Anteontem aconteceu uma première um tanto quanto insana dos canadenses do Death From Above 1979. Quem já estava se contentando com a efervescência do novo duo Royal Blood, se surpreendeu com o lançamento do segundo álbum do Death From Above 1979, que até então, havia se separado em 2006! O lançamento do disco The Physical World no ano passado, provocou certa felicidade para os fãs quase órfãos da banda.
Pra completar, a dupla decidiu chutar o balde e lançou um polêmico clipe para a canção “Virgins”. O trabalho é dirigido por Eva Michon, esposa do baterista e vocalista, Sebastien Grainger. Anteriormente ela registrou o documentário “Life After Death From Above 1979”. No videoclipe presencia-se a subversão e transformação de uma comunidade de jovens do interior. A libertinagem juvenil ocorre em meio a explicitas alusões a drogas e sexo (mesmo que censuradas por um truque de desfoque).
O Tame Impala liberou ontem mais uma canção que integrará o terceiro álbum Currents. O novo trabalho do grupo australiano foi anunciado para ser lançado ainda este ano. A curtinha canção “Disciples”, segue a mesma linha dream pop altamente dançante das demais músicas inéditas apresentadas. A banda mostra bastante maturidade ao experimentar esta nova sonoridade mais voltada para a música eletrônica, e pelo visto, não está cometendo erros. Escute!
A seção “Melhor de Três” trará um apanhado de discos lançados em cada mês do ano. Para o mês de abril, os destaques ficam para os discos Trickfinger, o novo trabalho do ex-Chili Pepper John Frusicante; Sound & Color, segundo álbum do Alabama Shakes e Carrie & Lowell, sétimo LP de Sufjan Stevens, que foi lançado no último dia do mês de março e apareceu por aqui, simplesmente por ser bom demais para ser ouvido em apenas um dia do mês!
Candidato a um dos melhores discos de indie folk de 2015, o sétimo trabalho de Sufjan Stevens é um belo compilado de suaves e acolhedoras canções. A gravação duplicada do frenético dedilhado de violão e a suave voz do músico americano resgata a essência dos primeiros trabalhos de Elliott Smith. Não que isto implique na perda de identidade do trabalho! Carrie & Lowell é um álbum único, com direito a uma bela temática e composições líricas repletas de alusões bíblicas. As canções se complementam, mas deixo de sugestão as faixas “Death with Dignity” e “The Only Thing”.
Trickfinger – Trickfinger ✫✫✫ (7 de abril, AcidTest)
John Frusciante, responsável pela composição dos maiores dos hits da banda Red Hot Chili Peppers, abandonou a guitarra elétrica e decidiu explorar uma nova área musical. Para adentrar no acid house, o músico necessitou até de aderir a um diferente codinome. Trickfinger, apelido que o músico nova-iorquino recebeu de seus amigos do grupo de hip hop Black Knights, foi o alter ego escolhido para produzir um disco repleto de dançantes loops reproduzidos por sintetizadores old school. O estranhamento dos fãs é quebrado ao assimilarem a essência do músico no estilo, percebida em faixas como “After Below” e “430”.
Alabama Shakes – Sound & Color ✫✫✫✫½ (21 de abril, ATO Records)
O quarteto americano de southern rock experimenta novas sonoridades em seu segundo álbum Sound & Color. As guitarras sulistas ganham novas cores através de pedais de fuzz e as melodias são guiadas por primorosos sintetizadores que remetem a fase de ouro da banda Fleetwood Mac. O amadurecimento não colabora para o surgimento de hits como “Hold On”, mas carrega ótimas faixas como a contundente “Gemini” e “Gimme All Your Love”, que possui uma levada desesperadamente sexual.
Foram seis extensos anos de espera. O Built To Spill não lançava nenhum material inédito, porém nesse ínterim, continuava a excursionar e no meio do caminho, perdia integrantes preciosos. Brett Nelson e Scott Plouf, respectivamente, baixista e baterista, abandonaram o barco. Para suceder There Is No Enemy, o bando de Doug Martsch recrutou o baixista Jason Albertini e o baterista Steve Gere. Untethered Moon foi lançado dia 18 de abril no formato de vinil e sairá em CD e em formato digital amanhã.
