segunda-feira, 20 de abril de 2015

Escute! #28 - Built To Spill - Untethered Moon


Foram seis extensos anos de espera. O Built To Spill não lançava nenhum material inédito, porém nesse ínterim, continuava a excursionar e no meio do caminho, perdia integrantes preciosos. Brett Nelson e Scott Plouf, respectivamente, baixista e baterista, abandonaram o barco. Para suceder There Is No Enemy, o bando de Doug Martsch recrutou o baixista Jason Albertini e o baterista Steve Gere. Untethered Moon foi lançado dia 18 de abril no formato de vinil e sairá em CD e em formato digital amanhã.

E o que esperar da banda após tanto tempo e com todas essas substituições? Levando em conta que o histórico do Built To Spill não reflete em mudanças sonoras drásticas, eu esperava que eles continuassem soando como sempre. Apesar de eu preferir os primeiros discos, e toda a crueza “analógica” dos trabalhos produzidos e mixados por Phil Ek, eu ainda conseguia sentir conforto nos trabalhos mais recentes da banda. Não que 2009 seja assim tão recente...

Para produzir Untethered Moon, a banda apostou em Sam Coomes, multi-instrumentista texano que já foi baixista na banda de ninguém menos do que Elliott Smith! O resultado não deixaria de ser óbvio: Após vinte anos de trajetória, o Built Spill conseguiu emplacar mais um ótimo álbum, repleto de melodias agradáveis, improvisos infindáveis, baladinhas distópicas e a nostálgica sensação de juventude, como se Doug Martsch não envelhecesse nunca!

“All Our Songs” possui um título autoexplicativo. A faixa soa assustadoramente como uma mistura de todas as canções lançadas pelo grupo norte-americano. São seis minutos visitando lugares comuns de riffs enérgicos, vocais arrastados e grudentos, guitarras enfurecidas, ora distorcidas, ora chacoalhando devido ao efeito do pedal de tremolo. A melhor abertura possível para o tão esperado (pelo menos por mim) oitavo disco do Built To Spill.



A primeira canção a ser divulgada no disco foi “Living Zoo”. O frenético solo de guitarra está de volta e de certo modo, a canção também nos remete ao Built To Spill de sempre. A música foi divulgada com um grotesco e divertido clipe dirigido por Jordan Minkoff, dando início as aventuras do excêntrico Hairy Canary. O disco prossegue com “On The Way”, onde novamente a guitarra tremolo rouba a cena.

“Some Other Song” é tão pouco ambiciosa como seu título sugere. A canção quase passaria despercebida não fosse à áurea melancólica na qual ela deixa o ouvinte imerso. A melhor canção do disco surge a seguir. “Never Be The Same” é a primeira música a conflitar com o título, já que ela parece saída de ótimos álbuns como There’s Nothing Wrong With Love ou Keep It Like a Little Secret. Em uma exclusiva première para a Pitchfork, a música ganhou hoje mais um divertido videoclipe. Nele Doug compartilha de uma estranha obsessão pelo ator Harry Canary.



A diferença provocada pela mudança do baixista e baterista começa a ser percebida em “C.R.E.B.”. As melodias dissonantes podem assustar os ouvintes tradicionais da banda. Em “Another Day” o trabalho instrumental se torna mais sônico. As guitarras passam por diversos estágios, sendo eles, distorções, simuladores de rotary speakers, e até mesmo estando apenas limpas. Tento ser imparcial, mesmo escrevendo em um blog pessoal, porém é difícil se conter quando se trata de uma de minhas bandas favoritas.

Os quase três minutos de “Horizon To Cliff” são de pura paz. A baladinha serve para retomar o folego do disco e possui um belo solo de guitarra, onde temos uma bela combinação de alavanca e slide. “So” é uma canção do disco onde encontramos certa psicodélica. Até quando a guitarra está desacompanhada, não deixa de ser munida de distorção. E que bela distorção! A meu ver esta canção deveria fechar o disco com pelo menos mais quatro minutos de improviso.

A banda só soa diferente do convencional na última faixa. O encerramento com “When I’m Blind” é um tanto diferente e incomodo. A levada circense da música evapora-se aos poucos, dando lugar a um extenso e confuso solo de guitarra. Isolados, o baixo e bateria não se parecem nada com o que eu conhecia do Built To Spill. Talvez essa tenha sido a canção que menos me agradou, sem é claro, interferir no todo! Fora isso, o disco é uma festa! 

Untethered Moon já surge em 2015, não diria como carro chefe, mas pelo menos como que um disco essencial para os fãs de indie rock dos anos 90! Por sinal, que estão se deleitando com a força do triunfo de bandas gigantes como Blur, Modest Mouse e Death Cab For Cutie! Minha torcida é que essa onda que está revigorando o rock alternativo, shoegaze e etc. continue vindo com tudo em 2015!

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