e vocalista Igor Melo, que também já haviam compartilhado experiências musicais na banda Insimetria. A sonoridade punk rock da demo é completada por pitadas de rock alternativo e até mesmo manguebeat.
A atitude de produzirem e gravarem as próprias músicas fez com que o Tortisse se movimentasse pela região e se tornassem conhecidos no circuito de bandas do cenário independente. A euforia dos shows, característica do grupo, é o ponto forte do quarteto. Outro aspecto interessante são os covers feitos pela banda. Dentre eles: Ramones, Beastie Boys, Queens Of The Stone Age, etc. Foi nesta pequena brincadeira de interpretar outros artistas que o grupo acabou sendo convidado para participar do tributo “Rumo ao Roda Viva”, em homenagem a banda de hardcore brasiliense Raimundos.
A repercussão da participação no tributo estimulou a banda a prosseguir e a trabalharem no primeiro EP, autointitulado “Tortisse”, lançado hoje, 8 de julho de 2015. Com quatro faixas gravadas em maio de 2015 no Studio Maquetes do produtor musical Jorge Luiz em Patrocínio, o compacto trás cinco faixas, das quais duas inéditas (“Praia dos minêro” e “Ofensa”), duas regravações (“Unfeeling” e “Nação Piada”) e o cover do Raimundos (“A Mais Pedia”) feito para o tributo “Rumo ao Roda Viva”.
A inédita “Praia dos minêro” é uma agitada canção que de imediato nos remete ao ska popularizado na cena harcore do fim dos anos 90. A nervosa e também nova “Ofensa” com certeza não agradará aos politicamente corretos. “Unfeeling” fez parte do primeiro EP e carrega uma bela e pegajosa melodia de hardcore californiano. Reaproveitada de “A “Torto e a Direita”, “Nação Piada” é um hino punk de desconformidade e deboche. Para fechar, temos a releitura de “A Mais Pedida”, incendiada por uma densa guitarra thrash metal. A faixa contou com a colaboração de Isa Melo, irmã de Igor Melo, que também integrou anos antes o projeto indie rock Navegaantes .
Ouça o EP na íntegra no Youtube oficial da banda no link acima! O EP “Tortisse” trará mais visibilidade para que o quarteto se expanda pelo país e divulgue a autenticidade sonora que carregam. O Tortisse possui a grande responsabilidade de representar o punk rock no estado de Minas Gerais, e ainda de serem basicamente um dos únicos remanescentes culturais do cenário musical independente da cidade de Patrocínio. Vida longa ao Punk Rock! Vida longa ao Tortisse!
Os fãs de Sonic Youth que ainda não se conformaram com o lamentável fim
da banda, podem se deleitar na música recém lançada pela ex-baixista Kim
Gordon, em parceria do líder do Dinosaur Jr., J Mascis. “Slow Boy” faz parte da compilação
CONS EP Vol. III, que trará mais duas canções durante o mês de junho deste ano.
A música evoca todos os ruídos que palpitaram na década de 80 e 90 durante a efervescente
cena de rock alternativo nos Estados Unidos. Drope em seu skate, amarre os cadarços de seu All Star
e escute esta barulhenta e fantástica faixa de dois ícones extraordinárias da
cena punk/noise/grunge americana!
O documentarista Brett Morgen não poderia ter sido menos sortudo ao rodar Montage Of The Heck. A biografia autorizada de Kurt Cobain é uma produção muito bem elaborada que conta com diversos materiais inéditos da vida do ex-líder da banda Nirvana. Não se trata apenas de canções inéditas, das quais periodicamente nos deparamos a cada lapso de grana de Courtney Love, ex-esposa junkie do músico e detentora de alguns direitos autorais. O grande ápice do documentário está nas gravações caseiras, tanto da infância, quando da juventude e vida adulta de Cobain.
