terça-feira, 31 de março de 2015

Cena Local #3 - Molodoys


Mesclar elementos literários à música é uma bem sucedida tradição que precede a música contemporânea. No rock, a fórmula não poderia sair de maneira diferente. A banda inglesa de rock psicodélico Soft Machine, surgiu do título homônimo de um livro do escritor beatnik William Burroughs. Robert Zimmerman tornou-se Bob Dylan após adotar o sobrenome do poeta galês Dylan Thomas. Em Amparo, cidade do interior do estado de São Paulo, a banda Molodoys, escolheu o nome através de uma palavra do dicionário nadsat, do livro Laranja Mecânica de Anthony Burgess. No dialeto, molodoys significa jovens.

Na banda criada há cerca de dois anos, a idade dos membros não passa dos 25 anos. Composta por Leonardo Fazio (guitarra e voz), Camilla Araújo (voz e contrabaixo), Jairo Camargo (bateria) e o novo membro Vitor Marsula (teclado, voz e guitarra), o Molodoys segue a linha sonora de bandas atuais com pitadas de rock ácido da década de 60. A banda ganhou destaque ao participar de uma coletânea que homenageava o disco “Definitely Maybe” do extinto grupo de britpop Oasis. O projeto foi idealizado por Alisson Guimarães do site Oasis News.



O Molodoys gravou o primeiro EP no fim de 2013. Lançado em 20 de julho de 2014, Metamorphic Fragments, possui seis faixas, que foram produzidas por Gustavo Coutinho, que colaborou com os teclados e alguns backing vocals. O ecletismo do trabalho é fruto da presença das três diferentes vozes, que guiam o EP para rumos distintos em cada faixa cantada por algum dos membros. “As you put your lumberjack shirt”, faixa que abre o EP, soa como uma canção de punk rock garageiro. Cantada pelo ex-guitarrista do grupo, Wesley Castellano, a divertida canção possui um deslizante riff de guitarra indie rock.

“Sounds Of The Moon” é mais sofisticada e conta com um belo instrumental, que abrange desde uma bem executada bateria a um despojado arranjo de metais. O contraste vocal de Leonardo Fazio e Wesley Castellano é o ponto forte da música. “The Sigh of a Devil and the Flesh of an Angel” é uma bela balada. Sussurrada pela áspera voz de Leonardo, a canção é repleta de elementos que soam simultaneamente célticos e tribais. A faixa merece atenção por ser a mais bem desenvolvida do EP e por evidenciar o entrosamento e potencial do quarteto paulista.

Castellano volta a assumir os vocais em “Seize the Night (For [by] Vincent)”. A personalidade jubilosa e libertina é percebida na curtinha canção, que soa como se tivesse sido gravada no auge dos anos 80. “Night that Ever Comes” é mais uma balada cantada na voz de Leonardo Fazio. Desta vez, o quarteto parece emular David Bowie em uma melancólica canção, novamente abraçada por um belo arranjo orquestrado e por uma ótima performance da banda.

O compacto é encerrado por “She’s a Devil”, um mix de balada pop francesa com uma pitada a lá The Doors. A sensual canção cantada pela baixista Camilla Araújo, trás de volta as referências literárias. Lolita, a polêmica obra do escritor russo Vladimir Nabokov é o tema da canção, que entoa em sua levada jazzística, um belo solo de guitarra e até um trecho cantado em francês. Metamorphic Fragments é um exemplo de como a cena brasileira pode ser criativa ao mesclar elementos literários à música. Escute o álbum inteiro pelo Spotify!



