O ciclo de bandas inglesas no auge sempre se renova. Em 2013, o quarteto Peace deu as caras com o álbum In Love. Um disco de indie rock um tanto despretensioso, com destaque para o hit “Wraight”. O álbum foi produzido por Jim Abbiss, conhecido por trabalhar em premiados discos como Whatever The People Say I Am, That’s What I’m Not do Arctic Monkeys e 21 da Adele. Ao contrário dos macacos, a banda Peace decidiu continuar trabalhando com Jim e lançou o segundo álbum Happy People no dia 9 de fevereiro.
O disco novo é sensacional e faz o antecessor parecer deveras
parado. As canções estão fantásticas e extremamente bem fluídas. O entrosamento somado a visível maturidade do grupo, é o fator
essencial para a consistência do trabalho, que também se mostra extremamente
melhor lapidado em sua produção. É possível ouvir as efusivas dez canções
diversas vezes e ainda querer mais (prece atendida para quem adquirir a versão
de luxo com oito músicas a mais!).
“O You”, faixa que abre o disco, imediatamente provoca uma
reação de espanto, pois a canção é muito boa e bastante superior a todas
lançadas pela banda anteriormente. A tentativa de mudar o mundo, como sugere a
letra da música, não ocorre. Mas de fato, o que temos é uma banda aprimorada, é
também a melhor canção do disco, logo de cara. As simplórias guitarras lo-fi
totalmente estridentes casam perfeitamente com o arranjo de cordas, que coloca
a banda no patamar de gigantes do indie rock como Arcade Fire e The National.
A ditadura da beleza é a temática da canção “Perfect Skin”,
onde Samuel Koisser entona com charme uma virtuosa linha de baixo. O
instrumental da faixa e do disco inteiro está perfeito. Douglas Castle não
economizou nos ecos e nas oitavas em sua guitarra, muito bem acompanhadas pela
base e voz de Harrison Koisser. Dominic Boyce também está impecável nas
baquetas. “Perfect Skin” é um ponto alto do disco, provando que a banda não
apresenta somente temas triviais como podemos julgar pelo nome da banda e do
disco.
Quem gosta de baladas sobre corações partidos, onde o violão
é acompanhado por uma melancólica linha de guitarra, ficará satisfeito com a
bela canção “Someday”. A sonoridade da música é comparável a alguma baladinha
britpop de Noel Gallagher ou a canção “Pilediver Waltz” da carreira solo de
Alex Turner. Impossível não cantarolar “It’s a lonely, lonely, lonely, lonely
life” ou “I hope someday you found someone to love”. Castle acertou a mão no
solo da música!
E se o disco é versátil a ponto de apresentar canções garageiras de indie rock e baladinhas pop, por que não algo mais glamoroso e dançante? “Money” é puro groove! Uma dupla sincronizada de guitarras oitavadas e uma poderosa linha de baixo da vida ao riff da música. Harry Koisser esbanja sensualidade no vocal que em certos momentos evoca Mick Jagger! A percussiva bateria garantiria que a canção seria um hit nas pistas de dança em meados da década de setenta.
O hype em torno desta banda é verdadeiro. Para mim eles já são
dignos de figurarem ao lado de bandas como o Arctic Monkeys, que praticamente deixou as guitarras de
lado e agora difundem um hip hop totalmente comercial, camuflado de indie rock. Enfim,
a banda Peace já representa a geração 2010's e é a esperança para o desgastado cenário musical, onde bandas
que tentam se reinventar demais, acabando cometendo erros irreparáveis. Escute
e dê repeat!

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