Vídeos de aniversários e outros registros infantis e familiares; gravações de canções e relatos feitos por Kurt em um gravador de fita; cadernos de composições e controle de rendas. Tudo isto foi desenterrado e organizado para a produção do sofisticado documentário. Para ilustrar o material, a produção contratou o ilustrador nova-iorquino Stefan Nadelman e o estúdio holandês Hisko Hulsing. O resultado seria em um tudo estonteante, não fosse a aura depressiva na qual as animações são imersas ao longo do filme.
Um grande diferencial do trabalho está no fato de que os próprios pais de Kurt Cobain aceitaram serem entrevistados e dissecaram a conturbada infância do músico. O documentário faz questão de se posicionar contra os mesmos, e aponta o divórcio do casal como mote no desencadeamento da rebeldia de Kurt. A separação teria servido para o jovem entrasse nas drogas e saltasse de casa em casa dos seus familiares, até se sustentar em subempregos e por fim, ser mantido por sua ex-namorada, Tracey Marander, que também participou do filme.
A película também tenta dar luz a um lado extremamente carinhoso de Kurt, ao ressaltar que em seus relacionamentos amorosos, o músico buscava reconstruir a família que perdeu em sua infância. A meu ver, o documentário transmite uma falsa sensação, visto que Kurt não levou em consideração sua família ao dar cabo de sua própria vida, o que custou o fato de sua filha Frances Bean, não o ter conhecido. Falando nisso, a própria filha de Kurt foi uma a das pessoas a custear a produção do documentário...
Montage Of The Heck deixa de lado muitos aspectos interessantes como o processo de composição de músicas, o trabalho de Kurt nas gravações em estúdio e suas preferências musicais. Dave Grohl, grande entusiasta deste aspecto, sequer foi entrevistado para o documentário. Suas aparições resumem-se em pífias entrevistas onde aparece ao lado de Kurt e Krist Novoselic, dizendo parvoíces. O lado artístico de Cobain foi usado apenas na tentativa de reconstrução da personalidade do músico durante os 145 minutos de filme.
Os fãs de Kurt Cobain ganharam de presente raras execuções de algumas músicas e uma bela interpretação caseira da música “And I Love Her” dos Beatles. A canção foi usada para ilustrar cenas amorosas onde Kurt aparece na maioria das vezes drogado, ao lado de Courtney, também sob o uso de drogas. Quanto a seleção da trilha sonora, não a do que reclamar. A escolha das faixas do Nirvana caiu como uma luva em certos contextos do documentário. É quase como se o próprio Cobain estivesse as escolhido para a produção da película.
Outro aspecto legal do documentário foi a utilização da releitura de algumas canções clássicas do Nirvana na trilha sonora. Por exemplo, a forma como o compositor Jeff Danna infantilizou a canção “All Apologies” em um diferente arranjo utilizando um glockenspiel. A versão de ‘Smells Like Teen Spirit’ executada pelo coral feminino Scala and Kolacny Brothers, também brilhou ao acompanhar imagens inéditas da produção do clipe da canção original em slow motion.
A clássica apresentação do Nirvana no festival Hollywood Rock ocorrida em novembro de 1992 em São Paulo não poderia passar despercebida. Claro que as imagens escolhidas foram as polêmicas cenas onde Kurt cospe em uma das câmeras da Globo e mostra sua genitália para outra. Para não aumentar o denso clima do documentário, a parte onde Cobain abandona o palco engatinhando não foi incluída. Este era apenas o começo do fim para Kurt, e mais uma vez, o filme não poupou esforços para encabeçar um discurso negativo contra Courtney Love, que para piorar, comete vários deslizes durante a entrevista concedida ao documentarista.
