“Cena Local” é a mais nova seção do Fuzzverb e será dedicada
a bandas independentes do Brasil. Para começar falaremos sobre a banda Lava
Divers, do Triângulo Mineiro. Com membros das cidades de Araguari e Uberlândia,
o grupo começou as atividades no ano passado, quando os amigos João Paulo Porto
(guitarra, voz e synth) e Glauco Ribeiro (baixo) se conheceram (não foi em uma
estação de trem como Keith Richards e Mick Jagger, mas se conheceram, nada
menos do que no show da banda de britpop Suede) e devido aos gostos musicais
semelhantes, iniciaram o projeto. Não demorou muito para que os membros Ana
Zumpano (bateria e voz) e Eddie Shumway (guitarra) se juntassem ao grupo.
A banda gravou o primeiro EP, autointitulado Lava Divers no fim de 2014, e de lá pra
cá, já tocou em diversos festivais, um deles inclusive em Patos de Minas,
cidades dos meus pais, e que infelizmente não pude ver, por ter viajado na
data. O EP possui quatro faixas autorais e foi produzido por Gustavo Vazquez. O
processo de gravação passou por dois estúdios: Vintage Rock Studio em
Araraguari e Rocklab em Pirenópolis no estado de Goiás. Além disso, gravações
adicionais foram feitas também em Uberlândia, no Caverna Studio. O disco já foi
lançado em formato virtual e pode ser baixado gratuitamente no site oficial dabanda, que já possui planos de prensá-los em CD e vinil neste ano.
O Lava Divers é a completa personificação do rock
alternativo da década de 90. Na primeira audição do EP imediatamente encontrei
The Jesus And Mary Chain como possível influência da banda. As camadas de
guitarras saturadas, a linha de baixo corrida e a simplicidade da bateria logo
me remeteu ao som da banda escocesa. O vocal de João Paulo é mais moderninho e
somado aos outros elementos torna-se essencial para a vigorosa identidade da
banda. O grupo também é evidentemente influenciado por shoegaze, e
provavelmente, tomou emprestado o nome da banda Slowdive, para imergirem em um
mergulho mais rápido, em pura lava incandescente!
O EP de estreia é uma bela surpresa! “Carte Blanche” é uma
ótima faixa de abertura. Tem energia o suficiente para mostrar o porquê de a
banda estar ali. “Inking sorrows in my bonés” (Pintando tristezas nos meus
ossos) foi o trecho que achei mais interessante da letra e isso gruda fácil na
cabeça, assim como o “Before” cantado minutos antes. A segunda canção “Done” já
ganhou até videoclipe. Candidata a hit do EP, a música possui a mesma pegada de
bandas como Yuck e Smashing Pumpkins. O refrão de lamento é cantado em coro
pela dupla João Paulo e Ana, acompanha por um pegajoso riff de guitarra, que
divide a cena com uma intensa linha de baixo atacada pelo dinâmico combo de
bumbo, tarol e prato de ataque.
“Heartless” é a falsa balada de corações partidos do EP.
Sussurrada pela suave voz da baterista Ana Zumpano, a primeira impressão que
fica, é de que se trata de mais canção depressiva pós-termino de relacionamento.
Na realidade, o coração partido tornou-se pedra e só tira vantagens de não
sofrer por mais ninguém. A pueril guitarra dedilhada é o ponto forte da canção,
que vai se incrementando até terminar em alguns solavancos e microfonias. “On A
Flag Hill” é bastante esperançosa e tem uma levada bem agradável. A melhor
linha do baixo do EP está nesta faixa, que também compartilha de um belo solo
de guitarra, sempre acompanhada de uma estridente guitarra limpa.
O EP prova que o repertório da banda está completo. Nele
encontramos duas canções poderosas, uma balada de despedaçar almas apaixonadas
e uma otimista faixa de término de disco que evidencia o ótimo entrosamento de
uma banda que conta com tão pouco tempo de existência, mas já apresenta ótimas
canções. O material é de encher os olhos (e ouvidos) dos fãs de música
independente e rock alternativo! Fica agora a minha torcida, para que novos
shows sejam realizados aqui na região onde vivo, e que desta vez eu não os
perca por nenhum imprevisto! Vista seu escafandro e mergulhe na enxurrada
sonora e quente do Lava Divers!


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