quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Escute #16 - Warpaint - No Way Out (Redux)


As meninas do Warpaint liberaram ontem uma nova faixa lançada este ano. “No Way Out (Redux) é “a primeira da série de várias novas canções que serão lançadas este ano”, afirmou o quarteto o quarteto de Los Angeles. A canção não fará parte de nenhum álbum e já havia sido executada antes em shows e apresentações em rádio, inclusive com maior duração, cerca de sete minutos. A versão divulgada ontem é reduzida, por isso o termo “redux”. “No Way Out” tem a mesma pegada do trabalho mais recente da banda, Warpaint de 2014. Escute!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Videoclipe da Semana #6 - California Nights - Best Coast


O Best Coast voltou com tudo. Na semana passada eles anunciaram a data de lançamento do terceiro álbum California Nights através de um mini teaser no Youtube. Hoje além de liberarem a pré-venda e a capa do disco, divulgaram também o primeiro videoclipe do álbum, que foi escolhido para figurar no “Videoclipe da Semana” aqui do Fuzzverb!

“California Nights” é incrível! O lindo videoclipe dirigido por Adam Harding acertou a mão na seleção das imagens que combinam com a levada psicodélica da música. O estonteante pôr-do-sol e as cores quentes predominantes quase provocam alucinações. Quem diria que o Best Coast migraria para este lado mais experimental, tanto sonoramente, quanto visualmente.

Escute! #15 - Living Zoo - Built To Spill


O Built To Spill está de volta! É até difícil de acreditar que após longos seis anos eles irão realmente lançar um novo disco. Conheci a banda em meados de 2009, justamente quando eles lançaram o sétimo trabalho There Is No Enemy. Após alguns anos em turnê o grupo entrou em um hiato indefinido que desencadeou em baixas na formação da banda, que perdeu o baixista Brett Nelson e o baterista Scott Plouf. Felizmente eles voltaram, e para comemorar, o álbum Untethered Moon será lançado dia 21 de abril!

Hoje a banda liberou informações sobre o lançamento do álbum e compartilhou no Soundcloud a canção "Living Zoo". Uma autêntica canção do Built Spill. Ao longo de mais de vinte anos de banda, a sonoridade deles é praticamente a mesma. Bases eufóricas a lá punk rock, guitarras distorcidas que acompanham a melodia com virtuosos solos de guitarra. Ecos e infindáveis improvisos. Uma diferença sutil é percebida na bateria de Steve Gere e na suave linha de baixo de Jason Albertini, os novos membros da banda. O restante está todo lá! Que venha Untethered Moon!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Escute! #14 - No Room In Frame - Death Cab For Cutie


Kintsugi é uma arte milenar japonesa de remendar objetos quebrados utilizando ouro. O Death Cab For Cutie escolheu a habilidade para dar título ao oitavo e novo álbum, que será lançado em 30 demarço.  O que ocorre é que a banda perdeu muito “ouro” após a saída do guitarrista e produtor Chris Walla.

“No Room In Frame”, segunda canção divulgada do álbum, prova que o remendo da banda está funcionando! A canção é diferente das canções lançadas anteriormente pelo grupo. A guitarra ecoa de forma diferente e a levada delicada, também parece soar de forma mais fluida. Até a mixagem não se assemelha ao período em que Walla ainda estava na banda. Escute!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

shoegaze! #2 - Nothing


Depois de quase três décadas, o shoegaze desapareceu e renasceu com bastante força depois dos anos 2000. Para quem achou que o estilo iria se limitar apenas a inúmeras cópias de My Bloody Valentine, a surpresa de diversas novas vertentes oriundas do estilo trouxe renovação e mais vigor ao gênero, que está se saindo muito bem recentemente. Temos a música eletrônica do grupo francês M83; a influência J-rock da banda Asobi Seksu e a exploração noise rock dos japoneses da banda Boris.

