sábado, 31 de janeiro de 2015

Lista de Espera #6 - Will Bulter - Policy

Sabe aquele membro do Arcade Fire que geralmente está pulando, escalando a estrutura do palco ou fazendo qualquer outra bizarrice pra aparecer? Sim, o subestimado Will Butler, irmão de Win, queridinho líder da banda canadense. Pois então, o lunático resolveu arriscar-se em carreira solo e lancará o disco Policy no dia 16 de março. Pra completar o estardalhaço, o disco foi gravado em apenas uma semana...

Pela quantidade de membros do Arcade Fire, é comum que diversos deles possuam seus projetos paralelos. Isso às vezes pode ser prejudicial para qualquer grupo devido a problemas de ego e falta de foco. Mas visto que Win Butler e Régine Chassagne, os cabeças da banda, não se aventuram em projetos paralelos, está tudo bem. Quando um membro da banda anuncia algum trabalho, os holofotes necessários não são direcionados a eles.
Com Will a coisa funciona desta mesma forma, porém somada com a falta de estimativa. E para desvincular-se da sombra do irmão ele lançou o clipe da música “Anna” e provou que sua teatralidade no palco não é tão forçada assim. O clipe beira ao grotesco, com apenas um take gravado e com edições toscas sobrepondo a imagem do músico, que provoca risos em uma dancinha bem divertida.

A canção é pegajosa e é inevitável cantarolar “bomb bomb” ou “money money” ao assistir o clipe. A letra arbitrária quase se assemelha a comerciais lançados da década de 90. O resultado é fantástico e segue a mesma tendência dançante do disco Reflektor do Arcade Fire, lançado em 2013. O charme de “Anna” está no minimalismo da levada do baixo sintetizado, acompanhando por uma pueril bateria e por animados riffs de piano e teclado.

Policy será um prato cheio para os fãs de Arcade Fire, que assim como eu, ficaram um pouco insatisfeitos com a drástica mudança da banda após a parceria com James Murphy (LCD Soundsystem), na produção do disco Reflektor. Já dizia o ditado que "em time que está ganhando não se mexe"... Enfim, Will Butler nos presenteia com bastante expectativa para seu primeiro trabalho, que já promete ser um dos discos mais divertidos do ano.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Videoclipe da Semana #2 - Interpol - Everything Is Wrong

O clipe da semana fica com “Everything Is Wrong”, canção da banda americana Interpol, lançada no excelente álbum El Pintor, liberado no segundo semestre de 2014 e lançado quatro anos após o disco homônimo Interpol. O álbum também é o primeiro trabalho da banda sem o baixista Carlos Dengler, que deixou o grupo em 2010. O vocalista Paul Banks assumiu a composição e gravação das linhas de baixo, e felizmente, o Interpol conseguiu realizar um trabalho tão satisfatório quanto Turn On The Bright Lights, debut de 2002.

Paul Banks também dirigiu três dos quatros videoclipes lançados para promover os singles de El Pintor. Lançado no dia 22 de janeiro, “Something Is Wrong”, é fruto da parceria de Banks com o diretor e roteirista chileno Carlos Puga. O clipe é monocromático e mostra diferentes perspectivas vividas pelos membros do Interpol, a caminho de uma apresentação da banda em Nova Iorque. O clima soturno, característico do post-punk, está presente na canção e contrastou bem com as imagens do videoclipe. 

Cinema B #1 - Jimi: All Is By My Side (2013)

“O que há de errado com vocês do rock and roll? Vocês conseguem tocar para milhares de pessoas e não conseguem ser honestos com uma só!”. Linda Keith indaga isto a Jimi Hendrix, após ele confessar que a canção “Red House” teria sido escrita para ela. A modelo ainda conta que Keith Richards, ex-namorado e guitarrista dos Rolling Stones, compôs a balada “Ruby Tuesday” após o rompimento do casal, mas que no fim da noite, escuta sozinha as canções feitas para ela. Pattie Boyd conseguiu um feito similar, pois serviu de inspiração para as canções “Something” de George Harrison e “Layla”, de Eric Clapton, nos períodos em que se envolveu com os dois guitarristas.