A decisão mais recente do Molodoys foi adotar a língua pátria e abandonar um pouco os estrangeirismos que marcaram o primeiro EP. “Blues do Cangaço”, canção que intregrará um novo EP da banda já está em pós-produção e será lançada junto com um clipe em meados do mês de maio. A canção é uma raivosa mistura de baião com delta blues. O Molodoys destaca-se no cenário nacional por conseguir soar de formas tão distintas sem que eles percam o foco. Uma versatilidade sonora que ultrapassa qualquer tipo de rótulo ou egocentrismo. Uma boa pedida para apreciadores de rock psicodélico, alternativo e claro, de música boa!



quarta-feira, 25 de março de 2015

Escute! #25 - Mini Mansions - The Great Pretenders


The Great Pretenders possivelmente será um dos lançamentos mais relevantes do cenário indie rock deste ano. O trio norte-americano parece finalmente estar saindo da sombra de ser apenas o “projeto paralelo do baixista do Queens Of The Stone Age”. A influência da explosão britânica dos anos 60, marcante no debut da banda, está menos evidente neste disco. A escolha de uma perspectiva mais oitentista e dançante foi adotada pela banda no novo trabalho.

Após quase cinco anos de espera, The Great Pretenders foi liberado anteontem pelo Mini Mansions. A banda composta pelo Zachary Dawes (baixista), Tyler Parkford (tecladista e vocalista) e Michael Shuman (vocalista, baixista e membro do QOTSA) parece agora direcionar melhor o som, e o disco composto por onze canções confirma isso. O álbum preencheria bem a trilha sonora de qualquer filme de terror trash oitentista. Não é uma comparação que venha a calhar, mas a banda supre bem a saudade que os fãs da banda britânica Klaxons, sentem das divertidas e dançantes canções e dos vocais sincronizados.

“Freakout!” avisa o que surgirá em todo o material: canções esquisitas, frenéticas e repletas de melodias extremamente pegajosas. A bateria a lá Jesus & Mary Chain de Mike Shoes está perfeitamente sincronizado com o contrabaixo de Zach Dawes. “Death Is A Girl” possui a levada perfeita de thrillers de zumbis. Os teclados simulam um console 8 bits do fim da década de 80. “Creeps” é quase uma balada glam. O solo de guitarra e os vocais em falsete tornam a faixa extremamente romântica.

A inconstante “Fantasy” é um belo exemplo do flerte da banda com a psicodelia sessentista. Tyler dá o melhor de si em um efusivo teclado. Para completar as alusões aos anos 60, a banda convidou ninguém menos do que Brian Wilson (fundador do Beach Boys), para cantar na música “Any Emotions”. A canção é calminha, as camadas de vozes ganham novas cores com a presença da voz firme de Wilson. Um achado, devido ao inusitado encontro das duas gerações de artistas.



O disco está só esquentando e para completar, a faixa “Vertigo” conta com a ilustre presença de Alex Turner. O líder do Arctic Monkeys contribuiu com sua sensual participação na canção, que ganhou um excêntrico clipe, lançado simultaneamente ao disco anteontem.  Dirigido por Jesus Riviera, o surreal vídeo conta com modelos nuas, os quatro rapazes trajando estilosos blazers e um punhado de imagens non-sense.

As participações especiais encerram-se por aqui. “Honey, I’m Home” possui um belo baixo e um experimentalismo que se assemelha ao rock progressivo. A agressiva “Mirror Mountain” parece saída diretamente de algum disco do Queens Of The Stone Age. “Heart Of Stone” trás de volta a melancolia do primeiro álbum Mini Mansions, de 2010. De certa forma, o disco anterior parecia premeditar a sonoridade que bandas como Arctic Monkeys e The Black Keys tomariam para si poucos anos depois.

O encerramento do disco ocorre com duas faixas bem distintas. “Double Visions” tem uma animada levada britpop, ao passo que “The End, Again” explora elementos de synthpop e destoa-se totalmente de todo o restante do álbum. The Great Pretenders é um disco consistente, talvez eu ainda prefira o primeiro, mas com certeza um bom disco. Fico na torcida para que Michael Shuman ceda mais de seu tempo a esta banda, e não apenas ao Queens Of The Stone Age. Escute!