Nothing surgiu para mesclar elementos de hardcore ao shoegaze. A banda não veio do nada, como ingenuamente sugere o nome, que em tradução livre significa “nada”. O líder Dominic Palermo teve um histórico em bandas de punk rock na Philadelphia, cidade de origem do quarteto que começou as atividades em 2011. Palermo foi preso após esfaquear um homem em uma briga. Ele ficou recluso por dois anos e após este período fundou a banda Nothing, que dois anos depois assinou um contrato com a Relapse Records, e lançou o primeiro disco, Guilty Of Everything em 2014.


Se a ideia do shoegaze absorver elementos emocionais e garageiros do hardcore já parece interessante, ela ficou ainda melhor, ao retratar a redenção de Nicky Palermo em um disco melancólico e contraditoriamente pesado. Guilty Of Ererything provavelmente é o disco mais expressivo de shoegaze lançado em 2014. Com vocais sussurrados e repletos de ambiência, camadas de guitarras distorcidas contrastando com ecos e uma carregada linha de baixo, perfeitamente sincronizada com uma bateria de lenhador, que praticamente assegura que o disco soe extremamente pesado.

A contradição que disse anteriormente vem do fato de que, por mais que a banda soe pesada, os elementos característicos do shoegaze, fazem com que tudo seja bastante agradável aos ouvidos. “Hymn To The Pillory” é um exemplo disto. A primeira canção do disco deixa explicita a insegurança presente em suas letras, mas torna-se confortante ao adquirir peso nas incessantes viradas de Kyle Kymball, em sua explosiva bateria. Conforto é exatamente o sentimento que carrego durante toda a audição dos quase quarenta minutos de disco, que podem soar como uma eternidade em apenas nove faixas.



“Dig” foi o primeiro single lançado antes mesmo do lançamento do álbum. Aqui a banda se aproxima mais de uma sonoridade alt rock, post-hardcore. A faixa seguinte, “Bent Nail” trás ao disco um pouco da influência do punk rock e um estranho clipe onde uma insatisfeita plateia “apedreja” os músicos da banda com vegetais comprados na porta da casa de shows onde o grupo se apresenta. Pela enérgica presença de palco conferida no clipe, percebe-se que a banda diferencia-se do tradicional shoegaze não só pelo peso, mas também pelo comportamento em palco.

Quando “Endlessly” começa, a sensação é que somos transportados imediatamente para os anos 90. Em um artigo escrito para o siteBuzzfeed, Naomi Zeichner sugeriu que a canção seria como se a banda Built To Spill tivesse se machucado e derretido em uma poça. Como fã incondicional da banda citada, consigo concordar em partes, mas ainda diria que o bando de Doug Martsch ainda teriam derretido camadas e camadas de detritos até atingirem o núcleo da terra. Uma baita canção, que não parece terminar quando interrompida pela faixa seguinte “Somersault”. Esta sim é uma típica canção de shoegaze! Todos os elementos estão lá, e por instantes nos notamos novamente imersos em um infindável conforto.

As canções seguintes do disco, extremamente bem produzido por Palermo, Brandon Setta e Jeff Zeigler, deixo para a curiosidade dos leitores e ouvintes. A banda formada por Palermo (vocais e guitarra), Brandon Setta (vocais e guitarra), Chris Betts (baixo) e Kimball (bateria) definitivamente merece atenção, e que, ao que tudo indica, veio para ficar! É praticamente essencial para fãs de post-hardocore, slowcore, até mesmo emocore, perderem preconceitos e aderirem a esta excelente banda americana. E claro, para os fãs de shoegaze que não se deixaram prender pela década de 90!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Escute! #13 - Dorian - Surfer Blood


O Surfer Blood mal anunciou o novo disco e já liberou a segunda canção que fará parte de 1000 Palms. “Dorian” foi lançada ontem em uma première exclusiva para o site Noisey. A música possui a calmaria de uma canção de ninar. A levada é muito agradável e possui guitarras infantis e espaciais, que remetem aos mesmos alienígenas de “The Grand Inquisitor” lançada ao anunciarem o lançamento do terceiro disco, que sairá dia 12 de maio. Escute!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Lista de Espera #11 - California Nights - Best Coast