Os dilemas de groupies e os conturbados relacionamentos amorosos de James Marshall Hendrix estão presentes no filme “Jimi: All Is By My Side”, que retrata a vida músico antes da fama, e mostra como Linda Keith batalhou para conseguir um produtor e convencê-lo de que ele precisava lutar para conseguir seu espaço na cena rock. O filme de 2013 é regido por John Ridley, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado pelo filme “12 Anos de Escravidão”. O elenco é composto pelo músico André “3000” Benjamin, Imogen Poots, Hayley Atwell e Andrew Buckley .

Além de seus relacionamentos, o filme coloca em evidência diversas questões familiares, raciais e filosóficas da trajetória do guitarrista de Seattle. O figurino e a fotografia do filme são impecáveis. Com mosaicos, cortes e planos bastante similares aos de filmes antigos, seria fácil acreditar que ele a obra foi rodada em meados das décadas de sessenta e setenta. Sem dizer que depois de algum tempo assistindo o filme, eu quase me esqueci de que não se tratava de Hendrix em pessoa, e sim da atuação de André 3000 do grupo de hip hop americano Outkast.

O ponto forte do filme está nas reconstituições de algumas famosas performances do guitarrista. Depois de muita insistência de Linda Keith, Hendrix aceitou ser produzido por Chas Chandler, baixista do The Animals, que enfrentava o hiato de sua banda e que estava disposto a agenciar novos músicos. A única exigência de Jimi era conhecer Eric Clapton assim que eles se mudassem para Londres. Quando o fato finalmente iria ocorrer Hendrix foi mais longe e pediu para tocar em uma jam com o músico, que saiu do palco contrariado ao notar a superioridade de Jimi.

Outra cena fantástica acontece em Londres no Teatro de Seville, em junho de 1967, quando o The Jimi Hendrix Experience iria se apresentar e na plateia encontravam-se diversas personalidades da época. Entre elas o produtor Brian Epstein e os Beatles George Harrison e Paul Mccartney. O “fab four” tinha lançado a apenas três dias o álbum "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band", e para a surpresa de todos, o trio de Hendrix abriu o show improvisando a faixa título do disco dos Beatles em uma calorosa performance, ensaiada no camarim instantes antes do começo do show.

Stratocaster com headstock descaracterizado e sem o logotipo da Fender
Infelizmente as canções do músico não foram liberadas para a produção do filme e as apresentações exibidas tiveram que ser oriundas de canções de autoria de outros músicos. As logomarcas da Fender, marca imortalizada nas mãos de Jimi Hendrix, também foram removidas das guitarras e amplificadores do filme, provavelmente por problemas de contrato. Pelo menos um violão Gibson aparece no filme e os paredões de amplificadores Marshall também estão lá.

Kathy Etchingham, ex-namorada de Hendrix, causou burburinho ao assistir ao filme e afirmar que as cenas em que o músico aparece agredindo a personagem encenada pela atriz Hayley Atwell, não são verídicas. Afinal, o que seria de uma boa biografia de rock and roll sem suas polêmicas causadas por supostas ficções inseridas em suas tramas? O filme é essencial para os amantes da cultura pop da década de sessenta e hendrixmaníacos, ou pelo menos para que a plateia descubra que o penteado do guitarrista foi inspirado por nada menos do que Bob Dylan!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Lista de Espera #5 - Trickfinger

John Frusciante abandonou a guitarra rock de vez. Depois do conceitual disco The Empyrean (2009), os fãs cruzavam os dedos a cada lançamento anunciado pelo ex-Chili Pepper nova-iorquino. O apelo não funcionou. Após o EP Letur-Lefr de 2012, todos os seus trabalhos liberados soaram cada vez mais experimentais e voltados para a música eletrônica. John chegou a rotular o novo estilo como “Progressive Synth Pop”.

Enquanto esteve no Red Hot Chili Peppers, Frusciante consolidou inúmeros hits e a cada disco lançado o sucesso e as multidões de fãs só cresciam ao redor do quarteto californiano. Após anunciar sua saída em 2010, incumbiu seu colaborador e amigo, Josh Klinghoffer para assumir o seu cargo na banda. Josh foi extremamente criticado e após o lançamento do medíocre disco I’m With You (2011), o guitarrista aguenta a trancos e barrancos elogios do tipo “esse solo está bem parecido com a pegada e o timbre do John”...

