segunda-feira, 2 de março de 2015

Escute! #17 - Noel Gallaghers' High Flying Birds - Chasing Yesterday


Saiu hoje o segundo disco do projeto Noel Gallagher’s High Flying Birds, do fundador da extinta banda de britpop Oasis. Chasing Yesterday foi produzido por Noel e lançado por seu próprio selo Soul Mash Records. O disco possui dez faixas, e ao contrário do que houve em seu antecessor, o músico inglês sente a urgência de se desvencilhar da antiga banda e moldar cada vez mais um estilo próprio. Tarefa difícil, que a meu ver nunca acontecerá, pois ainda acredito em uma possível reunião dos irmãos Gallagher.

Nos primeiros acordes de “Riverman” a sensação de estar ouvindo qualquer canção do Oasis é imediata. A faixa é mediana. O solo de guitarra no meio da música assemelha-se a alguma execução do guitarrista do The Doors, Robby Krieger. O disco começa a ficar mais interessante a partir de “In The Heat Of The Moment”, potencial música de divulgação do álbum, com uma sofisticada guitarra e um refrão bastante pegajoso. O ponto fraco fica apenas com o estranho “nanana” cantando em certas partes da música.

O álbum flui sem muitos destaques a partir daí e volta a brilhar na sexta faixa “The Right Stuff”. A canção possui um instrumental impecável. A bateria jazzística de Jeremy Stacey é maravilhosa. Noel Gallagher acertou a mão ao dividir a voz com a cantora inglesa Joy Rose. A combinação soou muito melhor do que muitas músicas cantadas em parceria de seu irmão Liam Gallagher. O frenesi jazz é somado a uma psicodélica guitarra e arranjos bastante interessantes!

É triste dizer isso, mas Liam Gallagher se sairia melhor cantando faixas como “The Mexican” e “Lock All The Doors”. Ambas as músicas possuem uma levada mais roqueira, o que ficava sempre bom na voz do irmão briguento de Noel, quando ainda eram colegas de banda e esboçavam qualquer forma de relacionamento. É impossível ouvir o disco e não se lembrar de Oasis, eu realmente queria, mas não dá! Por sorte a enorme quantidade de ruídos presentes nos álbuns do Oasis não é uma característica do trabalho solo de Noel.

A faixa “While The Song Remains The Same” reverencia a banda Led Zeppelin, e mais uma vez deixa a tona o grande clichê que sempre acompanhou os irmãos Gallagher: A constante necessidade de sempre viverem as sombras de outros músicos. E não estou me referindo apenas a óbvia alusão aos Beatles. Por sorte, a canção não “permanece a mesma”. A partir dela, o álbum segue uma trajetória totalmente distinta do Oasis. E acredite, fica cada vez melhor!

“The Mexican” é a canção mais “rock and roll” do pacote. Nela há novamente um dueto de Noel com uma voz feminina. A guitarra matadora possui um riff tão poderoso quanto “Cocaine” de Eric Clapton. Infelizmente nos deparamos de novo com uma estranha vocalização, desta vez marcada por um “uauauaua”. “You Know We Can’t Go Back” é a música mais alegre do álbum. Uma clássica canção romântica de Noel Gallagher, com o repetitivo e pulsante refrão:  “I said it's alright / But you know we can't go back” (Eu disse que está tudo bem / Mas você sabe que não podemos voltar).



“Ballad Of The Mighty I” é a melhor canção do disco. Definitivamente a perfeita escolha para fechar o disco. Além de uma melodia dissonante enlouquecedora, a faixa conta com a participação do carismático guitarrista Johnny Marr, ex-membro do The Smiths. Deixando de lado a característica guitarra “new wave” que o caracterizava, Marr prefere arriscar numa moderna pegada “indie rock”, levada que vem difundindo desde que participou da banda americana Modest Mouse.

Noel Gallagher lançou um bom disco. Esperava algo mais por se tratar de uma pessoa que está diariamente criticando e abrindo mazelas nas carreiras de outros músicos...  Longe de estar em uma crise, o britânico já começa a ser atingido pela necessidade de se reinventar, e que na maioria das vezes sempre resulta no convite de outros músicos famosos para recrutarem e reciclarem algumas músicas. Por sorte, a tentativa deu certo! Chasing Yesterday é uma ótima pedida para os fãs órfãos do Oasis, alguns esperançosos de um possível retorno, outros nem tanto. Escute!

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