Se por um lado, Montage Of The Heck acerta a mão pelo aspecto de ter sido tão bem produzido, peca por ser um pouco tendencioso. Para reforçar esta afirmação, em uma entrevista concedida recentemente, Buzz Osborne, líder do Melvins e amigo de infância de Kurt, afirmou que 90% do que é visto em Montage of The Heck é mentira. O músico criticou a inconsistência do trabalho e afirmou que muitos dos relatos de Kurt durante o filme, não passavam de zombarias. Um dos falsos relatos citados por Buzz no documentário foi quando Kurt afirmou ter tentado transar com uma garota gorda e retardada.
Ademais, Montage Of The Heck surge num momento oportuno. 21 anos após a morte de Kurt Cobain, nada mais justo aos fãs sedentos por novidades, do que eles contemplarem tanto material inédito. Durante o filme, fotos inéditas de alguns dos ensaios mais famosos da banda são reveladas. Além de alguns trabalhos artísticos pintados e desenhados por Kurt, o que em certos momentos, torna a sequência em algo um tanto quanto desalentador. Montage Of The Heck é um ótimo documentário para ser assistido com ceticismo e exige certo background da vida de Kurt e companhia. Quem não conhece o Nirvana, pode não entender certas coisas...
No dia 28 de agosto deste ano, os veteranos da banda norte-americana Yo La Tengo, lançarão pelo selo Matador Records, o décimo quarto disco intitulado Stuff Like That There. A banda completará trinta anos este ano e o trabalho contará com covers e interpretações, além de canções inéditas. Para antecipar o material e instigar os fãs a comprarem a pré-venda, o trio liberou hoje no Youtube, as canções "Automatic Doom" e uma releitura de "Deeper into Movies" do disco I Can Hear the Heart Beating as One, de 1997.
Em "Aumotatic Doom", a sonoridade indie/alt rock noventista já esperada esta mantida na faixa de pouco menos de três minutos. O característico duo vocal de Kaplan e Hubley é acompanhado de uma relaxante levada marcada por uma reverberante guitarra solo e um ritmo de bateria tão melodioso quanto a bossa nova. Já em "Deeper into Movies", o trio dá uma desacelerada, tanto em ritmo, quanto em ruídos. A barulhenta faixa adquire novas texturas, como uma deslizante guitarra repleta de ecos. A explosiva bateria é deixada de lado e as linhas vocais ganham mais evidencia.
Não me surpreendi com o disco Tiranny lançado no ano passado pelo novo projeto de Julian Casablancas. O músico contratou alguns músicos e reciclou outros que já excursionam com ele em sua
carreira solo. O resultado disto foi um longo disco de 12 canções futurísticas,
com certa dose de hiperbolismo e a veemente necessidade de inovar. Julian Casablancas+ The Voidz
pode até soar como uma versão fliperama ou turbinada do Frank Zappa, mas é
inegável dizer que o clipe da música “Human Sadness” lançada há três dias atrás não
seja, no mínimo, sensacional. O lindo trabalho foi dirigido por Warren Fu, responsável
pela produção do espacial vídeo da versão alternativa de “You Only Live Once” e
do sem gracinha, “Under Cover of Darkness” da banda The Strokes, também
liderada pelo nova-iorquino Julian Casablancas.
O extenso clipe de “Human Sadness” é registrado por
vários mosaicos e surreais emaranhados de cenas desconexas, relacionadas ou não
ao ponto de vista de cada personagem, ou membro da banda. A atmosfera
retrograda do curta é constantemente bombardeada pela estranheza de se
intercalar tão bem com takes alheios, que ao longo da narrativa vão ganhando
significado. A melodia simplória da música resgata ecos de canções que sempre
soaram dissonantes nos discos do The Strokes, como “Ask Me Anything” e “Call It
Fake Call It Karma”. Esta mesma longa melodia (quase 11 minutos), não parece
tão torturante quando sincronizada com tais imagens. A exuberância técnica do
videoclipe é de assustar, assim como a tentativa de transmitir uma mensagem de
conscientização sobre o mal que o ser humano causou a si próprio e ao mundo.