Após lançarem o excelente debut Crazy For You (2010) e prosseguirem com o morno e comercial The Only Place (2012), é a vez da banda americana Best Coast anunciar a data de lançamento do terceiro disco. California Nights sairá no dia 5 de maio pelo antigo e tradicional selo Harvest. A dupla indie surf anunciou o disco através de um mini-trailer no Youtube. Ao que parece ser eles trarão de volta as reverberações do primeiro disco e desta vez buscarão uma sonoridade mais psicodélica. Esperar para ver, mas a minha expectativa é de que teremos um disco melhor do que o antecessor!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Videoclipe da Semana #5 - Freakout! - Mini Mansions


Já perdi as contas de quantas vezes o Mini Mansions apareceu em postagens aqui do Fuzzverb. Não é por menos, eles são ótimos e são uma das minhas bandas favoritas. E o videoclipe dessa semana fica com o divertido vídeo de “Freakout!”, lançado hoje no Vevo da banda. A canção é mais um single que fará parte do aguardado álbum The Great Pretenders, que será lançado em 23 de março, data que não parece chegar nunca!

O contrabaixo distorcido é cortante como o frenético bisturi que passeia pelo vídeo de “Freakout!”. O cirurgião do vídeo é impassível e em seus diversos cortes temos apologia até ao bizarro olho partido do chocante O Cão Andaluz lançado em 1929, por Luiz Buñuel. O mosaico do clipe vai se transformando aos poucos em um sangrento e carnavalesco teste de Rorschach. O vídeo foi digirido e produzido por Matthew Newman, também conhecido como Mount Emult, que já dirigiu clipes da aclamada banda Pixies.

Lista de Espera #10 - Carrie & Lowell - Sufjan Stevens


Não vou mentir, conheci Sufjan Stevens praticamente hoje. Um amigo meu já havia me recomendado e eu não fui atrás de escutar. Prestes a lançar um novo disco, resolvi dar uma chance ao músico americano e dei uma ouvida em “No Shade in The Shadow of the Cross”, lançada anteontem. A canção fará parte do sétimo álbum Carrie & Lowell, que sairá no dia 31 de março.

“No Shade In The Shadow of The Cross” é uma delícia de música. Ainda mais se você assistir ao vídeo abaixo e deleitar-se com a bela vista que Sufjan tomou emprestado do youtuber Don Whitaker para produzir o videoclipe da música. A letra da música exala um romantismo visceral que tenta ser bonitinho ao contrastar com a tranquila melodia da música. Exatamente o tipo de indie folk que adoro e que irei atrás de conhecer mais discos do músico, enquanto Carriel & Lowell não é lançado!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Lista de Espera #9 - 1000 Palms - Surfer Blood

Acabo de adicionar mais um disco para minha lista de espera deste ano. O quarteto de West Palm Beach na Flórida, Surfer Blood anunciou ontem, a data de lançamento do terceiro álbum. 1000 Palms, o sucessor de Astro Coast (2010) e Pythons (2013) contará com 11 faixas e será lançado no dia 12 de maio. Além de produzirem o disco, a banda trocou de selo pela terceira vez e agora é representada pela Joyful Noise Recordings. A canção “The Grand Inquisitor” foi a primeira faixa do disco liberada em uma premiere da Joyful Noise.

A sonoridade da nova música aproxima-se do material presente no penúltimo álbum Pythons, que abandonou parcialmente a temática surf music do excelente primeiro disco Astro Coast, para soar mais como bandas de rock alternativo como Pixies e Pavement. “The Grand Inquisitor” é regida por uma furiosa bateria que não economiza em viradas e pratos de ataques. As guitarras distorcidas e confusas incitam abdução alienígena. Que venha 1000 Palms!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Escute! #12 - The Ground Walks, with Time in a Box - Modest Mouse



Faltando praticamente um mês para o lançamento do novo álbum do Modest Mouse, mais uma canção foi liberada para audição no Vevo da banda no Youtube. A enérgica “The Ground Walks, with Time in a Box” é a quarta música lançada pertencente ao sexto disco de estúdio “Strangers To Ourselves”. As três faixas lançadas anteriormente foram “Coyotes”, “Lampshades On Fire” e “The BestRoom”. As 11 canções restantes do disco serão lançadas dia 17 de março. Isto se a banda não liberar mais canções antes deste prazo!