Eu mesmo sou apaixonado pelos discos da carreira solo de John (pré Letur-Lefr, é claro). De todos seus lançamentos recentes, PBX Funicular Intaglio Zone (2012) é o disco que considero mais amigável aos meus ouvidos. Outsides (2013) é quase inaudível. O lance é, se isso o faz feliz, o que podemos fazer? A meu ver, ele tenta provar a si mesmo que todo esse lance de rock star e guitar hero é baboseira, e pretende desvincular toda essa fama que obteve durante suas duas estadias no Chili Peppers. Miley Cyrus faz quase a mesma coisa, ao tentar desassociar Hannah Montana de sua carreira.

Se a cantora quer abandonar seu codinome do passado, John prefere adotar um novo alter ego. Trickfinger (dedos rápidos, em tradução livre) é o apelido recebido pelos seus amigos do Black Knights, grupo californiano de hip hop do qual John agora é produtor. O apelido será o título do debut e o nome de seu novo projeto, que será lançado no dia sete de abril pela Absurd Recordings, uma subdivisão do selo Acid Test.

O álbum contará com oito faixas e dentre elas, podemos conferir “After Below”. Canção instrumental que caberia perfeitamente em uma pista de dança, devido a sua facilidade de audição e pelos dançantes loops. Foi a partir de 2007, que Frusciante começou a ouvir e praticar Acid House. Após isso ele cercou-se de sintetizadores e até sua Fender Stratocaster foi substituída por uma Yamaha com humbuckers. “I had lost interest in traditional songwriting and I was excited about finding new methods for creating music.” (Eu havia perdido o interesse em compor canções tradicionais e estava fascinado sobre encontrar novos métodos para criar música).

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Lista de Espera #4 - S. Carey - Supermoon (EP)


Boas notícias para os fãs de Bon Iver! S. Carey, um dos primeiros e mais importantes membros da banda indie folk, lançará no dia 17 do mês que vem o novo EP “Supermoon”. O músico divulgou recentemente em seu site, um presskit em vídeo com belíssimas cenas de natureza e de algumas performances ao vivo. O vídeo é sonorizado por uma versão alternativa da canção “Fire-scene” que abrirá o novo EP.

Quem acompanha o Bon Iver sabe que o projeto começou apenas com Justin Vernon e para que ele pudesse interpretar as canções ao vivo, recrutou três músicos, dos quais Sean Carey, fazia parte. Além da bela voz, Carey é multi-instrumentista. A colaboração do músico de Wisconsin foi de grande importância no aclamado disco Bon Iver de 2011.

No intervalo de uma turnê do Bon Iver em 2010, Carey gravou seu primeiro álbum intitulado All We Grow. As lindas nove canções do disco apenas confirmaram o ótimo trabalho do músico. Em 2012, ele lançou o minimalista EP Hoyas. Todos lançados pelo selo Jagjaguwar e gerados de forma caseira, utilizando-se apenas de notebooks para gravação dos instrumentos.

A primeira gravação de Sean em um estúdio foi no April Base Studios, cujo proprietário é ninguém menos do que o próprio Justin Vernon. Range Of Light consolida a carreira de Carey como seu melhor trabalho. Um disco essencial para quem é fã do segundo disco de Bon Iver e gostaria de ouvir novamente as nuances de canções como “Beth/Rest” e “I Can’t Make You Love Me”.
Não é mais necessário citar Bon Iver para falarmos sobre S. Carey, que já caminha com suas próprias pernas. Gravado em agosto de 2014, seu novo EP dará continuidade às plácidas canções de Range Of Light. As seis músicas a serem lançadas são todas tocadas ao piano. Um arranjo ou outro engrandece o clima sereno das faixas. A temática de Supermoon é regada por elementos da natureza que segundo o músico, “iluminam sua música e família e o conectam com a Terra”.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Escute! #5 - Death Cab For Cutie - Black Sun

A banda norte-americana Death Cab For Cutie acaba de divulgar no Soundcloud e canal de Youtube, a nova canção “Black Sun”, que fará parte do oitavo álbum da banda, Kintsugi. O novo disco está sendo produzido por Rich Costey (que já trabalhou com nomes como Muse, Interpol e Franz Ferdinand) e será lançado no dia 30 de março.