Com um conceito de animação 3D nunca visto antes, o Tame Impala liberou hoje o curioso videoclipe para a música “Cause I’m A Man”. Prestes a lançar o terceiro álbum Currents, que sairá dia 18 de julho, o projeto do australiano Kevin Parker dá preferência por uma sonoridade dream pop e mescla a música eletrônica ao rock psicodélico que os consolidou. No clipe, um homem invisível trajando um terno preto, trafega por diversos planos surreais em busca de uma mulher invisível de vestido listrado.
Após a triste notícia da saída do guitarrista Thomas
Fakete, devido a um raro câncer de sarcoma diagnosticado na espinha e nos rins
do músico, os fãs do Surfer Blood podem relaxar um pouco e curtir o lançamento
do terceiro disco 1000 Palms. A banda americana de Palm Beach liberou o novo
disco no último dia 12 de maio e ao contrário dos trabalhos anteriores, o
material foi totalmente produzido e concebido de forma independente.
O trabalho possui onze faixas que foram gravadas na casa
dos pais do baterista Tyler Schwarz. Viva o DIY! Apesar dos esforços e das
tentativas de se desprenderem dos prazos e condições dos selos, o disco que
deveria ser ótimo, é prejudicado pelo estranhamento da banda a esta nova
transição. As canções são todas bem lapidadas, mas nenhuma possui riffs ou
melodias matadoras como as dos discos anteriores. Pelo menos se comparados ao
ótimo debut Astro Coast.
1000 Palms começa com a efervescente “Grand Inquisitor”.
A faixa possui três níveis distintos: a calmaria dos ecos iniciais, o explosivo
instrumental acompanhado de uma lenhadora bateria e o requebrante coro do fim
da faixa. “Island” carrega um pouco da essência das canções do disco anterior,
onde a pegada oitentista ganha força com um poderoso riff de guitarra fuzz. “I
Can’t Explain” provoca lampejos de paz com belas vocalizações e escorradias
guitarras carregadas de distorção e eco.
O disco ganha cores com as divertidas canções “Feast/Farmine”,
“Sabre-Tooth And Bone” e “Covered Wagons”, onde a festividade é inteiramente
conduzida por riffs psicodélicos oriundos das seis cordas. Para quebrar o gelo
de tanta felicidade, “Point Of No Return” apresenta um fervoroso instrumental e
carrega um denso lirismo de conformismo e desilusão amorosa, percebido em
frases como “I’m happy for you / If you’re happy too” (Estou feliz por você /
Se você estiver feliz também).
As quatro canções que me conquistaram aparecem em ordem
no disco. “Dorian” acertou a mão em diversas fases e transições que passeiam
entre belos riffs espaciais e ótimas vocalizações. Em “Into Catacombs” a dupla
de guitarras entrelaça um divertido arranjo barroco. A banda não apresentou
nenhuma dificuldade em mesclar a sonoridade alt-rock 80/90 com esta excêntrica influência
medieval.
A densidade dos vocais em “Other Desert Cities“ é essencial para dar vida ao belo
arranjo construído pela cozinha de instrumentos da banda. O grande diferencial
do Surfer Blood é esta fluidez elucidadas pelas melodias das guitarras. Assim como no restante
do disco, a bateria de Schwarz também se mostra afiada e a evolução do músico
foi um passo bastante significativo para a banda. 1000 Palms é daquele tipo de disco que melhora a cada nova audição!
Quando ouvi Astro Coast (2010) pela primeira vez apaixonei-me de
imediato pelo trabalho. Não tive a mesma sensação ao ouvir Phytons (2013) e até hoje
não morro de amores pelo disco. Ao ouvir “NW Passage” em um lapso de tempo eu
pude relembrar a sensação que tive ao conhecer o som da banda. Não sei se a
música teria o mesmo efeito em mim se não fosse acústica, mas sem dúvida possui
uma devastadora e grudenta melodia!
