sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Cinema B #1 - Jimi: All Is By My Side (2013)

“O que há de errado com vocês do rock and roll? Vocês conseguem tocar para milhares de pessoas e não conseguem ser honestos com uma só!”. Linda Keith indaga isto a Jimi Hendrix, após ele confessar que a canção “Red House” teria sido escrita para ela. A modelo ainda conta que Keith Richards, ex-namorado e guitarrista dos Rolling Stones, compôs a balada “Ruby Tuesday” após o rompimento do casal, mas que no fim da noite, escuta sozinha as canções feitas para ela. Pattie Boyd conseguiu um feito similar, pois serviu de inspiração para as canções “Something” de George Harrison e “Layla”, de Eric Clapton, nos períodos em que se envolveu com os dois guitarristas.

Os dilemas de groupies e os conturbados relacionamentos amorosos de James Marshall Hendrix estão presentes no filme “Jimi: All Is By My Side”, que retrata a vida músico antes da fama, e mostra como Linda Keith batalhou para conseguir um produtor e convencê-lo de que ele precisava lutar para conseguir seu espaço na cena rock. O filme de 2013 é regido por John Ridley, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado pelo filme “12 Anos de Escravidão”. O elenco é composto pelo músico André “3000” Benjamin, Imogen Poots, Hayley Atwell e Andrew Buckley .

Além de seus relacionamentos, o filme coloca em evidência diversas questões familiares, raciais e filosóficas da trajetória do guitarrista de Seattle. O figurino e a fotografia do filme são impecáveis. Com mosaicos, cortes e planos bastante similares aos de filmes antigos, seria fácil acreditar que ele a obra foi rodada em meados das décadas de sessenta e setenta. Sem dizer que depois de algum tempo assistindo o filme, eu quase me esqueci de que não se tratava de Hendrix em pessoa, e sim da atuação de André 3000 do grupo de hip hop americano Outkast.

O ponto forte do filme está nas reconstituições de algumas famosas performances do guitarrista. Depois de muita insistência de Linda Keith, Hendrix aceitou ser produzido por Chas Chandler, baixista do The Animals, que enfrentava o hiato de sua banda e que estava disposto a agenciar novos músicos. A única exigência de Jimi era conhecer Eric Clapton assim que eles se mudassem para Londres. Quando o fato finalmente iria ocorrer Hendrix foi mais longe e pediu para tocar em uma jam com o músico, que saiu do palco contrariado ao notar a superioridade de Jimi.

Outra cena fantástica acontece em Londres no Teatro de Seville, em junho de 1967, quando o The Jimi Hendrix Experience iria se apresentar e na plateia encontravam-se diversas personalidades da época. Entre elas o produtor Brian Epstein e os Beatles George Harrison e Paul Mccartney. O “fab four” tinha lançado a apenas três dias o álbum "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band", e para a surpresa de todos, o trio de Hendrix abriu o show improvisando a faixa título do disco dos Beatles em uma calorosa performance, ensaiada no camarim instantes antes do começo do show.

Stratocaster com headstock descaracterizado e sem o logotipo da Fender
Infelizmente as canções do músico não foram liberadas para a produção do filme e as apresentações exibidas tiveram que ser oriundas de canções de autoria de outros músicos. As logomarcas da Fender, marca imortalizada nas mãos de Jimi Hendrix, também foram removidas das guitarras e amplificadores do filme, provavelmente por problemas de contrato. Pelo menos um violão Gibson aparece no filme e os paredões de amplificadores Marshall também estão lá.

Kathy Etchingham, ex-namorada de Hendrix, causou burburinho ao assistir ao filme e afirmar que as cenas em que o músico aparece agredindo a personagem encenada pela atriz Hayley Atwell, não são verídicas. Afinal, o que seria de uma boa biografia de rock and roll sem suas polêmicas causadas por supostas ficções inseridas em suas tramas? O filme é essencial para os amantes da cultura pop da década de sessenta e hendrixmaníacos, ou pelo menos para que a plateia descubra que o penteado do guitarrista foi inspirado por nada menos do que Bob Dylan!

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