Depois de postar o clipe de “Coyotes” na estreia da seção Videoclipe da Semana, fui atrás de ouvir alguns discos do Modest Mouse. Para minha surpresa a banda tem a sonoridade alt rock que gosto das bandas oriundas da década de 90. Porém, "The Ground Walks, with Time in a Box" liberada hoje, não está nem de longe similar ao que ouvi nos primeiros discos da banda, e nem mesmo com as quatro canções novas liberadas. O som é dançante e inquietante demais. A linha de baixo é fantástica e a música deixa no ar a ideia de que o novo álbum do Modest Mouse será repleto de surpresas.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

shoegaze! #1 - Oyama




No Bandcamp do quinteto islandês Oyama, encontramos na descrição do grupo algo que pode ser traduzido como: “Tocamos melodias sonolentas enroladas em nuvens inchadas de ruído e amáveis e incompreendidas distorções”. Esta é mais uma das formas sinestésicas possíveis para se descrever o shoegaze. Sim, além de uma excelente cena post-rock, agora a Islândia também possui um baita representante deste estilo musical que acaba de ganhar uma seção especial aqui no Fuzzverb!

Fui apresentando a esta banda em um ótimo grupo de Shoegaze,Dreampop & Nugaze que frequento no Facebook. O usuário que compartilhou um link da banda afirmou que eles teriam sucesso imediato rapidamente e tudo mais.. Levando em conta o histórico das carreiras de bandas de shoegaze, nem por um segundo levei a sério o que ele havia dito, mas mesmo assim fui conferir o som. O mesmo cara que postou, também disse que o famigerado álbum Loveless do My Bloody Valentine não é o único disco bom de shoegaze. Estereótipo muito difundido por aí e que deveria fatalmente ser banido e infelizmente não é!

“The Right Amount”, canção postada no grupo, imediatamente se assemelha a qualquer canção sussurrada por Bilinda Butcher, vocalista e guitarrista do My Bloody Valentine. Logo pensei que o post do rapaz se tratava de uma contradição, mas já é de praxe que a maioria das bandas da nova geração de shoegaze, ou nugaze, tencione a soar como MBV, Slowdive ou Cocteau Twins. Felizmente, Oyama tem identidade própria! “The Right Amount” se parece sim com Loveless, porém é uma ótima canção e foi o bastante para que eu me convencesse a ouvir mais canções do grupo.


Oyama lançou o primeiro disco em novembro do ano passado. Coolboy possui nove faixas e é todo cantado em inglês. Para quem ficou decepcionado esperando ouvir algum shoegaze cantado em islandês, poderá se deliciar com o trio Sigur Rós, que não é necessariamente shoegaze, mas bebe da mesma fonte! O álbum foi gravado durante sete meses no Sundlaugin Studio, na capital islandesa Reykjavik. O trabalho foi produzido por Pétur Bem, que também colaborou com guitarras, violoncelo, sintetizadores e um glockenspiel, instrumento similar a um xilofone.

O quinteto é formado por Bergur Thomas Anderson (baixo, vocais), Júlía Hermannsdóttir (vocais, teclado), Kári Einarsson (guitarra), Rúnar Örn Marinósson (bateria) e Úlfur Alexander Einarsson (vocais, guitarra). Como de costume, a banda possui uma vocalista mulher, fator quase obrigatório para as bandas de shoegaze. Não querendo atribuir mais estereótipos ao estilo e sequer desmerecendo o trabalho do grupo, que é sensacional! Não sei se o nome da banda faz alguma alusão ao shoegaze japonês...

“Old Snow” abre o álbum Coolboy. Nota dez, se eu estivesse em condições de julgar ou classificar a banda. A levada da música é envolvente e crescente. As três guitarras arrastadas e barulhentas acompanham os vocais de Júlia, também acrescido em partes pelo sombrio backing vocal de Úlfur. A canção vai aumentando até se dissolver em uma interessante guitarra lo-fi dedilhada, que lembra a sonoridade de um videogame 16 bits da década de 90. Uma baita canção, de causar arrepios aos fãs mais exigentes de shoegaze.

