O extenso clipe de “Human Sadness” é registrado por
vários mosaicos e surreais emaranhados de cenas desconexas, relacionadas ou não
ao ponto de vista de cada personagem, ou membro da banda. A atmosfera
retrograda do curta é constantemente bombardeada pela estranheza de se
intercalar tão bem com takes alheios, que ao longo da narrativa vão ganhando
significado. A melodia simplória da música resgata ecos de canções que sempre
soaram dissonantes nos discos do The Strokes, como “Ask Me Anything” e “Call It
Fake Call It Karma”. Esta mesma longa melodia (quase 11 minutos), não parece
tão torturante quando sincronizada com tais imagens. A exuberância técnica do
videoclipe é de assustar, assim como a tentativa de transmitir uma mensagem de
conscientização sobre o mal que o ser humano causou a si próprio e ao mundo.
sábado, 30 de maio de 2015
Videoclipe da Semana #15 - Julian Casablanca+ The Voidz – Human Sadness
Não me surpreendi com o disco Tiranny lançado no ano passado pelo novo projeto de Julian Casablancas. O músico contratou alguns músicos e reciclou outros que já excursionam com ele em sua
carreira solo. O resultado disto foi um longo disco de 12 canções futurísticas,
com certa dose de hiperbolismo e a veemente necessidade de inovar. Julian Casablancas+ The Voidz
pode até soar como uma versão fliperama ou turbinada do Frank Zappa, mas é
inegável dizer que o clipe da música “Human Sadness” lançada há três dias atrás não
seja, no mínimo, sensacional. O lindo trabalho foi dirigido por Warren Fu, responsável
pela produção do espacial vídeo da versão alternativa de “You Only Live Once” e
do sem gracinha, “Under Cover of Darkness” da banda The Strokes, também
liderada pelo nova-iorquino Julian Casablancas.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Videoclipe da Semana #14 - Tame Impala - Cause I'm A Man
Com um conceito de animação 3D nunca visto antes, o Tame Impala liberou hoje o curioso videoclipe para a música “Cause I’m A Man”. Prestes a lançar o terceiro álbum Currents, que sairá dia 18 de julho, o projeto do australiano Kevin Parker dá preferência por uma sonoridade dream pop e mescla a música eletrônica ao rock psicodélico que os consolidou. No clipe, um homem invisível trajando um terno preto, trafega por diversos planos surreais em busca de uma mulher invisível de vestido listrado.
domingo, 17 de maio de 2015
Escute! #30 - Surfer Blood - 1000 Palms
Após a triste notícia da saída do guitarrista Thomas
Fakete, devido a um raro câncer de sarcoma diagnosticado na espinha e nos rins
do músico, os fãs do Surfer Blood podem relaxar um pouco e curtir o lançamento
do terceiro disco 1000 Palms. A banda americana de Palm Beach liberou o novo
disco no último dia 12 de maio e ao contrário dos trabalhos anteriores, o
material foi totalmente produzido e concebido de forma independente.
O trabalho possui onze faixas que foram gravadas na casa
dos pais do baterista Tyler Schwarz. Viva o DIY! Apesar dos esforços e das
tentativas de se desprenderem dos prazos e condições dos selos, o disco que
deveria ser ótimo, é prejudicado pelo estranhamento da banda a esta nova
transição. As canções são todas bem lapidadas, mas nenhuma possui riffs ou
melodias matadoras como as dos discos anteriores. Pelo menos se comparados ao
ótimo debut Astro Coast.
1000 Palms começa com a efervescente “Grand Inquisitor”.
A faixa possui três níveis distintos: a calmaria dos ecos iniciais, o explosivo
instrumental acompanhado de uma lenhadora bateria e o requebrante coro do fim
da faixa. “Island” carrega um pouco da essência das canções do disco anterior,
onde a pegada oitentista ganha força com um poderoso riff de guitarra fuzz. “I
Can’t Explain” provoca lampejos de paz com belas vocalizações e escorradias
guitarras carregadas de distorção e eco.
