Shadows In The Night
é marcado pelo clima bucólico. O trigésimo sexto álbum de Bob Dylan é uma
homenagem a Frank Sinatra e possui dez canções tradicionais norte-americanas
que o cantor de Nova Jersey costumava executar. Produzido mais uma vez sob o
codinome de Jack Frost, Dylan realizou um antigo desejo ao efetuar a gravação deste
disco.
As canções carregam certo tom de melancolia, que fica mais evidente
quando acompanhadas pela amargura do pedal
steel executado por Donnie Herron, multi-instrumentista de Ohio. Dylan
descartou as performances explosivas de Sinatra, dando a entender que o músico
parecia estar mais interessado pelo lado romântico, tornando suas
interpretações ideais para serem dançadas a dois, como em antigas canções de
boleros.
Shadows In The Night
foi gravado ao vivo e em pouquíssimos takes no Capitol Studios em Los Angeles. Desde
o álbum Tempest de 2012, Bob Dylan
parece estar se adaptando melhor ao desgaste de sua voz, resultado dos excessos
e imprevistos de sua carreira. A maturidade e aceitação de seu envelhecimento são
percebidas no trabalho, que também reafirma o brilhante entrosamento dos
músicos de sua banda.
A versão de “Autumn Leaves” dos compositores Joseph Kosma,
Jacques Prévert e Johnny Mercer, é profunda e certamente um dos pontos altos do
acalento repertório de Sinatra. “That Lucky Old Sun” é a canção mais esperançosa
do disco, e com um belo arranjo de metais, encerra o álbum com vigor característico
de filmes da década de cinquenta que sempre terminam em finais felizes.
Esta não é a primeira vez que Bob Dylan lança um disco repleto
de interpretações. World Gone Wrong,
liberado em outubro de 1993, é uma compilação de canções folk tradicionais dos
Estados Unidos e também trouxe dez canções arranjadas e produzidas pelo próprio
Dylan. Shadows In The Night é mais um
brilhante trabalho de Bob Dylan, que não cansa de se reinventar.

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