Infelizmente a banda sofreu o desfalque do guitarrista e tecladista Chris Walla, que deixou a banda em 2014, após 17 anos de estrada como Death Cab For Cutie. Para as performances ao vivo a banda será composta por Dave Depper (guitarras e teclado) e Zac Era (teclado). O novo disco é desafiador, pois será o primeiro trabalho produzido por alguém externo à banda.

Walla produziu todos os discos da banda. Acertou a mão na maioria, mas Codes And Keys, lançado em 2011, pode ter sido o mote de sua saída. O disco distanciou-se totalmente da sonoridade “clássica” pela qual o DCFC se tornou famoso e, para não dizer coisa pior, foi um fiasco para os fãs, e nem tanto para os críticos, que viram o disco como uma forma de amadurecimento.

“Black Sun” é uma canção distinta, quase morna. Não se assemelha tanto com o material de Codes And Keys e lembra vagamente algumas canções do passado. É duro dizer, mas as guitarras e teclas de Chris Walla farão falta. A canção é mediana e dificilmente se tornará um hit. De toda forma, já está mais bem encaminhada do que as músicas presentes no disco anterior.

Escute! #4 - Björk - Vulnicura

Não sei descrever o som da Björk. Consigo entender a visível influência do post-rock, noise e shoegaze no som de seus conterrâneos do Sigur Rós, por sinal uma de minhas bandas favoritas. Levo numa boa as canções pueris e oníricas dos também islandeses da pequena “orquestra” Múm. Já com a Björk é outra história. Se David Bowie é o camaleão do rock em seus visuais, a cantora islandesa seria a camaleoa devido suas inconstantes facetas musicais.

Se eu citasse apenas essas duas bandas, a Islândia por si só, já seria um prato cheio em excentricidades. Porém, Björk consegue extravasar e muito, todos os padrões musicais e visuais conhecidos por nós, meros mortais. Em atividade desde 1977, quando lançou seu primeiro disco com apenas 11 anos de idade, a cantora apresenta seu nono trabalho, produzido em parceria do venezuelano Arca (Kanye West) e do britânico The Haxan Cloak (The Body).

Na semana passada, ficou explicito na mídia que o novo disco de Björk teve de ser antecipado devido ao seu emancipado vazamento. O disco que estava previsto para o mês de março foi liberado as pressas no dia 20 de janeiro. Outra situação levada a público é que a temática do disco diz respeito a sua recente separação com o artista Matthew Barney. Logo, Vulnicura foi concebido por Björk da maneira mais conturbada possível.

Como eu já disse no começo, não sou a pessoa certa para descrever o som da Björk. Confesso que fiquei meio decepcionado quando ouvi Vulnicura pela primeira vez. O som passou quase despercebido por mim. Parecia apenas que ela estava fazendo o som de sempre, só que dessa vez a ênfase instrumental ficou praticamente toda para os arranjos de cordas. Minha expectativa era de algo mais energizante, algo semelhante ao que ouvi em seu disco anterior, Biophilia, de 2011. Não que seja um disco ruim, pelo contrário, é um ótimo trabalho. Porém, muito melancólico.

O disco possui bons momentos em “History of Touches”, triste canção de despedida onde a cantora é acompanhada apenas por um sintetizador suave e que em certos momentos parece estar com algum defeito. "This is our last time together / Therefore sensing all the moments" (Está é a nossa última vez juntos / Portanto sentindo todos os momentos), desabafa Björk, visivelmente abalada pela separação.

Em “Black Lake”, Björk não abre mão de demonstrar toda a sensibilidade e insegurança provocada pelo término. Dez minutos de constantes mudanças sonoras, onde os arranjos de cordas contracenam com os seus famosos samples de batidas, por sinal, menos evidentes em Vulnicura, que carrega mais melancolia do que os seus demais discos. Björk tira proveito das sensações obtidas com a separação para aflorar um lado aflitivo nunca explorado antes.

A faixa “Atom Dance” conta com os vocais do inglês Antony Hegart que já havia feito colaborações no disco Volta (2007) nas canções “The Dull Flame” of “Desire e My Juvenille”. O pizzicato do arranjo de cordas dá um ar brincalhão à canção, que quase se destoa da melancolia presente em todo o trabalho. A dupla canta: “You are my same hemisphere, hemisphere / The atoms are dancing, dancing / Atoms are laughing at last” (Você é meu mesmo hemisfério, hemisfério / Os átomos estão dançando, dançando / Átomos estão rindo finalmente).