E o que esperar da banda após tanto tempo e com todas essas substituições? Levando em conta que o histórico do Built To Spill não reflete em mudanças sonoras drásticas, eu esperava que eles continuassem soando como sempre. Apesar de eu preferir os primeiros discos, e toda a crueza “analógica” dos trabalhos produzidos e mixados por Phil Ek, eu ainda conseguia sentir conforto nos trabalhos mais recentes da banda. Não que 2009 seja assim tão recente...
Para produzir Untethered Moon, a banda apostou em Sam Coomes, multi-instrumentista texano que já foi baixista na banda de ninguém menos do que Elliott Smith! O resultado não deixaria de ser óbvio: Após vinte anos de trajetória, o Built Spill conseguiu emplacar mais um ótimo álbum, repleto de melodias agradáveis, improvisos infindáveis, baladinhas distópicas e a nostálgica sensação de juventude, como se Doug Martsch não envelhecesse nunca!
“All Our Songs” possui um título autoexplicativo. A faixa soa assustadoramente como uma mistura de todas as canções lançadas pelo grupo norte-americano. São seis minutos visitando lugares comuns de riffs enérgicos, vocais arrastados e grudentos, guitarras enfurecidas, ora distorcidas, ora chacoalhando devido ao efeito do pedal de tremolo. A melhor abertura possível para o tão esperado (pelo menos por mim) oitavo disco do Built To Spill.
A primeira canção a ser divulgada no disco foi “Living Zoo”. O frenético solo de guitarra está de volta e de certo modo, a canção também nos remete ao Built To Spill de sempre. A música foi divulgada com um grotesco e divertido clipe dirigido por Jordan Minkoff, dando início as aventuras do excêntrico Hairy Canary. O disco prossegue com “On The Way”, onde novamente a guitarra tremolo rouba a cena.
“Some Other Song” é tão pouco ambiciosa como seu título sugere. A canção quase passaria despercebida não fosse à áurea melancólica na qual ela deixa o ouvinte imerso. A melhor canção do disco surge a seguir. “Never Be The Same” é a primeira música a conflitar com o título, já que ela parece saída de ótimos álbuns como There’s Nothing Wrong With Love ou Keep It Like a Little Secret. Em uma exclusiva première para a Pitchfork, a música ganhou hoje mais um divertido videoclipe. Nele Doug compartilha de uma estranha obsessão pelo ator Harry Canary.
A diferença provocada pela mudança do baixista e baterista
começa a ser percebida em “C.R.E.B.”. As melodias dissonantes podem assustar os
ouvintes tradicionais da banda. Em “Another Day” o trabalho instrumental se
torna mais sônico. As guitarras passam por diversos estágios, sendo eles,
distorções, simuladores de rotary speakers, e até mesmo estando apenas limpas.
Tento ser imparcial, mesmo escrevendo em um blog pessoal, porém é difícil se
conter quando se trata de uma de minhas bandas favoritas.
Os quase três minutos de “Horizon To Cliff” são de pura paz.
A baladinha serve para retomar o folego do disco e possui um belo solo de guitarra,
onde temos uma bela combinação de alavanca e slide. “So” é uma canção do disco
onde encontramos certa psicodélica. Até quando a guitarra está desacompanhada, não
deixa de ser munida de distorção. E que bela distorção! A meu ver esta canção
deveria fechar o disco com pelo menos mais quatro minutos de improviso.
A banda só soa diferente do convencional na última faixa. O
encerramento com “When I’m Blind” é um tanto diferente e incomodo. A levada
circense da música evapora-se aos poucos, dando lugar a um extenso e confuso
solo de guitarra. Isolados, o baixo e bateria não se parecem nada com o que eu
conhecia do Built To Spill. Talvez essa tenha sido a canção que menos me
agradou, sem é claro, interferir no todo! Fora isso, o disco é uma festa!
Untethered Moon já surge em 2015, não diria como carro
chefe, mas pelo menos como que um disco essencial para os fãs de indie rock dos
anos 90! Por sinal, que estão se deleitando com a força do triunfo de bandas gigantes
como Blur, Modest Mouse e Death Cab For Cutie! Minha torcida é que essa onda
que está revigorando o rock alternativo, shoegaze e etc. continue vindo com tudo
em 2015!