terça-feira, 24 de março de 2015

Videoclipe da Semana #9 - Far From Alaska - About Knives


“About Knives” é mais uma bela produção audiovisual da banda potiguar Far From Alaska. Produzido por Granada Filmes e Vivac Filmes, o clipe dirigido pela equipe Justicieros foi filmado em cinco países: Chile, Brasil, Inglaterra, Argentina e Índia. A fotografia do videoclipe é maravilhosa e assim também é com a canção. “About Knives” faz parte do debut modeHuman, lançado ano passado pelo quinteto brasileiro. A banda, que possui uma sonoridade stoner rock com elementos de rock alternativo, é destaque mundial e tocará no segundo dia da quarta edição do Lollapalooza Brasil, que ocorre neste fim de semana (28 e 29 de março) no Autódromo de Interlagos em São Paulo.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Escute! #24 - Built To Spill - Never Be The Same


O Built To Spill compartilhou hoje de novo a nova canção “Never Be The Same”, que fará parte do álbum Untethered Moon que sairá no dia 18 de abril. A baladinha é uma delícia! Parece saída do álbum There’s Nothing Wrong With Love (meu favorito!) e soa como se as guitarras tivessem sido tocadas por Roy Orbison. A falta de distorção das guitarras, algo muito incomum nas canções do Built To Spill, deixa a entender que eles realmente “nunca mais serão os mesmos”. Escute!


sexta-feira, 20 de março de 2015

Escute! #23 - Banda do Mar - Dia Clarear

Ainda não engoli a Banda do Mar do casal Marcelo Camelo e Mallu Magalhães, mas para dizer que nunca postei nada sobre a banda, resolvi ceder espaço para divulgar o clipe lançado pelo grupo agora a pouco. Com belas imagens e pela ótima regência de Thiago Calviño, o clipe de “Dia Clarear” mostra o trio (além do casal, a banda é composta pelo músico Fred Pinto) se deleitando em uma mansão a beira-mar. Mantendo a forma suave de sempre, a canção é incrivelmente pegajosa e me peguei cantarolando várias vezes “eu vou até o dia clarear” enquanto escrevia esse textinho. Uma ótima produção para os fãs de Camelo e companhia, para mim, fico na torcida que esse barco afunde logo. Escute!

terça-feira, 17 de março de 2015

Escute! #22 - Tricky feat. Mallu Magalhães - Something In The Way



Mallu Magalhães, em sua pseudo-síndrome de Asperger e vestes masculinas, explodiu no Myspace com apenas 15 anos de idade. Com a grana que ganhou de aniversário gravou algumas músicas, o que consequentemente resultou em seu sucesso. Envolveu-se amorosamente com Hélio Flanders, vocalista do Vanguart, outra banda folk em ascensão no Brasil. Acreditei que a carreira folk de Mallu iria perpetuar-se, pelo menos enquanto durasse o namorico, que logo se acabou. Depois disso ela lançou um segundo disco mediano e sabe-se lá como conseguiu tal feito, envolveu amorosamente com Marcelo Camelo do Los Hermanos. Após isso, a cantora imergiu-se no samba rock, MPB, ou sei lá diabos que raio de som produzido pelo músico carioca e deu uma guinada em sua promissora carreira folk.

Eu poderia ter resumido melhor, mas o fato é que depois de se tornar mulher e lançar o disco Pitanga de 2011 (os dois anteriores, de 2008 e 2009, possuíam o mesmo título Mallu Magalhães), a cantora paulista abandonou o violão e gaitinha do folk e agora só faz o tal do MPB com o Camelo. Eles até inventaram um trio chamado Banda do Mar, que a meu ver é fruto da dor de cotovelo de Camelo pela ótima banda que Rodrigo Amarante formou em 2008, o Little Joy. O que acontece é que, inusitadamente, Mallu Magalhães participou de música “Something In The Way” juntamente do cantor inglês Tricky, gigante expoente do gênero musical Trip Hop. Ao me informar da situação eu repudiei a incompatível parceria e antes mesmo de ouvir, acreditei que odiaria o som. O lance é, a canção fantástica! De longe o melhor trabalho de Mallu. Ironias a parte, não tenho muito a dizer, apenas: Escutem!