O disco ainda possui ótimas canções como a excêntrica “The Cat Has Thirst”, que perdoem a minha insolência, dá de lembrar à conterrânea Björk. A música também migra lentamente da calmaria para a tempestade, característica marcante de todo o disco. “Siblings” é a canção mais agitadinha do álbum. Um belo trabalho do baterista Rúnar é percebido na faixa, que também possui belas camadas de guitarras distorcidas e reverberadas. Coolboy ainda possui a mórbida e repetitiva canção “Don't be sad because of people, they will all die” (Não fique triste por causa das pessoas, elas vão todas morrer).

“Sweet Ride” encerra o álbum e abaixo do texto postarei uma apresentação recente da banda para a Rádio KEXP 90.3 FM, ótima estação para se descobrir artistas interessantes. Coolboy está no meu Top 3 de discos de shoegaze lançados em 2014. Os outros dois são Guilty Of Everything da banda Nothing e Sway da banda Whirr. Ambas norte-americanas e juntamente com os islandeses do Oyama, quebram outro estereótipo de que bandas boas de shoegaze saem apenas do Reino Unido. Em breve escreverei sobre estas duas bandas aqui na seção de shoegaze do Fuzzverb. Vida longa a Oyama!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Lista de Espera #8 - Vestiges & Claws - José González


Desde 2007 sem lançar nenhum disco, o sueco José González voltou com tudo para anunciar o novo trabalho Vestiges & Claws, que sairá dia 17 de fevereiro. O disco sucede o excelente In Our Nature, e continua com a mesma levada folk melancólica e plácida a lá Nick Drake. A voz suave e o violão dedilhado continua figurando como característica principal do músico.



González já divulgou dois singles de Vestiges & Claws. O primeiro, “Every Age”, foi disponibilizado em um belíssimo videoclipe em 360º, feito pelo coletivo Eyes In Space. O segundo clipe é o de “Leaf Off / The Cave”, dirigido por Mikel Cee Karlsson, O clipe trata-se de uma parceria com a interessante congregação não religiosa, Sunday Assembly, da qual José González tornou-se adepto.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Escute! #11 - Andrew Bird - Echolocations: Canyon


O violinista e multi-instrumentista americano Andrew Bird resolveu inovar sua carreira musical. Após onze álbuns, ora instrumentais, ora elétricos, ele decidiu lançar um projeto onde a acústica e suas possibilidades de reverberação e eco através do ambiente, seriam o fator mais importante para criação. O local escolhido para iniciar o projeto Echolocations foi a paisagem de cânions.

Echolocations: Canyon foi gravado nos cânions de Coyote Gulch, no estado americano de Utah. O trabalho instrumental foi feito apenas com violino e apresenta sete canções com uma fantástica projeção sonora que provoca arrepios. O projeto foi feito em parceria de Ian Scheneller, escultor e luthier de instrumentos do Instituto de Arte Contemporânea de Boston.

O disco foi lançado no dia 3 de fevereiro e ficará em exposição por três meses no Instituto de Arte Contemporânea de Boston. Para uma diferente abordagem acústica, 36 autofalantes foram instalados na instituição. Para os próximos locais do projeto Echolocations, Andrew gravará em um rio, numa cidade, em um lago e em uma floresta.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Escute! #10 - Peace - Happy People


O ciclo de bandas inglesas no auge sempre se renova. Em 2013, o quarteto Peace deu as caras com o álbum In Love. Um disco de indie rock um tanto despretensioso, com destaque para o hit “Wraight”. O álbum foi produzido por Jim Abbiss, conhecido por trabalhar em premiados discos como Whatever The People Say I Am, That’s What I’m Not do Arctic Monkeys e 21 da Adele. Ao contrário dos macacos, a banda Peace decidiu continuar trabalhando com Jim e lançou o segundo álbum Happy People no dia 9 de fevereiro.

