segunda-feira, 8 de junho de 2015
Escute! #31 - J Mascis & Kim Gordon - Slow Down
sábado, 6 de junho de 2015
Cinema B #2 - Cobain: Montage Of The Heck (2015)
O documentarista Brett Morgen não poderia ter sido menos sortudo ao rodar Montage Of The Heck. A biografia autorizada de Kurt Cobain é uma produção muito bem elaborada que conta com diversos materiais inéditos da vida do ex-líder da banda Nirvana. Não se trata apenas de canções inéditas, das quais periodicamente nos deparamos a cada lapso de grana de Courtney Love, ex-esposa junkie do músico e detentora de alguns direitos autorais. O grande ápice do documentário está nas gravações caseiras, tanto da infância, quando da juventude e vida adulta de Cobain.
Vídeos de aniversários e outros registros infantis e familiares; gravações de canções e relatos feitos por Kurt em um gravador de fita; cadernos de composições e controle de rendas. Tudo isto foi desenterrado e organizado para a produção do sofisticado documentário. Para ilustrar o material, a produção contratou o ilustrador nova-iorquino Stefan Nadelman e o estúdio holandês Hisko Hulsing. O resultado seria em um tudo estonteante, não fosse a aura depressiva na qual as animações são imersas ao longo do filme.
Um grande diferencial do trabalho está no fato de que os próprios pais de Kurt Cobain aceitaram serem entrevistados e dissecaram a conturbada infância do músico. O documentário faz questão de se posicionar contra os mesmos, e aponta o divórcio do casal como mote no desencadeamento da rebeldia de Kurt. A separação teria servido para o jovem entrasse nas drogas e saltasse de casa em casa dos seus familiares, até se sustentar em subempregos e por fim, ser mantido por sua ex-namorada, Tracey Marander, que também participou do filme.
A película também tenta dar luz a um lado extremamente carinhoso de Kurt, ao ressaltar que em seus relacionamentos amorosos, o músico buscava reconstruir a família que perdeu em sua infância. A meu ver, o documentário transmite uma falsa sensação, visto que Kurt não levou em consideração sua família ao dar cabo de sua própria vida, o que custou o fato de sua filha Frances Bean, não o ter conhecido. Falando nisso, a própria filha de Kurt foi uma a das pessoas a custear a produção do documentário...
Montage Of The Heck deixa de lado muitos aspectos interessantes como o processo de composição de músicas, o trabalho de Kurt nas gravações em estúdio e suas preferências musicais. Dave Grohl, grande entusiasta deste aspecto, sequer foi entrevistado para o documentário. Suas aparições resumem-se em pífias entrevistas onde aparece ao lado de Kurt e Krist Novoselic, dizendo parvoíces. O lado artístico de Cobain foi usado apenas na tentativa de reconstrução da personalidade do músico durante os 145 minutos de filme.
Os fãs de Kurt Cobain ganharam de presente raras execuções de algumas músicas e uma bela interpretação caseira da música “And I Love Her” dos Beatles. A canção foi usada para ilustrar cenas amorosas onde Kurt aparece na maioria das vezes drogado, ao lado de Courtney, também sob o uso de drogas. Quanto a seleção da trilha sonora, não a do que reclamar. A escolha das faixas do Nirvana caiu como uma luva em certos contextos do documentário. É quase como se o próprio Cobain estivesse as escolhido para a produção da película.
Outro aspecto legal do documentário foi a utilização da releitura de algumas canções clássicas do Nirvana na trilha sonora. Por exemplo, a forma como o compositor Jeff Danna infantilizou a canção “All Apologies” em um diferente arranjo utilizando um glockenspiel. A versão de ‘Smells Like Teen Spirit’ executada pelo coral feminino Scala and Kolacny Brothers, também brilhou ao acompanhar imagens inéditas da produção do clipe da canção original em slow motion.
A clássica apresentação do Nirvana no festival Hollywood Rock ocorrida em novembro de 1992 em São Paulo não poderia passar despercebida. Claro que as imagens escolhidas foram as polêmicas cenas onde Kurt cospe em uma das câmeras da Globo e mostra sua genitália para outra. Para não aumentar o denso clima do documentário, a parte onde Cobain abandona o palco engatinhando não foi incluída. Este era apenas o começo do fim para Kurt, e mais uma vez, o filme não poupou esforços para encabeçar um discurso negativo contra Courtney Love, que para piorar, comete vários deslizes durante a entrevista concedida ao documentarista.
Se por um lado, Montage Of The Heck acerta a mão pelo aspecto de ter sido tão bem produzido, peca por ser um pouco tendencioso. Para reforçar esta afirmação, em uma entrevista concedida recentemente, Buzz Osborne, líder do Melvins e amigo de infância de Kurt, afirmou que 90% do que é visto em Montage of The Heck é mentira. O músico criticou a inconsistência do trabalho e afirmou que muitos dos relatos de Kurt durante o filme, não passavam de zombarias. Um dos falsos relatos citados por Buzz no documentário foi quando Kurt afirmou ter tentado transar com uma garota gorda e retardada.
Ademais, Montage Of The Heck surge num momento oportuno. 21 anos após a morte de Kurt Cobain, nada mais justo aos fãs sedentos por novidades, do que eles contemplarem tanto material inédito. Durante o filme, fotos inéditas de alguns dos ensaios mais famosos da banda são reveladas. Além de alguns trabalhos artísticos pintados e desenhados por Kurt, o que em certos momentos, torna a sequência em algo um tanto quanto desalentador. Montage Of The Heck é um ótimo documentário para ser assistido com ceticismo e exige certo background da vida de Kurt e companhia. Quem não conhece o Nirvana, pode não entender certas coisas...
terça-feira, 2 de junho de 2015
Lista de Espera #13 - Yo La Tengo - Stuff Like That There
No dia 28 de agosto deste ano, os veteranos da banda norte-americana Yo La Tengo, lançarão pelo selo Matador Records, o décimo quarto disco intitulado Stuff Like That There. A banda completará trinta anos este ano e o trabalho contará com covers e interpretações, além de canções inéditas. Para antecipar o material e instigar os fãs a comprarem a pré-venda, o trio liberou hoje no Youtube, as canções "Automatic Doom" e uma releitura de "Deeper into Movies" do disco I Can Hear the Heart Beating as One, de 1997.
Em "Aumotatic Doom", a sonoridade indie/alt rock noventista já esperada esta mantida na faixa de pouco menos de três minutos. O característico duo vocal de Kaplan e Hubley é acompanhado de uma relaxante levada marcada por uma reverberante guitarra solo e um ritmo de bateria tão melodioso quanto a bossa nova. Já em "Deeper into Movies", o trio dá uma desacelerada, tanto em ritmo, quanto em ruídos. A barulhenta faixa adquire novas texturas, como uma deslizante guitarra repleta de ecos. A explosiva bateria é deixada de lado e as linhas vocais ganham mais evidencia.
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