Escute! #21 - Modest Mouse - Strangers To Ourselves


O Modest Mouse foi a banda mais postada aqui do blog, e provavelmente também, a que menos conheço de todas que escrevi a respeito. Através do blog passei a dar mais atenção a ela, devido ao reboliço ao redor da banda e também pelos recentes lançamentos que precediam o disco Strangers To Ourselves, lançado hoje pelo grupo norte-americano. Este já é o sexto álbum lançado pela banda de indie rock, que já teve em sua formação o aclamado guitarrista Johnny Marr (ex -The Smiths).

Como não sou nenhum perito para falar de Modest Mouse fica meio difícil escrever sobre o grupo, então resumirei este em um confuso texto onde registro as impressões que tive do álbum. A faixa título “Strangers To Ourselves” soa como um apelo, algum tipo de redenção. Talvez devido à demora sem nenhum lançamento, afinal foram mais de sete anos até que o disco saísse. As músicas que sucedem possuem um ótimo trabalho nas guitarras e a sincronia dos demais músicos é perfeita, característica que notei ao ouvir outros discos do grupo.

A canção “Pistol (A. Cunaman, Miami, FL. 1996)” faz sátira a um debochado estilo de vida e isto é perceptível tanto pela letra cheia de ambiguidades, quanto pela melodia com elementos clichês de hip hop old school. "I've got my room key in my pocket and you know / I've got a pistol that I need to unload" (Eu tenho a chave do meu quarto no meu bolso e você sabe / Eu tenho uma pistola que precisa ser descarregada).



“Coyotes” definitivamente é a melhor faixa do disco e é minha favorita desde o lançamento do bonitinho clipe animalesco que lançaram no começo do ano. “Pups To Dust” trás uma bela melodia de guitarra e os famigerados harmônicos com alavanca, que tanto soaram nos demais discos da banda. “Sugar Boats” possui um ar circense e encaixou perfeitamente com a pungente voz de Isaac Brock. A divertida “God Is An Indian And You're An Asshole” brinca com coutry rock e ordena que “get on your horse and ride” (monte no seu cavalo e cavalgue).

O disco brilha nas três canções restantes. Cheguei até a ler por aí que “The Best Room” estaria soando como uma mistura de Modest Mouse com Talking Heads. Definitivamente podemos ouvir ecos e influências de outras bandas, mas é evidente que o Modest Mouse possui muita autenticidade e não perderam o folego, mesmo após tanto tempo em hiato.  Strangers To Ourselves é um ótimo disco e já está cotado como um dos melhores do ano para mim, e mesmo se não for,  já serviu de pontapé inicial para me interessar por esta incrível banda.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Escute! #20 - Death Cab For Cutie - Little Wanderer


Mais uma faixa liberada do novo álbum Kintsugi da banda norte-americana Death Cab For Cutie. “Little Wanderer” manteve a mesma levada de “Black Sun”, “No Room In Frame” e “The Ghosts Of Beverly Drive”, liberadas anteriormente pelo grupo de Benjamin Gibbard, agora sem o produtor e guitarrista Chris Walla. Kintsugi é o oitavo disco da banda Death Cab For Cutie e será lançado no dia 31 de março de 2015.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Videoclipe da Semana #8 - Björk - Lionsong


Lançado ontem em uma exclusiva première pra o site Noisey, o clipe da música “Lionsong” faz parte do disco Vulnicura, lançado no dia 20 de janeiro pela cantora Björk. O vídeo foi desenvolvido em uma parceria da cantora islandesa com a excêntrica dupla de fotografas holandesas, Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin, que dirigiram o trabalho. Os efeitos especiais ficaram por da companhia inglesa de efeitos visuais Framestore (V de Vingança, Where the Wild Things Are, Avatar, etc.).

O coração agonizante logo nos primeiros segundos do vídeo fazem alguma alusão à temática do disco, que se refere a recente separação de Björk, com o artista americano Matthew Barney. O surrealismo que surge a seguir já é esperado nos trabalhos permeados por caleidoscópicas esquisitices de Björk. Se essas golfadas exóticas surgirem toda vez que Björk se sentir mal emocionalmente, vamos torcer para que ela termine um relacionamento a cada véspera de pré-produção de álbum novo!