Se fosse possível fazer um paralelo entre 1000 Palms e os
dois discos anteriores, ele seria menos “ensolarado” do que Astro Coast”, apresentaria
a antonímia da fúria de Pythons e definitivamente estaria entre algo espacial e
estável. A química das faixas é o ponto mais forte do disco. 1000 Palms peca
por ser despretensioso em sua sonoridade e acerta por ter sido concebido em um
período essencial de auto conhecimento e amadurecimento da banda. Escute!
O videoclipe desta semana será um pouco diferente do usual. RadioVulgaris é um projeto paralelo do Cassino Queen, banda mineira que já figurou aqui na seção Cena Local do Fuzzverb no mês de março. O duo liberou hoje está versão de “Burn The Witch” da banda norte-americana de stoner rock, Queens Of The Stone Age. O formato é estupidamente simples e soa de forma matadora. Mari Tavares canta e ataca a condução e caixa clara da bateria, Boris completa a percussão com o bumbo e preenche a música com um violão plugado a um pedal Digitech Whammy. Vídeo e áudio foram registrados pelas iniciativas nos quais a dupla trabalha. Respectivamente: Stone Studio e Bronx Photography. Um achado!
Com data de lançamento para o dia 17 de julho, Currents, o novo disco do Tame Impala possuirá treze faixas. Três faixas do álbum já haviam sido liberadas e ontem a banda divulgou mais uma canção. “Eventually” reafirma a nova perspectiva sonora na qual o grupo do australiano Kevin Parker está imersa. As guitarras psicodélicas repletas e ecos e modulações foram gradativamente substituídas por teclados espaciais e contagiantes. A fórmula dançante já havia sido apresentada em faixas como “Be Above It” e “Feels Like We Only Go Backwards” e agora será o principal viés do disco Currents. Escute!
A seguir, o playlist de Currents:
01 - Let It Happen
02 - Nangs
03 - The Moment
04 - Yes I'm Changing
05 - Eventually
06 - Gossip
07 - The Less I Know The Better
08 - Past Life
09 - Disciples
10 - Cause I'm A Man
11 - Reality in Motion
12 - Love/Paranoia
13 - New Person, Same Old Mistakes
Anteontem aconteceu uma première um tanto quanto insana dos canadenses do Death From Above 1979. Quem já estava se contentando com a efervescência do novo duo Royal Blood, se surpreendeu com o lançamento do segundo álbum do Death From Above 1979, que até então, havia se separado em 2006! O lançamento do disco The Physical World no ano passado, provocou certa felicidade para os fãs quase órfãos da banda.
Pra completar, a dupla decidiu chutar o balde e lançou um polêmico clipe para a canção “Virgins”. O trabalho é dirigido por Eva Michon, esposa do baterista e vocalista, Sebastien Grainger. Anteriormente ela registrou o documentário “Life After Death From Above 1979”. No videoclipe presencia-se a subversão e transformação de uma comunidade de jovens do interior. A libertinagem juvenil ocorre em meio a explicitas alusões a drogas e sexo (mesmo que censuradas por um truque de desfoque).
O Tame Impala liberou ontem mais uma canção que integrará o terceiro álbum Currents. O novo trabalho do grupo australiano foi anunciado para ser lançado ainda este ano. A curtinha canção “Disciples”, segue a mesma linha dream pop altamente dançante das demais músicas inéditas apresentadas. A banda mostra bastante maturidade ao experimentar esta nova sonoridade mais voltada para a música eletrônica, e pelo visto, não está cometendo erros. Escute!
A seção “Melhor de Três” trará um apanhado de discos lançados em cada mês do ano. Para o mês de abril, os destaques ficam para os discos Trickfinger, o novo trabalho do ex-Chili Pepper John Frusicante; Sound & Color, segundo álbum do Alabama Shakes e Carrie & Lowell, sétimo LP de Sufjan Stevens, que foi lançado no último dia do mês de março e apareceu por aqui, simplesmente por ser bom demais para ser ouvido em apenas um dia do mês!