O restante das canções soa de forma bastante despretensiosa. A expectativa por uma canção poderosa como “Army Of Me” vai por água abaixo após os quase sessenta minutos de disco. Vai ver eu não estava no clima, nas ocasiões em que ouvi o disco. Certos álbuns parecem tediosos antes das primeiras dez audições. Depois soam como obras-primas e não hesitamos em pensar “Como não percebi esta canção antes?” ou algo do tipo. Espero que eu possa pensar assim em breve... De toda forma, Vulnicura é um bom disco e um ótimo presente para quem aguardou longos quatros anos sem nenhuma material inédito de Björk.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Lista de Espera #3 - Froth - Bleak

Reverberações nas vozes e nas guitarras, linhas de baixos deslizantes e melodiosas e uma bateria surrada, repleta de viradas, pratos de ataque e condução. Nada muito fora do padrão das bandas de garagem atuais. Aliás, este estilo está em grande ascensão desde meados de 2011. A banda Froth faz parte dessa leva e lançará em breve o novo disco Bleak.

O segundo disco da banda californiana, como esperado pelo local de origem, trata-se de um surf rock com pitadas de garage e rock psicodélico. A banda divulgará o novo álbum pela Europa, onde já possuem datas marcadas em fevereiro e até o fim do mês de março.

O quinteto é composto por JooJoo Ashworth (guitarra e voz), Jeff Fribourgh (omnichord e guitarra), Cole Devine (guitarra), Jeremy Katz (baixo) e pelo baterista Cameron Allen. A banda oriunda de El Segundo, Los Angeles, começou como uma brincadeira pelos amigos Ashworth e Fribourgh. A brincadeira é tanta que até o nome da banda faz referência a um termo sexual canadense.

O convite de um dono de gravadora que pretendia prensar e lançar vinis em El Segundo foi o pontapé inicial para que os rapazes decidissem reverter o tempo que gastavam se divertindo tocando, em um trabalho sério. O primeiro disco a ser lançado pela banda foi Patterns, em 2013.

A canção On My Chest, presente no disco Bleak, pode ser ouvida no vídeo Eight & Sand lançado pela Nike SB no dia 18 de dezembro de 2014. Além disso, se tem algum estilo melhor pra preencher a trilha sonora de vídeos de skate do que hip hop e punk rock, este estilo é o rock de garagem... A canção pode ser ouvida a partir de 4:49:



Além de On My Chest, o álbum apresenta a canção Turn It Off, também bastante agitada e perfeita para sessions de surf e skate. Afternoon, primeira faixa do disco, é a canção mais densa. Toda energia do disco pode ser captada logo no começo, com certeza a melhor escolha para o início do trabalho.

O disco segue com interessantes baladas como Nothing Baby e a acústica Sleep Alone. A faixa instrumental Sky é o ponto alto do disco. A dupla de guitarristas explora microfonias e camadas de repetições com pedais de delay, praticamente no talo. A canção é curtinha, porém muito bem explorada pela linha de baixo marcante e pela eufórica bateria.

Bleak não foi escolhida para dar nome ao disco atoa. A atmosfera espacial da música recria ecos do post-rock do fim dos anos 70. O único problema de todo o disco é que as canções são tão curtinhas que o disco logo se encerra. Depois da primeira audição você se sente praticamente forçado a dar replay e ouvir novamente os quase 32 minutos de Bleak. Altamente recomendado para skatistas e surfistas que buscam um som meio lo-fi/chill out!

Escute e compre o disco Patterns e mais dois singles da banda Froth na página do BandCamp:
http://froth.bandcamp.com/

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Lista de Espera # 2 - Summer Moon

Lewis, Erika, Tenessee e Nikolai
Cerca de três horas atrás, a página oficial da banda TheStrokes divulgou três links que direcionam para o site oficial, Twitter e Instagram da banda Summer Moon, novo projeto do baixista Nikolai Fraiture. Além de Niko, o quarteto é composto pela baterista Tenessee Thomas (The Like), Erika Spring (Au Revoir Simone) e pelo guitarrista Lewis Lazar. Para a tristeza geral da nação: a banda ainda não possui nenhuma música lançada!