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cena Local #2 - Cassino Queen


Quem já conhece a banda Wilco, imediatamente deve imaginar que o duo Cassino Queen se trate de algum projeto de folk rock, country, ou algo do tipo. Ledo engano. A banda surgida em 2011 e estabelecida na cidade de Frutal, em Minas Gerais, possui uma sonoridade noise rock, com elementos eletrônicos, totalmente distintos do som feito pelos norte-americanos do Wilco, do qual utilizaram o nome da música “Casino Queen” para dar nome a banda. 

O Cassino Queen é formado pelos membros Boris e Mari Tavares, que se conheceram em Brasília e se reencontraram anos depois na UEMG de Frutal, onde ambos concluíram o curso de Publicidade e Propaganda. Boris, mais conhecido como Lucas Heitor, é natural de Frutal, atua como produtor musical e é dono do Stone Studio, praticamente o QJ do Cassino Queen. A amazonense Mari Tavares veio de Manaus e além de cantora, atua como fotógrafa, publicitária, compositora de jingles e tudo mais que estiver ao seu dispor na área de criação.

A grande sorte do duo está na independência e a infinita possibilidade de criatividade, devido à formação (Boris também é formado em Composição Musical pela UNB) e área de atuação dos dois membros da banda. Ambos multi-instrumentistas, a dupla necessita apenas de um DJ, não necessariamente fixo, em suas performances ao vivo, onde o sortudo disc jockey fica incumbido de dar vida aos samples criados para as canções da dupla. Nas apresentações da banda eles sempre se reinventam e estão constantemente mudando de visual. 

A mesma característica de aleatoriedade de escolha do repertório durante o show, realizada quando o The White Stripes ainda existia, é percebida no Cassino Queen, porém a metamorfose pode ser ainda mais brusca. O figurino muda, os instrumentos utilizados e o formato do show mudam. De um explosivo show eletrônico, onde ambos trajam cabeças de animais e se agitam freneticamente pelo palco, a dupla pode migrar para um minimalista formato acústico intitulado “Radio Vulgaris”. 

A dupla também se desdobra realizando algumas versões para as bandas Radiohead e Queens Of The Stone Age. Neste tipo de show a formação se completa. Boris fica munido de um violão equipado com um pedal Whammy, que oitava o som e ainda marca a pulsação das músicas pisando em um bumbo. Mari Tavares canta e completa o restante da bateria tocando prato e caixa clara. A sincronia e o entrosamento são os grandes diferenciais da dupla.

A banda ainda não lançou álbum, mas já liberou diversos singles, e agora que o Cassino Queen possui o próprio selo através do Stone Studio, a facilidade para lançar novos materiais é ainda maior. Além do estúdio, a dupla possui um projeto audiovisual chamado Bronx Photography, que produz vídeos promocionais para os artistas que gravam no Stone Studio. A própria dupla está com uma “Stone Session” em pós-produção.



No Soundcloud oficial do Cassino Queen encontramos pulsantes canções como “SugarHead”, “Sick In The Farm” e "†SIXSEX MILLION†". As três faixas soam dançantes e excêntricas como Crysyal Castles, e pesadas e chapantes como Death From Above 1979, algumas das influências sonoras da banda e que também são duos. A mistura de stoner rock com música eletrônica é a característica mais marcante da dupla.

Os trabalhos mais recentes da dupla mostram que a identidade do Cassino Queen está cada vez mais moldada. A música “Asphyxiate” possui um baixo insano e torna-se realmente “asfixiante” até evaporar-se repentinamente. A penúltima canção liberada, “BadBox” é um tanto quanto perturbadora. Marcada por diversas linhas vocais repletas de ecos, a faixa possui uma pegada trip hop acompanhada de diversos samples cantados em idiomas ininteligíveis.

No último sábado, dia 28 de fevereiro, eles lançaram a canção AVOID, marcada por uma inusitada levada synth pop influenciada por uma leveza característica de canções chillwave. As camadas de vozes de Mari Tavares estão perfeitamente sincronizadas com a frívola melodia da música. De todas as canções da banda, esta é provavelmente a mais madura, mesmo que não conte com a sempre marcante e agressiva, linha de baixo distorcida. 