Volta e meia o músico canadense Owen Pallett excursiona com o Arcade Fire. Com eles, Pallett geralmente ocupa o cargo de violinista. O artista tcolabora em mais trabalhos paralelos e também possui carreira solo. Ontem foi liberado o clipe de “The Sky Behind The Flag”, canção do quarto disco de Pallett, In Conflict de 2014. Dirigido e desenhado pelo animador Eno Swinnem, a canção trata da temática da saudade e tenta provocar a sensação de que uma coisa distante pode estar próxima. No vídeo, astronautas distópicos e naves espaciais dividem as cenas com uma flamejante bandeira branca.
A canção “Dark Bird Is Home” foi divulgada ontem no
Soundcloud oficial do projeto The Tallest Man On Earth, do músico sueco
Kristian Matsson. A faixa possui o mesmo nome do quarto álbum do artista, que
será lançado pelo selo Dead Oceans no dia 12 de maio. “Dark Bird Is Home” segue
o mesmo formato no qual o músico vem trabalhando: um indie folk denso e
simultaneamente simplório. Escute!
Os ingleses da banda Temples figuram no front da neo psicodelia ao lado de artistas como Tame Impala e Mac Demarco. O grupo tocará pela primeira vez no Brasil em um evento idealizado pelo Club NME Brasil em parceria da Heineken, no dia 16 de maio no Estúdio em São Paulo. Para abrir o show do Temples, a sucursal brasileira da NME realizou um concurso que afunilado, deixou cinco bandas no páreo final da competição. Dentre elas está a banda Molodoys, da qual escrevi um texto no mês passado para a seção Cena Local aqui do Fuzzverb.
Como me identifiquei com o som da banda, venho através desse post, atentar para que os leitores conheçam os demais artistas que estão concorrendo e se possível, votem no pessoal do Molodoys! A banda merece um destaque especial e este seria o momento perfeito para esta ascenção. Para votar é só acessar o link a seguir. Lembrando também que a banda Temples lançou o disco Sun Structures, debut sensacional em 2014.
Carrie & Lowell foi um dos álbuns mais bonitos que ouvi em 2015. O músico americano lançou o sétimo álbum da carreira no dia 31 de março e agora excursiona divulgando o mesmo. Nesse meio tempo, o artista liberou hoje a faixa “Exploding Whale”, que será vendida em seus shows num exclusivo vinil de sete polegadas. A canção segue a mesma calmaria linear do disco lançado este ano e pode ser ouvida no Soundcloud. A plácida melodia vocal é sussurrada enquanto o efusivo instrumental se contorce por quase seis minutos. Escute!
Currents será o título do novo álbum da banda australiana Tame Impala. Calcado na música eletrônica, o terceiro disco ainda não tem data definida de lançamento. A banda liberou hoje a capa do álbum juntamente a uma nova canção. “Cause I’m A Man” sucede o lançamento de “Let It Happen”, liberada para download gratuito no dia 10 de março. Ambas distanciam-se da sonoridade do disco anterior, Lonerism, lançado em 2012. O quinteto liderado por Kevin Parker prefere explorar chillwave e synthpop, ao invés do rock psicodélico que aclamou a banda. O resultado é bem interessante, e a ansiedade pelo novo disco é imensa, na mesma proporção!
Faltando pouco mais de um mês para o lançamento de California Nights, o Best Coast liberou mais um clipe do disco em uma première para o canal Never Hide Noise. Desta vez para a canção “Heaven Sent”, que integrará o terceiro disco do duo, que sairá no dia 5 de maio. A música é pesadinha e possui até solo de guitarra. Trajando uma coroa de flores a lá Lana Del Rey, Bethany Cosentino explora sua feminilidade de uma maneira diferente. Ela dirigiu este minimalista videoclipe ao lado de Lana Kim. O guitarrista Bobb Bruno preferiu ficar pianinho ao lado da banda de apoio no fundo do cenário. Pelo direcionamento das canções já liberadas, o novo trabalho abandonará a veia surf rock presente nos dois primeiros álbuns. Para a sorte dos fãs, o novo disco segue por um lado menos comercial, diferente do antecessor The Only Place, de 2012.