Conhecido pela sua introvertida presença de palco e linhas marcantes de baixo beliscadas por palheta, Nikolai Fraiture já havia lançado um projeto solo em 2009. Sua banda folk Nickel Eye (sim, o nome da banda é uma cacofonia referente a Nikolai) lançou o melancólico disco The Time For Assassins, obra que eu costumo descrever como seria se o Neil Young tivesse tocado no The Strokes.

A boa notícia é que teremos mais um projeto paralelo com um dos membros do The Strokes. Não que o estranho o disco a lá Frank Zappa lançado por Julian Casablancas e o The Voidz tenham me agradado... Mas Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti lançaram ótimos discos no eterno período em que estiveram de “férias” do saudoso quinteto nova-iorquino.

A ansiedade pelo som da banda Summer Moon é imensa. Pelo nome já consigo imaginar alguma canção a lá The Strokes numa vibe praiana no melhor estilo Little Joy. Infelizmente o site lançado pela banda só possui uma interessante foto giratória dos membros da banda, feita pelo fotógrafo britânico Alex John Beck, e uma agenda de shows com apenas uma apresentação marcada para o dia 28 de fevereiro.

E para quem se empolgou com as datas de shows recém-marcadas pelo The Strokes para 2015, a má notícia é que sempre que um rumor de uma possível reunião surge, um dos membros aparece com um projeto paralelo. Da última vez, quando Julian gravou seu primeiro disco solo, isto custou um atraso de quase dois anos até que o The Strokes lançasse o quarto disco Angles. Enfim... que venha o Summer Moon!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Escute! #3 - The Dodos - Individ

Conheci The Dodos em 2008, quando eles lançaram o disco Visiter. Na época, bandas indie folk estavam ganhando cada vez mais evidência e eu poderia jurar que The Dodos era um quarteto, quinteto ou algo do tipo. Meu hábito de assistir shows de bandas no Youtube só foi crescer três anos atrás. Foi nesse momento que descobri que não se tratava de uma banda e sim de um duo!

Mais focados no Indie Rock “tradicional”, Meric Long e Logan Kroeber deixaram um pouco de lado a influência folk em seu novo disco Individ. A guitarra elétrica está mais evidente neste álbum, e por sinal, bastante distorcida. As camadas sonoras e fantástica bateria que sempre me confundiram a cerca da quantidade de músicos na banda também estão presentes no novo trabalho da dupla, produzido por Jay e Ian Pellicci.

O disco apresenta nove faixas e o singles Competition e Goodbyes and Endings foram lançados em novembro e dezembro do ano passado, divulgando o que viria no sucessor do álbum Carrier, de 2013. As canções carregam uma forte melancolia e algumas das faixas possuem um tipo de progressão que vai de calmaria a fúria. The Tide, minha canção favorita, é uma exceção, a faixa é a mais animada do disco e carrega ecos do surf music sessentista.

Brigid Dawson, ex-vocalista da banda Thee Oh Sees dá o ar da graça na barulhenta faixa que encerra o disco. Seus backing vocals podem ser ouvidos em Pattern/Shadow, faixa que carrega uma reverberação e sujeira característica do noise rock, possivelmente influenciada pela moça que frequentemente toca com Meric Long. O disco é encerrado muito bem com o pegajoso refrão desta bela canção.

O álbum sairá nos formatos de CD, LP, casssete e MP3 daqui a cinco dias. A pré-venda já pode ser realizada no site da Polyvinyl Records no link a seguir: https://www.polyvinylrecords.com/#product/individ

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Escute! #2 - The Vaccines - Handsome


Outra banda que lançou um clipe interessante e um tanto inusitado esta semana, foram os ingleses do The Vaccines. Prestes a lançar seu terceiro álbum, ainda sem data determinada, a banda apresentou anteontem o single Handsome. Uma canção divertida conduzida por um baixo distorcido, palmas percussivas e as guitarrinhas agudas que sempre remetem ao som do The Strokes.


A aventura do clipe começa quando o vocalista Justin Young se envolve em uma briga de bar e toma uma lição de um estranho homem-lagarto. De imediato, o The Vaccines encontra um mestre meio escamoso e eles iniciam um estranho treinamento com flexões em cima de ovos, levantamento de baldes e equilíbrios de tigela na cabeça e ombros. No fim do vídeo, a vingança surge quando eles enfrentam a gangue do homem-lagarto em um beco.