Para conhecer mais sobre e ouvir outras canções da dupla, curtam a página no Facebook e inscrevam-se no canal do Youtube e no Soundcloudda banda. O Cassino Queen é isto: o misto de um refúgio de ruídos simétricos, somado a um caótico jogo melódico, onde o tempo de assimilação musical pode ser pavoroso e soar simultaneamente deslumbrante aos ouvidos dos primeiros ouvintes!

terça-feira, 10 de março de 2015

Escute! #19 - Tame Impala - Let It Happen


Depois de quase três anos sem lançar nenhum material inédito, os australianos do Tame Impala liberaram hoje uma canção para download. “Let It Happen” fará parte do novo álbum que sairá em breve, sucessor do segundo disco Lonerism (2012). Para baixar a música é necessário cadastrar um e-mail no site oficial da banda. Após o procedimento, o link para download será disponibilizado na página da banda.

“Let It Happen” possui quase oito minutos e soa totalmente diferente dos trabalhos anteriores. A banda já havia avisado que o novo trabalho tenderia mais para o lado da música eletrônica, o que literalmente ocorre na nova canção. E se a ideia era “deixar acontecer” e fluir naturalmente, o bando de Kevin Parker acertou em cheio! Com samples cortantes e uma inconstante melodia, a canção leva o Tame Impala direto para o lounge das pistas de dança!

A seguir o link para download:

sexta-feira, 6 de março de 2015

Videoclipe da Semana #7 - Bob Dylan - The Night We Called It A Day


Quando não está compondo, cantando ou pintando, Bob Dylan também se arrisca atuando. A atuação mais célebre que consigo lembrar é a do músico no filme “Pat Garrett & Billy The Kid”, onde a trilha sonora composta por ele, felizmente, sobrepõe sua fraca atuação. Dela originou o hit “Knockin’ On Heaven’s Door” e a ótima “Billy”. Dylan recém lançou o trigésimo sexto álbum Shadows In The Night, que trás algumas versões de músicas cantadas por Frank Sinatra. Para divulgar o álbum o músico liberou nesta semana o clipe de “The Night We Called It A Day”.

O próprio Robert Zimmerman decidiu estrelar o vídeo. Ao lado do ator e cantor Robert Davi (“Duro de Matar” e “007 – Permissão Para Matar”) e da bela Tracy Phillips (“(500) Dias com Ela”), o músico encena um monocrático film noir que culmina em um duplo assassinato. Dylan sai de fininho e prova que sua veia artística ainda pulsa veemente. O videoclipe foi dirigido por Nash Edgerton, que já regeu outros clipes de Bob, com o ótimo “Duquesne Whistle”. O trabalho é essencial para os fãs de Dylan, que a vida toda se mostrou altamente ligado com o passado, nostálgico para ele, ou não.

terça-feira, 3 de março de 2015

Escute! #18 - Modest Mouse - Of Course We Know


A banda Modest Mouse lançou hoje mais uma canção do novo álbum Strangers To Ourselves, que sairá no dia 17 de março. “Of Course We Know” é a sexta canção liberada do disco. As anteriores foram  "Lampshades on Fire", "The Best Room", "The Ground Walks, With Time in a Box", e "Coyotes". A música é a mais calminha em comparação a todas lançadas antes e possui um belo arranjo de vocalização e uma guitarra invertida fantástica. Escute!

segunda-feira, 2 de março de 2015

Escute! #17 - Noel Gallaghers' High Flying Birds - Chasing Yesterday


Saiu hoje o segundo disco do projeto Noel Gallagher’s High Flying Birds, do fundador da extinta banda de britpop Oasis. Chasing Yesterday foi produzido por Noel e lançado por seu próprio selo Soul Mash Records. O disco possui dez faixas, e ao contrário do que houve em seu antecessor, o músico inglês sente a urgência de se desvencilhar da antiga banda e moldar cada vez mais um estilo próprio. Tarefa difícil, que a meu ver nunca acontecerá, pois ainda acredito em uma possível reunião dos irmãos Gallagher.

