“O que há de errado com vocês do rock and roll? Vocês
conseguem tocar para milhares de pessoas e não conseguem ser honestos com uma
só!”. Linda Keith indaga isto a Jimi Hendrix, após ele confessar que a canção “Red
House” teria sido escrita para ela. A modelo ainda conta que Keith Richards,
ex-namorado e guitarrista dos Rolling Stones, compôs a balada “Ruby Tuesday”
após o rompimento do casal, mas que no fim da noite, escuta sozinha as canções
feitas para ela. Pattie Boyd conseguiu um feito similar, pois serviu de
inspiração para as canções “Something” de George Harrison e “Layla”, de Eric
Clapton, nos períodos em que se envolveu com os dois guitarristas.
Os dilemas de groupies e os conturbados relacionamentos amorosos de James Marshall
Hendrix estão presentes no filme “Jimi:
All Is By My Side”, que retrata a vida músico antes da fama, e mostra como
Linda Keith batalhou para conseguir um produtor e convencê-lo de que ele
precisava lutar para conseguir seu espaço na cena rock. O filme de 2013 é regido
por John Ridley, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado pelo filme “12
Anos de Escravidão”. O elenco é composto pelo músico André “3000” Benjamin,
Imogen Poots, Hayley Atwell e Andrew Buckley .
Além de seus relacionamentos, o filme coloca em evidência diversas
questões familiares, raciais e filosóficas da trajetória do guitarrista de
Seattle. O figurino e a fotografia do filme são impecáveis. Com mosaicos,
cortes e planos bastante similares aos de filmes antigos, seria fácil acreditar
que ele a obra foi rodada em meados das décadas de sessenta e setenta. Sem dizer
que depois de algum tempo assistindo o filme, eu quase me esqueci de que não se
tratava de Hendrix em pessoa, e sim da atuação de André 3000 do grupo de hip hop americano Outkast.
O ponto forte do filme está nas reconstituições de algumas
famosas performances do guitarrista. Depois de muita insistência de Linda Keith,
Hendrix aceitou ser produzido por Chas Chandler, baixista do The Animals, que enfrentava o hiato de sua banda e que estava disposto a agenciar novos músicos. A única exigência de Jimi
era conhecer Eric Clapton assim que eles se mudassem para Londres. Quando o fato
finalmente iria ocorrer Hendrix foi mais longe e pediu para tocar em uma jam com
o músico, que saiu do palco contrariado ao notar a superioridade de Jimi.
Outra cena fantástica acontece em Londres no Teatro de
Seville, em junho de 1967, quando o The
Jimi Hendrix Experience iria se apresentar e na plateia encontravam-se
diversas personalidades da época. Entre elas o produtor Brian Epstein e os
Beatles George Harrison e Paul Mccartney. O “fab four” tinha lançado a apenas
três dias o álbum "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band", e para a surpresa de
todos, o trio de Hendrix abriu o show improvisando a faixa título do disco dos
Beatles em uma calorosa performance, ensaiada no camarim instantes antes do
começo do show.
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| Stratocaster com headstock descaracterizado e sem o logotipo da Fender |
Infelizmente as canções do músico não foram liberadas para a
produção do filme e as apresentações exibidas tiveram que ser oriundas de
canções de autoria de outros músicos. As logomarcas da Fender, marca
imortalizada nas mãos de Jimi Hendrix, também foram removidas das guitarras e amplificadores
do filme, provavelmente por problemas de contrato. Pelo menos um violão Gibson
aparece no filme e os paredões de amplificadores Marshall também estão lá.
Kathy Etchingham, ex-namorada de Hendrix, causou burburinho
ao assistir ao filme e afirmar que as cenas em que o músico aparece agredindo a
personagem encenada pela atriz Hayley Atwell, não são verídicas. Afinal, o que
seria de uma boa biografia de rock and roll sem suas polêmicas causadas por
supostas ficções inseridas em suas tramas? O filme é essencial para os amantes
da cultura pop da década de sessenta e hendrixmaníacos, ou pelo menos para que
a plateia descubra que o penteado do guitarrista foi inspirado por nada menos
do que Bob Dylan!


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