sexta-feira, 27 de maio de 2016

Lista de Espera #14 - The Strokes - Future Present Past (EP)


Não haveria nome melhor para o novo EP do quinteto nova-iorquino The Strokes, do que Future Present Past. Num golpe de sorte, o trabalho apresenta sonoridades que apontam tanto para o futuro, quando para releituras da própria banda. Com data de lançamento marcada para o dia três de junho, o EP trará três canções inéditas e uma remix feita da canção “Oblivius” pelo baterista ítalo-brasileiro Fabrizio Moretti.

Com streaming liberada pelo Spotify, o EP tem início com a canção “Drag Queen”, que causaria mais estranhamento se Julian Casablancas recentemente não tivesse participado de um projeto solo juto da banda Voidz. A sonoridade experimental e a mixagem obscura não se assemelha em nada com o material anterior da banda.

“Oblivius” trás de volta as harmoniosas guitarras do duo Hammond Jr./Valensi e uma sofisticada bateria de Moretti. Os vocais estão cantados diferentes por Casablancas e Nikolai segue com uma sutil linha de baixo. A canção é a melhor do EP e trás um poderoso refrão e solo de guitarra, que também apresenta timbres nunca ouvidos em trabalhos anteriores.

Em “Threat Of Joy”, a banda evoca o espírito de Lou Reed em uma levada a lá “Walk On The Wild Side”, com uma mistura da pegada do Little Joy. Das três canções esta é a que mais se assemelha ao The Strokes convencional. A canção é bastante agradável e acende o pavio da esperança dos fãs que aguardavam material inédito desde o último lançamento Comedown Machine, de 2013.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Escute #33 – Thom Fekete - Burner



Thomas Fekete gravou o disco Burner na pior fase possível de sua vida. Depois de ser diagnosticado com um câncer raríssimo de sarcoma e passar por duas cirurgias, muniu-se de um gravador de quatro canais e no período de março a junho de 2015, durante a quimioterapia em sua casa no sul da Flórida, iniciou em seu quarto a composição de 11 canções. Ainda em tratamento, o guitarrista da banda de clima praiano Surfer Blood, descreve que seu disco reflete os “bons momentos, em dias que ele ainda estava habilitado a andar, conversar e funcionar como uma pessoa normal” e também em “vômitos durante as sessões dos vocais, cadeiras de rodas, mudanças de analgésicos, lágrimas da família, da esposa e de amigos queridos”.

Sem dúvidas trata-se de um disco bastante denso. A gravação experimental de baixa qualidade assemelha-se a clássicos do gênero lo-fi como Guided By Voices ou Sparklehorse. O uso absuvivo de overdubs repletos de ecos infindáveis agrega uma atmosfera espacial ao trabalho. Burner pode ser enérgico ao trazer um rock adolescente como ocorre em “Knife Bank” e altamente melancólico com canções como “Loser Uncle” e “Weather”. O instrumental “Problems” deixa evidente as mesmas guitarras ensurdecedoras que Fekete registrou no período em que esteve na banda Surfer Blood. “Roll On River (Andy Boay)” é um interessante registro vocal de um coro reverberante e quase barroco. O trabalho foi inteiramente gravado por Thom Fekete, Kerman Pinchette e contou com as mixagens de Evan Mui e Daniel Good.



O disco foi lançado pelo selo independente Joyful Noise e está disponível no site oficial da gravadora e no Bandcamp de Thom Fakete. A canção “Treason” está disponível para audição gratuita no Soundcloud da Joyful Noise. 200 fitas cassetes enumeradas à mão foram vendidas pelo músico. Os K7s também vinham acompanhadas de desenhos feitos por Thom e já estão com as vendas esgotadas. Todo o dinheiro da venda do álbum será revertido para o tratamento do câncer de Thom Fekete, que também tem parte do apoio financeiro munido por uma campanha de crowdfunding no site gofundme. Até o momento, Thomas já arrecadou 34 mil dólares dos 100 mil necessários para todos os procedimentos médicos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Melhor de Três #Agosto - Yo La Tengo, Beach House & Foals

Yo La Tengo – Stuff Like That There ✫✫✫½ (28 de agosto, Matador Records)


A maneira que o trio norte-americano escolheu para celebrar os trinta anos de carreira foi com um lançamento repleto de reinterpretações de suas próprias canções e alguns covers. Stuff Like That There é o décimo quarto álbum lançado pelo Yo La Tengo. A sujeira característica do trio, que sempre se viu associado ao rock alternativo e ao shoegaze, dá lugar a uma levada suave com arranjos acústicos e uma bateria bastante harmoniosa e percussiva.
Destaques: My Heart’s Not In It, Friday I'm Love, Deeper Into Movies



Beach House – Depression Cherry ✫✫✫✫ (28 de agosto, Sub Pop, Bella Union & Mistletone)


Das bandas da nova safra de shoegaze e dream pop, talvez seja no Beach House em que se encontre o timbre mais excêntrico de voz. A francesa Victoria Legrand possui um soturno vozeirão, que vez ou outra sempre é comparado ao da modelo Nico, imortalizada no Velvet Underground. Em Depression Cherry, quinto disco do Beach House, assim como sugere o título, encontramos um conjunto de saborosas e lamuriantes canções. A dupla de Baltimore arriscou adicionar novos elementos para fugir um pouco da sonoridade dream pop oitentista.
Destaques: Levitation, Sparks, 10:37


Foals – What Went Down ✫✫✫✫ (28 de agosto, Transgressive & Warner Bros)