O disco ganha cores com as divertidas canções “Feast/Farmine”, “Sabre-Tooth And Bone” e “Covered Wagons”, onde a festividade é inteiramente conduzida por riffs psicodélicos oriundos das seis cordas. Para quebrar o gelo de tanta felicidade, “Point Of No Return” apresenta um fervoroso instrumental e carrega um denso lirismo de conformismo e desilusão amorosa, percebido em frases como “I’m happy for you / If you’re happy too” (Estou feliz por você / Se você estiver feliz também).
As quatro canções que me conquistaram aparecem em ordem
no disco. “Dorian” acertou a mão em diversas fases e transições que passeiam
entre belos riffs espaciais e ótimas vocalizações. Em “Into Catacombs” a dupla
de guitarras entrelaça um divertido arranjo barroco. A banda não apresentou
nenhuma dificuldade em mesclar a sonoridade alt-rock 80/90 com esta excêntrica influência
medieval.
A densidade dos vocais em “Other Desert Cities“ é essencial para dar vida ao belo
arranjo construído pela cozinha de instrumentos da banda. O grande diferencial
do Surfer Blood é esta fluidez elucidadas pelas melodias das guitarras. Assim como no restante
do disco, a bateria de Schwarz também se mostra afiada e a evolução do músico
foi um passo bastante significativo para a banda. 1000 Palms é daquele tipo de disco que melhora a cada nova audição!
Quando ouvi Astro Coast (2010) pela primeira vez apaixonei-me de
imediato pelo trabalho. Não tive a mesma sensação ao ouvir Phytons (2013) e até hoje
não morro de amores pelo disco. Ao ouvir “NW Passage” em um lapso de tempo eu
pude relembrar a sensação que tive ao conhecer o som da banda. Não sei se a
música teria o mesmo efeito em mim se não fosse acústica, mas sem dúvida possui
uma devastadora e grudenta melodia!
Se fosse possível fazer um paralelo entre 1000 Palms e os
dois discos anteriores, ele seria menos “ensolarado” do que Astro Coast”, apresentaria
a antonímia da fúria de Pythons e definitivamente estaria entre algo espacial e
estável. A química das faixas é o ponto mais forte do disco. 1000 Palms peca
por ser despretensioso em sua sonoridade e acerta por ter sido concebido em um
período essencial de auto conhecimento e amadurecimento da banda. Escute!
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Videoclipe da Semana #13 - RadioVulgaris - Burn The Witch
O videoclipe desta semana será um pouco diferente do usual. RadioVulgaris é um projeto paralelo do Cassino Queen, banda mineira que já figurou aqui na seção Cena Local do Fuzzverb no mês de março. O duo liberou hoje está versão de “Burn The Witch” da banda norte-americana de stoner rock, Queens Of The Stone Age. O formato é estupidamente simples e soa de forma matadora. Mari Tavares canta e ataca a condução e caixa clara da bateria, Boris completa a percussão com o bumbo e preenche a música com um violão plugado a um pedal Digitech Whammy. Vídeo e áudio foram registrados pelas iniciativas nos quais a dupla trabalha. Respectivamente: Stone Studio e Bronx Photography. Um achado!
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Escute! #30 - Tame Impala - Eventually
Com data de lançamento para o dia 17 de julho, Currents, o novo disco do Tame Impala possuirá treze faixas. Três faixas do álbum já haviam sido liberadas e ontem a banda divulgou mais uma canção. “Eventually” reafirma a nova perspectiva sonora na qual o grupo do australiano Kevin Parker está imersa. As guitarras psicodélicas repletas e ecos e modulações foram gradativamente substituídas por teclados espaciais e contagiantes. A fórmula dançante já havia sido apresentada em faixas como “Be Above It” e “Feels Like We Only Go Backwards” e agora será o principal viés do disco Currents. Escute!
A seguir, o playlist de Currents:
01 - Let It Happen
02 - Nangs
03 - The Moment
04 - Yes I'm Changing
05 - Eventually
06 - Gossip
07 - The Less I Know The Better
08 - Past Life
09 - Disciples
10 - Cause I'm A Man
11 - Reality in Motion
12 - Love/Paranoia
13 - New Person, Same Old Mistakes
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