Saiu hoje o segundo disco do projeto Noel Gallagher’s High Flying Birds, do fundador da extinta banda de britpop Oasis. Chasing Yesterday foi produzido por Noel e lançado por seu próprio selo Soul Mash Records. O disco possui dez faixas, e ao contrário do que houve em seu antecessor, o músico inglês sente a urgência de se desvencilhar da antiga banda e moldar cada vez mais um estilo próprio. Tarefa difícil, que a meu ver nunca acontecerá, pois ainda acredito em uma possível reunião dos irmãos Gallagher.
Nos primeiros acordes de “Riverman” a sensação de estar
ouvindo qualquer canção do Oasis é imediata. A faixa é mediana. O solo de
guitarra no meio da música assemelha-se a alguma execução do guitarrista do The
Doors, Robby Krieger. O disco começa a ficar mais interessante a partir de “In
The Heat Of The Moment”, potencial música de divulgação do álbum, com uma sofisticada
guitarra e um refrão bastante pegajoso. O ponto fraco fica apenas com o
estranho “nanana” cantando em certas partes da música.
O álbum flui sem muitos destaques a partir daí e volta a
brilhar na sexta faixa “The Right Stuff”. A canção possui um instrumental
impecável. A bateria jazzística de Jeremy Stacey é maravilhosa. Noel Gallagher
acertou a mão ao dividir a voz com a cantora inglesa Joy Rose. A combinação
soou muito melhor do que muitas músicas cantadas em parceria de seu irmão Liam
Gallagher. O frenesi jazz é somado a uma psicodélica guitarra e arranjos
bastante interessantes!
É triste dizer isso, mas Liam Gallagher se sairia melhor
cantando faixas como “The Mexican” e “Lock All The Doors”. Ambas as músicas
possuem uma levada mais roqueira, o que ficava sempre bom na voz do irmão
briguento de Noel, quando ainda eram colegas de banda e esboçavam qualquer
forma de relacionamento. É impossível ouvir o disco e não se lembrar de Oasis,
eu realmente queria, mas não dá! Por sorte a enorme quantidade de ruídos
presentes nos álbuns do Oasis não é uma característica do trabalho solo de
Noel.
A faixa “While The Song Remains The Same” reverencia a banda
Led Zeppelin, e mais uma vez deixa a tona o grande clichê que sempre acompanhou
os irmãos Gallagher: A constante necessidade de sempre viverem as sombras de outros
músicos. E não estou me referindo apenas a óbvia alusão aos Beatles. Por sorte,
a canção não “permanece a mesma”. A partir dela, o álbum segue uma trajetória
totalmente distinta do Oasis. E acredite, fica cada vez melhor!
“The Mexican” é a canção mais “rock and roll” do pacote. Nela
há novamente um dueto de Noel com uma voz feminina. A guitarra matadora possui
um riff tão poderoso quanto “Cocaine” de Eric Clapton. Infelizmente nos deparamos
de novo com uma estranha vocalização, desta vez marcada por um “uauauaua”. “You
Know We Can’t Go Back” é a música mais alegre do álbum. Uma clássica canção
romântica de Noel Gallagher, com o repetitivo e pulsante refrão: “I said it's alright / But you know we can't
go back” (Eu disse que está tudo bem / Mas você sabe que não podemos voltar).
“Ballad Of The Mighty I” é a melhor canção do disco.
Definitivamente a perfeita escolha para fechar o disco. Além de uma melodia dissonante
enlouquecedora, a faixa conta com a participação do carismático guitarrista
Johnny Marr, ex-membro do The Smiths. Deixando de lado a característica
guitarra “new wave” que o caracterizava, Marr prefere arriscar numa moderna
pegada “indie rock”, levada que vem difundindo desde que participou da banda americana
Modest Mouse.
Noel Gallagher lançou um bom disco. Esperava algo mais por
se tratar de uma pessoa que está diariamente criticando e abrindo mazelas nas
carreiras de outros músicos... Longe de estar
em uma crise, o britânico já começa a ser atingido pela necessidade de se reinventar,
e que na maioria das vezes sempre resulta no convite de outros músicos famosos
para recrutarem e reciclarem algumas músicas. Por sorte, a tentativa deu certo!
Chasing Yesterday é uma ótima pedida
para os fãs órfãos do Oasis, alguns esperançosos de um possível retorno, outros
nem tanto. Escute!

Nenhum comentário:
Postar um comentário