O disco novo é sensacional e faz o antecessor parecer deveras parado. As canções estão fantásticas e extremamente bem fluídas. O entrosamento somado a visível maturidade do grupo, é o fator essencial para a consistência do trabalho, que também se mostra extremamente melhor lapidado em sua produção. É possível ouvir as efusivas dez canções diversas vezes e ainda querer mais (prece atendida para quem adquirir a versão de luxo com oito músicas a mais!).

“O You”, faixa que abre o disco, imediatamente provoca uma reação de espanto, pois a canção é muito boa e bastante superior a todas lançadas pela banda anteriormente. A tentativa de mudar o mundo, como sugere a letra da música, não ocorre. Mas de fato, o que temos é uma banda aprimorada, é também a melhor canção do disco, logo de cara. As simplórias guitarras lo-fi totalmente estridentes casam perfeitamente com o arranjo de cordas, que coloca a banda no patamar de gigantes do indie rock como Arcade Fire e The National.

A ditadura da beleza é a temática da canção “Perfect Skin”, onde Samuel Koisser entona com charme uma virtuosa linha de baixo. O instrumental da faixa e do disco inteiro está perfeito. Douglas Castle não economizou nos ecos e nas oitavas em sua guitarra, muito bem acompanhadas pela base e voz de Harrison Koisser. Dominic Boyce também está impecável nas baquetas. “Perfect Skin” é um ponto alto do disco, provando que a banda não apresenta somente temas triviais como podemos julgar pelo nome da banda e do disco.

Quem gosta de baladas sobre corações partidos, onde o violão é acompanhado por uma melancólica linha de guitarra, ficará satisfeito com a bela canção “Someday”. A sonoridade da música é comparável a alguma baladinha britpop de Noel Gallagher ou a canção “Pilediver Waltz” da carreira solo de Alex Turner. Impossível não cantarolar “It’s a lonely, lonely, lonely, lonely life” ou “I hope someday you found someone to love”. Castle acertou a mão no solo da música!


E se o disco é versátil a ponto de apresentar canções garageiras de indie rock e baladinhas pop, por que não algo mais glamoroso e dançante? “Money” é puro groove! Uma dupla sincronizada de guitarras oitavadas e uma poderosa linha de baixo da vida ao riff da música. Harry Koisser esbanja sensualidade no vocal que em certos momentos evoca Mick Jagger! A percussiva bateria garantiria que a canção seria um hit nas pistas de dança em meados da década de setenta.

O hype em torno desta banda é verdadeiro. Para mim eles já são dignos de figurarem ao lado de bandas como o Arctic Monkeys, que praticamente deixou as guitarras de lado e agora difundem um hip hop totalmente comercial, camuflado de indie rock. Enfim, a banda Peace já representa a geração 2010's e é a esperança para o desgastado cenário musical, onde bandas que tentam se reinventar demais, acabando cometendo erros irreparáveis. Escute e dê repeat!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Videoclipe da Semana #4 - Kasabian em 360º


Uma parceria realizada entre os especialistas em realidade virtual da Visualise com a O2 e Columbia Records, trouxe aos fãs da banda inglêsa Kasabian, a oportunidade de assistir a duas canções do grupo em um incrível vídeo filmado em 360 graus. Quem já está acostumando a navegar pelo Google Street View, vai se surpreender ao conseguir realizar o mesmo processo, porém com as imagens em movimento.

“Club Foot” (um dos primeiros hits do debut Kasabian de 2004) e “Stevie” (do novo álbum 4813 de 2014) foram às canções escolhidas para integrarem o vídeo em 360 graus, que registra uma apresentação da banda no O2 Academy Brixton em dezembro de 2014. O videoclipe também mostra algumas cenas de backstage da banda e a entrada do local. Sergio Pizzorno, guitarrista ítalo-britânico da banda, rouba a cena com sua explosiva presença de palco.