O quarto disco da banda inglesa Foals não economiza na agressividade. O quinteto de Oxford liderado pelo grego Yannis Philippakis, trás dez canções inéditas produzidas por James Ford, conhecido pelo êxito de bandas como Arctic Monkeys,  Haim e Florence And The Machine. O novo trabalho é um perfeito balanço entre experimentalismos sonoros e a característica dançante que consolidou o Foals em seu primeiro lançamento, Antidotes em 2008.
Destaques: What Went Down, Mountain At My Gates, A Knife In The Ocean


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Videoclipe da Semana #17 - Tame Impala - Let It Happen

O terceiro disco do Tame Impala poderia ter sido um divisor de águas na carreira de Kevin Parker. Sem medo de arriscar, o australiano deixou de lado a consolidada musicalidade retrô psicodélica, e imergiu em dançantes sintetizadores oitentistas. O resultado desta mudança está claramente visível ou audível em Currents, lançado no dia 17 de julho deste ano.

“Let It Happen”, faixa de abertura do disco ganhou hoje um aterrorizante videoclipe. Infelizmente três minutos da canção foram suprimidos, o que é bem previsível devido ao quase centenário padrão radiofônico de duração das músicas. O vídeo foi dirigido pelo inglês Dave Wilson, que já trabalhou com a banda na regência do clipe de “Mind Mischief”.

O material visto em “Let It Happen” só não é inteiramente perturbador devido ao clima lisérgico e dançante da canção. O protagonista do clipe se vê preso em um labirinto quase kafkiano, e quando chega a enlouquecer, mergulha em um voo rasante pelos céus repleto de nuvens rosadas.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Videoclipe da Semana #16 - Graveola - Vida Sim



“Vida Sim” faz parte do mais novo EP do sexteto mineiro Graveola e Lixo Polifônico. Gravado parcialmente na Inglaterra e no Brasil, London Bridge, como sugere o título, é uma ponte sonora que está sendo construída na carreira do Graveola, que já está se acostumando a excursionar pela Europa. O vídeo de “Vida Sim”, quinta e última canção do EP, retrata o azar do guitarrista José Luis Braga ao se deparar com os mais diferentes tipos de apostas e jogos. Um divertido videoclipe, visivelmente produzido de forma independente pela banda, que aposta numa sofisticação sonora que mescla características do samba, jazz e indie rock.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Lista de Espera #13 - Kurt Vile - b'lieve i'm goin down


No dia 25 de setembro deste ano, seremos agraciados com b’lieve i’m goin down, o sexto disco do músico Kurt Vile. Para instigar a curiosidade sobre o novo material, o blog da Matador Records, liberou hoje em seu Youtube oficial, o videoclipe da música “Pretty Pimpin”. Dirigido por Daniel Henry (que já trabalhou com artistas como Jack White), o vídeo inicia-se com dois misteriosos ventiladores em uma rua estreita. Os objetos não aparecem posteriormente, e a incógnita é substituída por deslizantes takes, onde o músico de cabelos armados toca guitarra, passeia pelo supermercado e multiplica-se aleatoriamente. A música carrega um poderoso riff dedilhado, reafirmando as habilidades de Vile com a guitarra.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Escute! #32 - Albert Hammond Jr. - Born Slippy


Muitos foram e são os trabalhos paralelos dos membros do quinteto nova-iorquino The Strokes. O ítalo-brasileiro Fabrizio Moretti montou as bandas Little Joy e Megapuss, e frequentemente assume as baquetas nas bandas de Devendra Banhart ou Rodrigo Amarante. Nikolai Fraiture criou o alter ego folk Nickel Eye e este ano fundou a banda Summer Moon. Julian Casablancas acertou em um primeiro álbum solo e errou feio ao juntar-se a excêntrica banda The Voidz. Nick Valensi foi o único a não se pronunciar e vez ou outra colaborou com alguma guitarra para a cantora Regina Spektor.

Albert Hammond Jr. foi o primeiro a investir em carreira solo e já lançou dois ótimos discos: Yours To Keep em 2006 e ¿Cómo Te Llama? em 2008. Após isso, passou por um hiato, mas logo lançou o EP AHJ em 2013. Para felicidade dos fãs saudosistas do The Strokes, o músico é praticamente o único a manter as raízes firmes e lançou ontem o clipe da nova música “Born Slippy”, que fará parte do novo álbum Momentary Masters a ser lançado em 31 de julho. Esta será a terceira mudança de gravadora do músico, que migrou para a Vagrant Records, após rejeitar a produção do novo álbum no selo Cult Records de Julian Casablancas.



Dirigido por Justyna Hammond Jr., esposa do músico, o vídeo mantem o espectador atento em cada detalhe entalhado na sequência desnorteante. Sejam elas de origem natural, animal ou industrial, a produção hipnotiza pelo frenesi provocado pelas rápidas transições das imagens. O clipe aproxima-se das produções “retrô” sempre constantes nos clipes do The Strokes, como por exemplo “The End Has No End”, “12:51” ou a versão alternativa do vídeo de “You Only Live Once”.

“Born Slippy” reafirma a sonoridade funk que caracterizam as guitarras de Albert Hammond. Jr. Uma canção simples e poderosa, e felizmente muito melhor do que Tyranny, disco solo de Julian Casablancas +The Voidz e até mesmo Comedown Machine, lançamento mais recente do The Strokes. É inegável que a guitarra do refrão seja fortemente influenciada pelo famoso riff da canção “Marquee Moon” da banda nova-iorquina Television, referência crucial da sonoridade do The Strokes. A música é de encher os olhos e faz com que a expectativa do terceiro do disco de Albert só cresça. Escute!