Candidato a um dos melhores discos de indie folk de 2015, o sétimo trabalho de Sufjan Stevens é um belo compilado de suaves e acolhedoras canções. A gravação duplicada do frenético dedilhado de violão e a suave voz do músico americano resgata a essência dos primeiros trabalhos de Elliott Smith. Não que isto implique na perda de identidade do trabalho! Carrie & Lowell é um álbum único, com direito a uma bela temática e composições líricas repletas de alusões bíblicas. As canções se complementam, mas deixo de sugestão as faixas “Death with Dignity” e “The Only Thing”.
Trickfinger – Trickfinger ✫✫✫ (7 de abril, AcidTest)
John Frusciante, responsável pela composição dos maiores dos hits da banda Red Hot Chili Peppers, abandonou a guitarra elétrica e decidiu explorar uma nova área musical. Para adentrar no acid house, o músico necessitou até de aderir a um diferente codinome. Trickfinger, apelido que o músico nova-iorquino recebeu de seus amigos do grupo de hip hop Black Knights, foi o alter ego escolhido para produzir um disco repleto de dançantes loops reproduzidos por sintetizadores old school. O estranhamento dos fãs é quebrado ao assimilarem a essência do músico no estilo, percebida em faixas como “After Below” e “430”.
Alabama Shakes – Sound & Color ✫✫✫✫½ (21 de abril, ATO Records)
O quarteto americano de southern rock experimenta novas sonoridades em seu segundo álbum Sound & Color. As guitarras sulistas ganham novas cores através de pedais de fuzz e as melodias são guiadas por primorosos sintetizadores que remetem a fase de ouro da banda Fleetwood Mac. O amadurecimento não colabora para o surgimento de hits como “Hold On”, mas carrega ótimas faixas como a contundente “Gemini” e “Gimme All Your Love”, que possui uma levada desesperadamente sexual.
Foram seis extensos anos de espera. O Built To Spill não lançava nenhum material inédito, porém nesse ínterim, continuava a excursionar e no meio do caminho, perdia integrantes preciosos. Brett Nelson e Scott Plouf, respectivamente, baixista e baterista, abandonaram o barco. Para suceder There Is No Enemy, o bando de Doug Martsch recrutou o baixista Jason Albertini e o baterista Steve Gere. Untethered Moon foi lançado dia 18 de abril no formato de vinil e sairá em CD e em formato digital amanhã.
E o que esperar da banda após tanto tempo e com todas essas substituições? Levando em conta que o histórico do Built To Spill não reflete em mudanças sonoras drásticas, eu esperava que eles continuassem soando como sempre. Apesar de eu preferir os primeiros discos, e toda a crueza “analógica” dos trabalhos produzidos e mixados por Phil Ek, eu ainda conseguia sentir conforto nos trabalhos mais recentes da banda. Não que 2009 seja assim tão recente...
Para produzir Untethered Moon, a banda apostou em Sam Coomes, multi-instrumentista texano que já foi baixista na banda de ninguém menos do que Elliott Smith! O resultado não deixaria de ser óbvio: Após vinte anos de trajetória, o Built Spill conseguiu emplacar mais um ótimo álbum, repleto de melodias agradáveis, improvisos infindáveis, baladinhas distópicas e a nostálgica sensação de juventude, como se Doug Martsch não envelhecesse nunca!
“All Our Songs” possui um título autoexplicativo. A faixa soa assustadoramente como uma mistura de todas as canções lançadas pelo grupo norte-americano. São seis minutos visitando lugares comuns de riffs enérgicos, vocais arrastados e grudentos, guitarras enfurecidas, ora distorcidas, ora chacoalhando devido ao efeito do pedal de tremolo. A melhor abertura possível para o tão esperado (pelo menos por mim) oitavo disco do Built To Spill.