Para quem não se contentar com o vídeo, a boa notícia é que os ingleses do Kasabian se apresentarão este ano no Pepsi On Stage na FNAC de Porto Alegre, no dia 26 de março, e no primeiro dia da quarta edição do festival Lollapalooza, que ocorrerá entre os dias 28 e 29 de março no Autódromo de Interlagos em São Paulo. Está será a segunda vez que a banda se apresentará no Brasil. O primeiro show ocorreu no Festival Planeta Terra em 2007.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Escute! #9 - Father John Misty - I Love You Honeybear


O Fleet Foxes sumiu do mapa. O último gostinho que sentimos da banda foi com a pequena ponta dos músicos no curta Festi, divulgado no ano passado pelo Arcade Fire. Infelizmente, o vídeo é de 2011, época que os cantores barbados ainda estavam em atividade. Para quem não se contenta com a saudade, Josh Tilmann, ex-baterista da banda e também ex-namorado de Aja Pecknold, irmã de Robin Pecknold e produtora do Fleet Foxes, acaba de lançar o segundo disco de sua banda Father John Misty.

O projeto difere bastante das raposas, mas carrega um pouco da reverberação e calmaria da gigante banda indie folk. Tilmann possui uma longa trajetória de discos solo. Meu favorito, Cancer And Delirium, foi produzido por Kory Kruckenberg, excelente produtor, vencedor do Grammy de Melhor Engenharia de Som em 2011 e membro da divertida banda Pickwick. Cancer And Delirium foi gravado em um gravador de 4 canais no apartamento de Tillman e posteriormente foram adicionados overdubs no estúdio de Kory. É possível ouvir ruídos, sons de carros, ambulâncias e tudo mais. O álbum é muito autêntico, cru e possui letras simples e profundas.

A surpresa da reinvenção de Tilmann como Father John Misty veio em 2012, após sete álbuns solo, quando o músico lançou o debut Fear Fun, mixado por Phil Ek, que também produziu os dois discos do Fleet Foxes e também conhecido por trabalhar com bandas como Built To Spill, Modest Mouse, Band Of Horses, etc. O disco é maravilhoso do começo ao fim. O trabalho distanciou-se muito dos Foxes e de seu trabalho solo autoral, quando ainda assinava como J. Tillman. Logo após seu primeiro disco como Father John Misty, Tilmann fez a trilha sonora do filme The History of Caves, dirigido por sua esposa Emma Elizabeth Tilmann.

I Love You Honeybear, novo álbum Father John Misty, nos presenteia com ótimas canções e é praticamente uma declaração de amor para Emma. O disco está imerso de intimidades do músico e do casal, que não se acanha ao descrê-las através do lirismo e da melodia. A faixa-título que abre o disco, possivelmente a melhor canção do material, é um exemplo explicito que Tillman possivelmente morreria de amor por Emma. A balada é repleta de inseguranças que permeiam desdes os lençóis e até a vizinhança do casal.



"Chateau Lobby #4 (in C for Two Virgins)" se assemelha a alguma canção do Fleet Foxes, porém com uma levada suingada e com um incrível arranjo de sopros. Pra variar a música começa com Tillman comparando Emma a uma rainha... O mais legal do álbum é a forma visceral do músico em não disfarçar o amor que sente por sua esposa. A música ganhou clipe e foi o primeiro single divulgado, apesar de Tillman já ter apresentado algumas canções do disco anteriormente.

"Bored In The USA", é a faixa mais profunda do trabalho. Tillman, ao piano, declama de forma melancólica: “How many people rise and say / My brain’s so awfully glad to be here for yet another mindless day” (Quantas pessoas levantam e dizem / Meu cérebro está tão contente de estar aqui para outro dia sem sentido). A canção é de um pessimismo tão grande que a paixão declamada a sua esposa no restante do disco é quase posto em dúvida. Será que demasiado amor entediou o músico americano?

Tilmann produziu I Love You Honeybear com a ajuda de Jonathan Wilson, músico folk da Carolina do Norte. Partindo do folk tradicional e às vezes, passando por uma pegada similar ao dub step, Tilmann inova ao não ter medo de experimentar e expor seus pensamentos, ora contraditórios, ora extremamente românticos. Para mim, os 45 minutos do disco já estreiam como um dos possíveis melhores trabalhos folk de 2015.