Após quase cinco anos de espera, The Great Pretenders foi liberado anteontem pelo Mini Mansions. A banda composta pelo Zachary Dawes (baixista), Tyler Parkford (tecladista e vocalista) e Michael Shuman (vocalista, baixista e membro do QOTSA) parece agora direcionar melhor o som, e o disco composto por onze canções confirma isso. O álbum preencheria bem a trilha sonora de qualquer filme de terror trash oitentista. Não é uma comparação que venha a calhar, mas a banda supre bem a saudade que os fãs da banda britânica Klaxons, sentem das divertidas e dançantes canções e dos vocais sincronizados.
“Freakout!” avisa o que surgirá em todo o material: canções esquisitas, frenéticas e repletas de melodias extremamente pegajosas. A bateria a lá Jesus & Mary Chain de Mike Shoes está perfeitamente sincronizado com o contrabaixo de Zach Dawes. “Death Is A Girl” possui a levada perfeita de thrillers de zumbis. Os teclados simulam um console 8 bits do fim da década de 80. “Creeps” é quase uma balada glam. O solo de guitarra e os vocais em falsete tornam a faixa extremamente romântica.
A inconstante “Fantasy” é um belo exemplo do flerte da banda com a psicodelia sessentista. Tyler dá o melhor de si em um efusivo teclado. Para completar as alusões aos anos 60, a banda convidou ninguém menos do que Brian Wilson (fundador do Beach Boys), para cantar na música “Any Emotions”. A canção é calminha, as camadas de vozes ganham novas cores com a presença da voz firme de Wilson. Um achado, devido ao inusitado encontro das duas gerações de artistas.
O disco está só esquentando e para completar, a faixa “Vertigo” conta com a ilustre presença de Alex Turner. O líder do Arctic Monkeys contribuiu com sua sensual participação na canção, que ganhou um excêntrico clipe, lançado simultaneamente ao disco anteontem. Dirigido por Jesus Riviera, o surreal vídeo conta com modelos nuas, os quatro rapazes trajando estilosos blazers e um punhado de imagens non-sense.
As participações especiais encerram-se por aqui. “Honey, I’m Home” possui um belo baixo e um experimentalismo que se assemelha ao rock progressivo. A agressiva “Mirror Mountain” parece saída diretamente de algum disco do Queens Of The Stone Age. “Heart Of Stone” trás de volta a melancolia do primeiro álbum Mini Mansions, de 2010. De certa forma, o disco anterior parecia premeditar a sonoridade que bandas como Arctic Monkeys e The Black Keys tomariam para si poucos anos depois.
O encerramento do disco ocorre com duas faixas bem distintas. “Double Visions” tem uma animada levada britpop, ao passo que “The End, Again” explora elementos de synthpop e destoa-se totalmente de todo o restante do álbum. The Great Pretenders é um disco consistente, talvez eu ainda prefira o primeiro, mas com certeza um bom disco. Fico na torcida para que Michael Shuman ceda mais de seu tempo a esta banda, e não apenas ao Queens Of The Stone Age. Escute!

Nenhum comentário:
Postar um comentário