A cafonice do clipe combina com o clima alegre da nova canção, que mantém a formula indie rock 00’s dos dois discos anteriores. A música fará parte do novo disco English Graffiti e se difere bastante do primeiro single lançado em 2003, Melody Calling. Na canção, a banda mostra um som totalmente diferente de tudo feito anteriormente pela banda, e analisando as duas músicas, deduz-se que o novo álbum tomará um caminho diferente ao dos anteriores.

Videoclipe da Semana #1 - Coyotes - Modest Mouse

Nunca ouvi um disco inteiro do Modest Mouse. O primeiro contato que tive com a banda foi com a aparição deles no saudoso seriado “The O.C.”. Meu interesse pelo som deles não ficou tão despertado, preferi Death Cab For Cutie e The Killers, que também participaram da série. Para inaugurar a seção ”Videoclipe da Semana” escolhi esse interessante clipe lançado numa première para o site “Consequence Of Sound”, anteontem.

A canção por sinal é linda! Coyotes mostra a trajetória de um coiote que entra em um metrô vazio e segue em direção ao centro da cidade, num local cheio de monumentos de animais silvestres. A história do vídeo foi baseada no incidente ocorrido em 2002 na linha vermelha de um metrô de Portland MAX, quando um coiote entrou a bordo de um trem em direção ao aeroporto de Portland.

Esta é a segunda canção divulgada do novo disco Strangers To Ourselves, que será lançado no dia 3 de março, oito anos após o lançamento do último álbum da banda, que por sinal não ouvi... Não sou a pessoa ideal para dissertar sobre o lançamento, por isso preferi deixar esse divertido vídeo na seção de “Videoclipe da Semana”, ao invés de adicionar o álbum na “Lista de Espera”.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Lista de Espera #1 - Shadows In The Night - Bob Dylan

Robbie Zimmerman conseguiu provocar arrepios na espinha com Stay With Me, canção de Jerome Moross e Carolyn Leigh. Muitos podem discordar de mim, mas essa baladinha lançada hoje, quase me faz lembrar de alguma canção do maravilhoso Blood On The Tracks de 1975. Eu ainda pude imaginar Daniel Lanois bislicando seu lapsteel nesta bela canção. Espero que o músico participe do novo disco de Bob...

Shadows In The Night sairá daqui a menos de duas semanas, no dia 3 de fevereiro. O álbum não trará nenhuma canção inédita, apenas versões. Deduzo que a vontade de gravar versões surgiu quando Dylan participou do projeto Experiment Ensam, onde fez um pequeno show para apenas um fã. Na apresentação ele interpretou Buddy Holly, Fats Domino, Chuck Willis e improvisou em uma pequena jam com sua refinada banda.

Felizmente, o disco Shadows In The Night foi o escolhido para inaugurar a nova seção "Lista de Espera" aqui do blog Fuzzverb! A seção trará sempre novas canções e informações sobre álbuns aguardados a serem lançados recentemente.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Escute! #1 - Any Emotions 7" - Mini Mansions

Desde 2013, o Mini Mansions vem apresentando singles que farão parte do seu novo álbum The Great Pretenders, a ser lançado ainda em 2015. Any Emotions trás duas faixas, com a sublime participação de Brian Wilson, lenda vida do Beach Boys, que colabora na efusiva faixa título do single, que não disfarça a levada pop oitentista presente nas novas canções lançadas pelo grupo.

O trio está em atividade desde 2009 e ganhou popularidade por contar com Michael Shuman, baixista do Queens Of The Stone Age, em sua formação. Não que isso desmereça o talento da ótima banda, que evidencia suas raízes no rock psicodélico e na explosão britânica dos anos sessenta. Brian Wilson caiu como uma luva na participação feita neste novo trabalho da banda, familiarizada com o britpop sessentista.

Geronimo, a segunda faixa do single, não é inédita. A canção já apareceu antes com mais outras duas em um EP intitulado The Great Pretenders em 2013. Diferentemente de Any Emotions, a canção se aproxima mais da pegada do álbum Mini Mansions lançado pelo trio em 2010. Que venha o novo álbum, já estou no aguardo desde 2013. E só pra constar, prefiro mais Mini Mansions do que QOTSA!