Nos primeiros acordes de “Riverman” a sensação de estar ouvindo qualquer canção do Oasis é imediata. A faixa é mediana. O solo de guitarra no meio da música assemelha-se a alguma execução do guitarrista do The Doors, Robby Krieger. O disco começa a ficar mais interessante a partir de “In The Heat Of The Moment”, potencial música de divulgação do álbum, com uma sofisticada guitarra e um refrão bastante pegajoso. O ponto fraco fica apenas com o estranho “nanana” cantando em certas partes da música.

O álbum flui sem muitos destaques a partir daí e volta a brilhar na sexta faixa “The Right Stuff”. A canção possui um instrumental impecável. A bateria jazzística de Jeremy Stacey é maravilhosa. Noel Gallagher acertou a mão ao dividir a voz com a cantora inglesa Joy Rose. A combinação soou muito melhor do que muitas músicas cantadas em parceria de seu irmão Liam Gallagher. O frenesi jazz é somado a uma psicodélica guitarra e arranjos bastante interessantes!

É triste dizer isso, mas Liam Gallagher se sairia melhor cantando faixas como “The Mexican” e “Lock All The Doors”. Ambas as músicas possuem uma levada mais roqueira, o que ficava sempre bom na voz do irmão briguento de Noel, quando ainda eram colegas de banda e esboçavam qualquer forma de relacionamento. É impossível ouvir o disco e não se lembrar de Oasis, eu realmente queria, mas não dá! Por sorte a enorme quantidade de ruídos presentes nos álbuns do Oasis não é uma característica do trabalho solo de Noel.

A faixa “While The Song Remains The Same” reverencia a banda Led Zeppelin, e mais uma vez deixa a tona o grande clichê que sempre acompanhou os irmãos Gallagher: A constante necessidade de sempre viverem as sombras de outros músicos. E não estou me referindo apenas a óbvia alusão aos Beatles. Por sorte, a canção não “permanece a mesma”. A partir dela, o álbum segue uma trajetória totalmente distinta do Oasis. E acredite, fica cada vez melhor!

“The Mexican” é a canção mais “rock and roll” do pacote. Nela há novamente um dueto de Noel com uma voz feminina. A guitarra matadora possui um riff tão poderoso quanto “Cocaine” de Eric Clapton. Infelizmente nos deparamos de novo com uma estranha vocalização, desta vez marcada por um “uauauaua”. “You Know We Can’t Go Back” é a música mais alegre do álbum. Uma clássica canção romântica de Noel Gallagher, com o repetitivo e pulsante refrão:  “I said it's alright / But you know we can't go back” (Eu disse que está tudo bem / Mas você sabe que não podemos voltar).



“Ballad Of The Mighty I” é a melhor canção do disco. Definitivamente a perfeita escolha para fechar o disco. Além de uma melodia dissonante enlouquecedora, a faixa conta com a participação do carismático guitarrista Johnny Marr, ex-membro do The Smiths. Deixando de lado a característica guitarra “new wave” que o caracterizava, Marr prefere arriscar numa moderna pegada “indie rock”, levada que vem difundindo desde que participou da banda americana Modest Mouse.

Noel Gallagher lançou um bom disco. Esperava algo mais por se tratar de uma pessoa que está diariamente criticando e abrindo mazelas nas carreiras de outros músicos...  Longe de estar em uma crise, o britânico já começa a ser atingido pela necessidade de se reinventar, e que na maioria das vezes sempre resulta no convite de outros músicos famosos para recrutarem e reciclarem algumas músicas. Por sorte, a tentativa deu certo! Chasing Yesterday é uma ótima pedida para os fãs órfãos do Oasis, alguns esperançosos de um possível retorno, outros nem tanto. Escute!