A primeira canção a ser divulgada no disco foi “Living Zoo”. O frenético solo de guitarra está de volta e de certo modo, a canção também nos remete ao Built To Spill de sempre. A música foi divulgada com um grotesco e divertido clipe dirigido por Jordan Minkoff, dando início as aventuras do excêntrico Hairy Canary. O disco prossegue com “On The Way”, onde novamente a guitarra tremolo rouba a cena.
“Some Other Song” é tão pouco ambiciosa como seu título sugere. A canção quase passaria despercebida não fosse à áurea melancólica na qual ela deixa o ouvinte imerso. A melhor canção do disco surge a seguir. “Never Be The Same” é a primeira música a conflitar com o título, já que ela parece saída de ótimos álbuns como There’s Nothing Wrong With Love ou Keep It Like a Little Secret. Em uma exclusiva première para a Pitchfork, a música ganhou hoje mais um divertido videoclipe. Nele Doug compartilha de uma estranha obsessão pelo ator Harry Canary.
A diferença provocada pela mudança do baixista e baterista
começa a ser percebida em “C.R.E.B.”. As melodias dissonantes podem assustar os
ouvintes tradicionais da banda. Em “Another Day” o trabalho instrumental se
torna mais sônico. As guitarras passam por diversos estágios, sendo eles,
distorções, simuladores de rotary speakers, e até mesmo estando apenas limpas.
Tento ser imparcial, mesmo escrevendo em um blog pessoal, porém é difícil se
conter quando se trata de uma de minhas bandas favoritas.
Os quase três minutos de “Horizon To Cliff” são de pura paz.
A baladinha serve para retomar o folego do disco e possui um belo solo de guitarra,
onde temos uma bela combinação de alavanca e slide. “So” é uma canção do disco
onde encontramos certa psicodélica. Até quando a guitarra está desacompanhada, não
deixa de ser munida de distorção. E que bela distorção! A meu ver esta canção
deveria fechar o disco com pelo menos mais quatro minutos de improviso.
A banda só soa diferente do convencional na última faixa. O
encerramento com “When I’m Blind” é um tanto diferente e incomodo. A levada
circense da música evapora-se aos poucos, dando lugar a um extenso e confuso
solo de guitarra. Isolados, o baixo e bateria não se parecem nada com o que eu
conhecia do Built To Spill. Talvez essa tenha sido a canção que menos me
agradou, sem é claro, interferir no todo! Fora isso, o disco é uma festa!
Untethered Moon já surge em 2015, não diria como carro
chefe, mas pelo menos como que um disco essencial para os fãs de indie rock dos
anos 90! Por sinal, que estão se deleitando com a força do triunfo de bandas gigantes
como Blur, Modest Mouse e Death Cab For Cutie! Minha torcida é que essa onda
que está revigorando o rock alternativo, shoegaze e etc. continue vindo com tudo
em 2015!
Volta e meia o músico canadense Owen Pallett excursiona com o Arcade Fire. Com eles, Pallett geralmente ocupa o cargo de violinista. O artista tcolabora em mais trabalhos paralelos e também possui carreira solo. Ontem foi liberado o clipe de “The Sky Behind The Flag”, canção do quarto disco de Pallett, In Conflict de 2014. Dirigido e desenhado pelo animador Eno Swinnem, a canção trata da temática da saudade e tenta provocar a sensação de que uma coisa distante pode estar próxima. No vídeo, astronautas distópicos e naves espaciais dividem as cenas com uma flamejante bandeira branca.
A canção “Dark Bird Is Home” foi divulgada ontem no
Soundcloud oficial do projeto The Tallest Man On Earth, do músico sueco
Kristian Matsson. A faixa possui o mesmo nome do quarto álbum do artista, que
será lançado pelo selo Dead Oceans no dia 12 de maio. “Dark Bird Is Home” segue
o mesmo formato no qual o músico vem trabalhando: um indie folk denso e
simultaneamente simplório. Escute!