domingo, 1 de março de 2015

Cena Local #1 - Lava Divers


“Cena Local” é a mais nova seção do Fuzzverb e será dedicada a bandas independentes do Brasil. Para começar falaremos sobre a banda Lava Divers, do Triângulo Mineiro. Com membros das cidades de Araguari e Uberlândia, o grupo começou as atividades no ano passado, quando os amigos João Paulo Porto (guitarra, voz e synth) e Glauco Ribeiro (baixo) se conheceram (não foi em uma estação de trem como Keith Richards e Mick Jagger, mas se conheceram, nada menos do que no show da banda de britpop Suede) e devido aos gostos musicais semelhantes, iniciaram o projeto. Não demorou muito para que os membros Ana Zumpano (bateria e voz) e Eddie Shumway (guitarra) se juntassem ao grupo.


A banda gravou o primeiro EP, autointitulado Lava Divers no fim de 2014, e de lá pra cá, já tocou em diversos festivais, um deles inclusive em Patos de Minas, cidades dos meus pais, e que infelizmente não pude ver, por ter viajado na data. O EP possui quatro faixas autorais e foi produzido por Gustavo Vazquez. O processo de gravação passou por dois estúdios: Vintage Rock Studio em Araraguari e Rocklab em Pirenópolis no estado de Goiás. Além disso, gravações adicionais foram feitas também em Uberlândia, no Caverna Studio. O disco já foi lançado em formato virtual e pode ser baixado gratuitamente no site oficial dabanda, que já possui planos de prensá-los em CD e vinil neste ano.

O Lava Divers é a completa personificação do rock alternativo da década de 90. Na primeira audição do EP imediatamente encontrei The Jesus And Mary Chain como possível influência da banda. As camadas de guitarras saturadas, a linha de baixo corrida e a simplicidade da bateria logo me remeteu ao som da banda escocesa. O vocal de João Paulo é mais moderninho e somado aos outros elementos torna-se essencial para a vigorosa identidade da banda. O grupo também é evidentemente influenciado por shoegaze, e provavelmente, tomou emprestado o nome da banda Slowdive, para imergirem em um mergulho mais rápido, em pura lava incandescente!

O EP de estreia é uma bela surpresa! “Carte Blanche” é uma ótima faixa de abertura. Tem energia o suficiente para mostrar o porquê de a banda estar ali. “Inking sorrows in my bonés” (Pintando tristezas nos meus ossos) foi o trecho que achei mais interessante da letra e isso gruda fácil na cabeça, assim como o “Before” cantado minutos antes. A segunda canção “Done” já ganhou até videoclipe. Candidata a hit do EP, a música possui a mesma pegada de bandas como Yuck e Smashing Pumpkins. O refrão de lamento é cantado em coro pela dupla João Paulo e Ana, acompanha por um pegajoso riff de guitarra, que divide a cena com uma intensa linha de baixo atacada pelo dinâmico combo de bumbo, tarol e prato de ataque.



“Heartless” é a falsa balada de corações partidos do EP. Sussurrada pela suave voz da baterista Ana Zumpano, a primeira impressão que fica, é de que se trata de mais canção depressiva pós-termino de relacionamento. Na realidade, o coração partido tornou-se pedra e só tira vantagens de não sofrer por mais ninguém. A pueril guitarra dedilhada é o ponto forte da canção, que vai se incrementando até terminar em alguns solavancos e microfonias. “On A Flag Hill” é bastante esperançosa e tem uma levada bem agradável. A melhor linha do baixo do EP está nesta faixa, que também compartilha de um belo solo de guitarra, sempre acompanhada de uma estridente guitarra limpa.

O EP prova que o repertório da banda está completo. Nele encontramos duas canções poderosas, uma balada de despedaçar almas apaixonadas e uma otimista faixa de término de disco que evidencia o ótimo entrosamento de uma banda que conta com tão pouco tempo de existência, mas já apresenta ótimas canções. O material é de encher os olhos (e ouvidos) dos fãs de música independente e rock alternativo! Fica agora a minha torcida, para que novos shows sejam realizados aqui na região onde vivo, e que desta vez eu não os perca por nenhum imprevisto! Vista seu escafandro e mergulhe na enxurrada sonora e quente do Lava Divers!

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