Após a triste notícia da saída do guitarrista Thomas
Fakete, devido a um raro câncer de sarcoma diagnosticado na espinha e nos rins
do músico, os fãs do Surfer Blood podem relaxar um pouco e curtir o lançamento
do terceiro disco 1000 Palms. A banda americana de Palm Beach liberou o novo
disco no último dia 12 de maio e ao contrário dos trabalhos anteriores, o
material foi totalmente produzido e concebido de forma independente.
O trabalho possui onze faixas que foram gravadas na casa
dos pais do baterista Tyler Schwarz. Viva o DIY! Apesar dos esforços e das
tentativas de se desprenderem dos prazos e condições dos selos, o disco que
deveria ser ótimo, é prejudicado pelo estranhamento da banda a esta nova
transição. As canções são todas bem lapidadas, mas nenhuma possui riffs ou
melodias matadoras como as dos discos anteriores. Pelo menos se comparados ao
ótimo debut Astro Coast.
1000 Palms começa com a efervescente “Grand Inquisitor”.
A faixa possui três níveis distintos: a calmaria dos ecos iniciais, o explosivo
instrumental acompanhado de uma lenhadora bateria e o requebrante coro do fim
da faixa. “Island” carrega um pouco da essência das canções do disco anterior,
onde a pegada oitentista ganha força com um poderoso riff de guitarra fuzz. “I
Can’t Explain” provoca lampejos de paz com belas vocalizações e escorradias
guitarras carregadas de distorção e eco.
O disco ganha cores com as divertidas canções “Feast/Farmine”, “Sabre-Tooth And Bone” e “Covered Wagons”, onde a festividade é inteiramente conduzida por riffs psicodélicos oriundos das seis cordas. Para quebrar o gelo de tanta felicidade, “Point Of No Return” apresenta um fervoroso instrumental e carrega um denso lirismo de conformismo e desilusão amorosa, percebido em frases como “I’m happy for you / If you’re happy too” (Estou feliz por você / Se você estiver feliz também).
As quatro canções que me conquistaram aparecem em ordem
no disco. “Dorian” acertou a mão em diversas fases e transições que passeiam
entre belos riffs espaciais e ótimas vocalizações. Em “Into Catacombs” a dupla
de guitarras entrelaça um divertido arranjo barroco. A banda não apresentou
nenhuma dificuldade em mesclar a sonoridade alt-rock 80/90 com esta excêntrica influência
medieval.
A densidade dos vocais em “Other Desert Cities“ é essencial para dar vida ao belo
arranjo construído pela cozinha de instrumentos da banda. O grande diferencial
do Surfer Blood é esta fluidez elucidadas pelas melodias das guitarras. Assim como no restante
do disco, a bateria de Schwarz também se mostra afiada e a evolução do músico
foi um passo bastante significativo para a banda. 1000 Palms é daquele tipo de disco que melhora a cada nova audição!
Quando ouvi Astro Coast (2010) pela primeira vez apaixonei-me de
imediato pelo trabalho. Não tive a mesma sensação ao ouvir Phytons (2013) e até hoje
não morro de amores pelo disco. Ao ouvir “NW Passage” em um lapso de tempo eu
pude relembrar a sensação que tive ao conhecer o som da banda. Não sei se a
música teria o mesmo efeito em mim se não fosse acústica, mas sem dúvida possui
uma devastadora e grudenta melodia!
Se fosse possível fazer um paralelo entre 1000 Palms e os
dois discos anteriores, ele seria menos “ensolarado” do que Astro Coast”, apresentaria
a antonímia da fúria de Pythons e definitivamente estaria entre algo espacial e
estável. A química das faixas é o ponto mais forte do disco. 1000 Palms peca
por ser despretensioso em sua sonoridade e acerta por ter sido concebido em um
período essencial de auto conhecimento e amadurecimento da banda. Escute!

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