O Fleet Foxes sumiu do mapa. O último gostinho que sentimos da banda foi com a pequena ponta dos músicos no curta Festi, divulgado no ano passado pelo Arcade Fire. Infelizmente, o vídeo é de 2011, época que os cantores barbados ainda estavam em atividade. Para quem não se contenta com a saudade, Josh Tilmann, ex-baterista da banda e também ex-namorado de Aja Pecknold, irmã de Robin Pecknold e produtora do Fleet Foxes, acaba de lançar o segundo disco de sua banda Father John Misty.
O projeto difere bastante das raposas, mas carrega um pouco da reverberação e calmaria da gigante banda indie folk. Tilmann possui uma longa trajetória de discos solo. Meu favorito, Cancer And Delirium, foi produzido por Kory Kruckenberg, excelente produtor, vencedor do Grammy de Melhor Engenharia de Som em 2011 e membro da divertida banda Pickwick. Cancer And Delirium foi gravado em um gravador de 4 canais no apartamento de Tillman e posteriormente foram adicionados overdubs no estúdio de Kory. É possível ouvir ruídos, sons de carros, ambulâncias e tudo mais. O álbum é muito autêntico, cru e possui letras simples e profundas.
A surpresa da reinvenção de Tilmann como Father John Misty veio em 2012, após sete álbuns solo, quando o músico lançou o debut Fear Fun, mixado por Phil Ek, que também produziu os dois discos do Fleet Foxes e também conhecido por trabalhar com bandas como Built To Spill, Modest Mouse, Band Of Horses, etc. O disco é maravilhoso do começo ao fim. O trabalho distanciou-se muito dos Foxes e de seu trabalho solo autoral, quando ainda assinava como J. Tillman. Logo após seu primeiro disco como Father John Misty, Tilmann fez a trilha sonora do filme The History of Caves, dirigido por sua esposa Emma Elizabeth Tilmann.
I Love You Honeybear, novo álbum Father John Misty, nos presenteia com ótimas canções e é praticamente uma declaração de amor para Emma. O disco está imerso de intimidades do músico e do casal, que não se acanha ao descrê-las através do lirismo e da melodia. A faixa-título que abre o disco, possivelmente a melhor canção do material, é um exemplo explicito que Tillman possivelmente morreria de amor por Emma. A balada é repleta de inseguranças que permeiam desdes os lençóis e até a vizinhança do casal.
"Chateau Lobby #4 (in C for Two Virgins)" se assemelha a alguma canção do Fleet Foxes, porém com uma levada suingada e com um incrível arranjo de sopros. Pra variar a música começa com Tillman comparando Emma a uma rainha... O mais legal do álbum é a forma visceral do músico em não disfarçar o amor que sente por sua esposa. A música ganhou clipe e foi o primeiro single divulgado, apesar de Tillman já ter apresentado algumas canções do disco anteriormente.
"Bored In The USA", é a faixa mais profunda do trabalho. Tillman, ao piano, declama de forma melancólica: “How many people rise and say / My brain’s so awfully glad to be here for yet another mindless day” (Quantas pessoas levantam e dizem / Meu cérebro está tão contente de estar aqui para outro dia sem sentido). A canção é de um pessimismo tão grande que a paixão declamada a sua esposa no restante do disco é quase posto em dúvida. Será que demasiado amor entediou o músico americano?
Tilmann produziu I Love You Honeybear com a ajuda de Jonathan Wilson, músico folk da Carolina do Norte. Partindo do folk tradicional e às vezes, passando por uma pegada similar ao dub step, Tilmann inova ao não ter medo de experimentar e expor seus pensamentos, ora contraditórios, ora extremamente românticos. Para mim, os 45 minutos do disco já estreiam como um dos possíveis melhores trabalhos folk de 2015.

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