domingo, 1 de março de 2015

Cena Local #1 - Lava Divers


“Cena Local” é a mais nova seção do Fuzzverb e será dedicada a bandas independentes do Brasil. Para começar falaremos sobre a banda Lava Divers, do Triângulo Mineiro. Com membros das cidades de Araguari e Uberlândia, o grupo começou as atividades no ano passado, quando os amigos João Paulo Porto (guitarra, voz e synth) e Glauco Ribeiro (baixo) se conheceram (não foi em uma estação de trem como Keith Richards e Mick Jagger, mas se conheceram, nada menos do que no show da banda de britpop Suede) e devido aos gostos musicais semelhantes, iniciaram o projeto. Não demorou muito para que os membros Ana Zumpano (bateria e voz) e Eddie Shumway (guitarra) se juntassem ao grupo.


A banda gravou o primeiro EP, autointitulado Lava Divers no fim de 2014, e de lá pra cá, já tocou em diversos festivais, um deles inclusive em Patos de Minas, cidades dos meus pais, e que infelizmente não pude ver, por ter viajado na data. O EP possui quatro faixas autorais e foi produzido por Gustavo Vazquez. O processo de gravação passou por dois estúdios: Vintage Rock Studio em Araraguari e Rocklab em Pirenópolis no estado de Goiás. Além disso, gravações adicionais foram feitas também em Uberlândia, no Caverna Studio. O disco já foi lançado em formato virtual e pode ser baixado gratuitamente no site oficial dabanda, que já possui planos de prensá-los em CD e vinil neste ano.

O Lava Divers é a completa personificação do rock alternativo da década de 90. Na primeira audição do EP imediatamente encontrei The Jesus And Mary Chain como possível influência da banda. As camadas de guitarras saturadas, a linha de baixo corrida e a simplicidade da bateria logo me remeteu ao som da banda escocesa. O vocal de João Paulo é mais moderninho e somado aos outros elementos torna-se essencial para a vigorosa identidade da banda. O grupo também é evidentemente influenciado por shoegaze, e provavelmente, tomou emprestado o nome da banda Slowdive, para imergirem em um mergulho mais rápido, em pura lava incandescente!

O EP de estreia é uma bela surpresa! “Carte Blanche” é uma ótima faixa de abertura. Tem energia o suficiente para mostrar o porquê de a banda estar ali. “Inking sorrows in my bonés” (Pintando tristezas nos meus ossos) foi o trecho que achei mais interessante da letra e isso gruda fácil na cabeça, assim como o “Before” cantado minutos antes. A segunda canção “Done” já ganhou até videoclipe. Candidata a hit do EP, a música possui a mesma pegada de bandas como Yuck e Smashing Pumpkins. O refrão de lamento é cantado em coro pela dupla João Paulo e Ana, acompanha por um pegajoso riff de guitarra, que divide a cena com uma intensa linha de baixo atacada pelo dinâmico combo de bumbo, tarol e prato de ataque.



“Heartless” é a falsa balada de corações partidos do EP. Sussurrada pela suave voz da baterista Ana Zumpano, a primeira impressão que fica, é de que se trata de mais canção depressiva pós-termino de relacionamento. Na realidade, o coração partido tornou-se pedra e só tira vantagens de não sofrer por mais ninguém. A pueril guitarra dedilhada é o ponto forte da canção, que vai se incrementando até terminar em alguns solavancos e microfonias. “On A Flag Hill” é bastante esperançosa e tem uma levada bem agradável. A melhor linha do baixo do EP está nesta faixa, que também compartilha de um belo solo de guitarra, sempre acompanhada de uma estridente guitarra limpa.

O EP prova que o repertório da banda está completo. Nele encontramos duas canções poderosas, uma balada de despedaçar almas apaixonadas e uma otimista faixa de término de disco que evidencia o ótimo entrosamento de uma banda que conta com tão pouco tempo de existência, mas já apresenta ótimas canções. O material é de encher os olhos (e ouvidos) dos fãs de música independente e rock alternativo! Fica agora a minha torcida, para que novos shows sejam realizados aqui na região onde vivo, e que desta vez eu não os perca por nenhum imprevisto! Vista seu escafandro e mergulhe na enxurrada sonora e quente do Lava Divers!